Autoconhecimento Psicanálise

Bullying

Ana Racy
Escrito por Ana Racy



Nosso tema de hoje é bastante delicado e tem aumentado consideravelmente no mundo: bullying, um empréstimo da língua inglesa para “agressor” ou “assediador”.

O termo bullying está relacionado à prática de atos violentos, que acontecem repetidas vezes contra uma pessoa indefesa. O bullying pode ter consequências severas tanto em termos físicos quanto psicológicos. Para entender melhor quando o bullying está acontecendo, existe uma maneira simples: aquilo que é bacana em um grupo, precisa ser legal e divertido para todos os envolvidos. Caso alguém não esteja se sentindo bem com a situação, há necessidade de se repensar sobre a brincadeira.

A escola parece ser um ambiente perfeito para os “bullies” ou agressores, porque ali eles identificam as pessoas que sentem inseguranças, as que têm autoestima baixa, aquelas que não têm as melhores notas ou mesmo aqueles que são os melhores alunos, os chamados “nerds”. Esses estão sempre em suas miras. Um ponto pouco refletido está relacionado ao fato de que aqueles que agridem suas vítimas, muito frequentemente, o fazem para esconder a própria vulnerabilidade, não querem ser vistos como inseguros.

O bullying pode se apresentar de diversas formas: verbal, moral, sexual e, um tipo mais recente, o “cyberbullying” e todos são bastante prejudiciais. Normalmente, há três partes envolvidas nesses casos: o agressor, o agredido e quem assiste. Já mencionamos algumas coisas que motivam o primeiro a agir e o porquê de o segundo ser a vítima. Mas ainda resta entender aqueles que participam de forma indireta do bullying. Estes assistem a cena e não dizem nada e fazem isso porque têm muito medo de se tornarem a próxima vítima. Há também aqueles que participam apenas insuflando o “bully” a continuar com o ataque, extravasando ali sua porção sádica e agressiva.

Nos dias atuais, percebemos que os jovens têm uma tolerância muito baixa à frustração e isso se deve ao fato, em uma grande parte das vezes, dos pais terem dificuldades de impor limites e permitirem que eles façam tudo que desejam. Essa falta de limite é danosa emocional e moralmente para uma criança que está se formando, porque valores como respeito ao próximo e o cumprimento de leis, costumam passar longe das suas atitudes.

O objetivo deste artigo não é criticar os pais, mas alertar as pessoas que têm a responsabilidade da educação em suas mãos, de que esse é um processo trabalhoso e deve ser feito 24 horas por dia 7 dias por semana.

Podemos dizer que a educação, o respeito a si mesmo e ao próximo, são de extrema importância para que o bullying se distancie de todos os ambientes de convívio social, principalmente das escolas, empresas e até mesmo da família, porque, por mais estranho que isso possa parecer, o bullying também acontece dentro de casa, no relacionamento entre irmãos, cônjuges ou mesmo entre os parentes que não fazem parte da família núcleo, mas da estendida.

O pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência, diz o seguinte:

“A escola não deve ser apenas um local de ensino formal, mas também de formação cidadã, de direitos e deveres, amizade, cooperação e solidariedade. Agir contra o bullying é uma forma barata e eficiente de diminuir a violência entre estudantes e na sociedade”. 

Encerro este artigo com essa reflexão sobre o papel da sociedade, escola e família no combate ao bullying e deixo uma pergunta: O que você tem feito, como cidadão ou cidadã, para a redução desse tipo de comportamento tão desastroso em nossa sociedade atual?

Sobre o autor

Ana Racy

Ana Racy

Psicanalista Clínica com especialização em Programação Neurolinguística, Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente, Microexpressões faciais, Leitura Corporal e Detecção de Mentira. Tem mais de 30 anos de experiência acadêmica e coordenação em escolas de línguas e alunos particulares. Professora do curso “Psicologia do Relacionamento Humano” e participou do Seminário “O Amor é Contagioso” com Dr. Patch Adams.

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