Autoconhecimento Comportamento

Autoperdão

Menina correndo no campo com balões ao pôr do sol.
Luiz Guimaraes
Escrito por Luiz Guimaraes

Disse Jesus: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:37-40).

Com essa síntese do Mestre Jesus, não invalidando os demais mandamentos, evidenciamos que devemos nos amar para podermos vivenciar esse sentimento com os nossos semelhantes. O amor em sua plenitude requer uma maturidade espiritual que ainda estamos a construir.

Perseverando para essa conquista, se tivermos amor e perdão por nós, estaremos no caminho da libertação do sentimento de culpa. Se assim não procedermos, seremos réus e juízes das nossas imperfeições e ficaremos energizando a culpa que nos levará de forma inexorável à auto-obsessão. Conscientes de que Deus é bom, justo e misericordioso, não nos condenando e mesmo Jesus nosso Mestre e guia não tendo condenado ninguém, fica evidente de que o amor deve predominar como objetivo maior em nossas vidas, caminhando junto com a caridade que é “aquele sentimento em sua forma dinâmica”.

Consideremos a questão 886, do Livro dos Espíritos: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus”? — Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas. O “indulto” que viermos a nos conceder através do autoperdão não se configura em desleixo nem tampouco, omissão quanto às nossas faltas, e sim numa oportunidade para realizarmos a necessária catarse.

Mulher de braços abertos em frente ao mar

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O martírio da culpa não deve permanecer em nós.
 O conhecido aforismo: “águas passadas não movem moinhos”, esclarece que não devemos ficar mergulhados no passado remoendo sofrimentos. No livro Momentos de Consciência, pg. 25, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, consta: “(…) Desse modo quem se detém nas sombrias paisagens da culpa ainda não descobriu a consciência da própria responsabilidade perante a vida, negando-se a bênção da libertação”.

campo de trigo

Encontramos, ainda no Livro dos Espíritos, questão 835: ““Será a liberdade de consciência uma consequência da de pensar”? – A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como os outros pensamentos”. Destarte, a culpa deve ser superada mediante ações positivas, reabilitadoras, que resultarão dos pensamentos íntimos enobrecedores. O Mestre Jesus disse a mulher adúltera: “(…) Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais” (João 8:11).

É dessa forma que devemos alinhar nossas consciências exercitando-nos diuturnamente nesse processo de reeducação, onde a indulgência tem nascedouro em nossos próprios erros. No livro Jesus e o Evangelho à luz da Psicologia Profunda, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, temos: “(…) Amando-se, ultrapassa-se a própria humanidade na qual se encontra o ser, para alcançar-se uma forma de angelitude, que o alça do mundo físico ao espiritual mesmo que sem ruptura dos laços materiais”.

O autoperdão livra-nos do sofrimento, e também dos transtornos psicossomáticos consequentes. (O ódio aprisiona; o perdão liberta).

Sobre o autor

Luiz Guimaraes

Luiz Guimaraes

Sou médico diplomado no ano de 1972, pela Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco. Já era funcionário do Banco do Brasil e em 1977 assumi o cargo de médico no serviço da Instituição. Em 1988, assumi a chefia daquele serviço e em 1996 aposentei-me. Escrevo para o Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco (ambos em Recife) sobre a Doutrina Espírita e também sobre nossa conjuntura política. Sou membro efetivo da Academia Pernambucana de Música desde 1998.

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