Saúde Integral

Com depressão acentuada, aumentam os casos de tentativa de suicídio por causa do coronavírus

Mulher sentada no chão de sua sala encostada no sofá com cabeça baixa
123RF
Fabiano de Abreu
Escrito por Fabiano de Abreu

Um jovem, morador de Duque de Caxias no Rio de Janeiro, tentou suicídio na manhã deste domingo (22). Logo, o filósofo, psicanalista, membro da Mensa e especialista em estudos da mente humana, gestor da CPAH – Centro de Pesquisas e Análises Heráclito. Fui contatado após ter confirmado que era mais um caso de depressão que se acentuou com esta crise psicológica da pandemia do novo coronavírus, o pesquisador logo concentrou o seu domingo em pesquisas e análises para avaliar o que ele já previa ocorrer.

Eu já previa a possibilidade pessoas com depressão, em quarentena, sendo bombardeadas com notícias ruins, que poderiam potencializar o quadro depressivo; e haveria um aumento no número de suicídios. Tomando ciência do ocorrido, reuni o meu grupo de pesquisa para tentarmos contribuir de alguma maneira para que isso não elevasse mais ainda o número de mortos por causa do novo coronavírus, seja diretamente ou indiretamente.

Mulher séria apoiada na janela
Sharon/Unsplash

A neuropsicóloga Roselene Espírito Santo Wagner, também membro da CPAH, reafirma o risco baseado na incerteza: “Pessoas acometidas por depressão têm maior risco de suicídio. O risco é maior na vigência da doença e de comorbidades. Estamos imersos num cenário de incertezas. Incertezas essas geradoras de medos e angústias. É importante cuidar do equilíbrio emocional, para evitar ações definitivas para problemas transitórios. O suicídio não é solução; e, sim, mais um problema de saúde pública a ser tratado. “

Não consegui aprofundar-me em sua pesquisa pela dificuldade em buscar relatórios, para quantificar os casos, pois há neste momento um caos nos hospitais.

Homem usando mascara de proteção ao lado de uma grade
Bruna Araujo/Unsplash

Eu perguntei para alguns amigos médicos no WhatsApp e esperei que respondessem e me confirmassem. Não vou importuná-los neste momento já que estão todos atribulados e alguns com alto risco de contágio da doença. A Leninha Roselene, me confirmou também casos em seu consultório de crises agudas da depressão. Gerando um pico desse transtorno neste momento. É um fator real e esperado e temos que buscar meios para ajudar o quanto antes. Quanto mais potencializado, maior o risco e pode acontecer em fração de segundos.

“Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o prognóstico”.

Seguem as dicas dos profissionais para que possa observar o caso mais próximo e tentar ajudar.

Mulher deitada em uma poltrona para frente de uma janela
Dmitry/Unsplash

Em momento de reclusão e isolamento social, por conta do cenário mundial – pandemia do novo coronavírus – se você é portador da doença “Depressão”, observe algumas questões “preventivas” bastante pertinentes:

– Mantenha seu tratamento psicoterápico via online, a grande maioria dos profissionais estão trabalhando nessa modalidade;

– Se faz uso de medicação, siga corretamente a prescrição médica. Não aumente a dosagem, nem faça desmame por conta própria;

– Se sua medicação está por findar, entre em contato com o seu psiquiatra, todos estão trabalhando sob novos protocolos.

– Mantenha-se informado somente por vias sérias e éticas de notícias. Evite “Fake News”;

Computador com notícias do coronavirus
Annue Spratt/Unsplash


– Trabalhe sua respiração através de meditação. A respiração consciente e ritmada mantém a homeostase do corpo;

– Durma bem, o sono fisiológico possibilita uma “psicoprofilaxia”, filtragem e limpeza de metabólicos cerebrais;

– Mantenha uma alimentação equilibrada. Alimentos funcionais, menos processados e coloridos. “Descasque mais e desembrulhe menos”. Beba água, mantenha-se hidratado para o melhor funcionamento de todo o sistema de filtragem e eliminação, mantendo o organismo em bom funcionamento;

– Use a criatividade e o espaço possível, para uma atividade física que goste;

Mulher tomando xícara de café com um livro aberto em seu colo
Priscilla Du Perez/Unsplash


– Evite excesso de álcool, evite drogas. Mantenha-se lúcido;

– Mantenha a rotina, isso faz com que você continue orientado no tempo;

– Desenvolva uma plano, e faça planejamento para realizar uma “comemoração” para quando tudo isso passar;

– Traga para sua mente bons pensamentos, boas emoções. O que nós pensamos nós sentimos;

– Pense coisas boas!

– Sinta-se pertencendo a um grupo, o sentimento de pertencimento nos traz importância;

Mulher fazendo vídeo chamada com seu notebook e seu fone
123RF


– Faça chamadas de vídeo ou mesmo videoconferência, para reunir os amigos;

– Você tem tempo, organize a casa, os armários, leia os livros que guardou na estante, assista os filmes e as séries que você queria e não tinha “tempo”;

– Descubra um talento oculto, e trabalhe isso como uma TO, Terapia Ocupacional: Escrever, desenhar, pintar, esculpir, cozinhar, bordar…

Para casos mais graves em que tenha ocorrido uma tentativa ou pensamentos de suicídio, trabalhe na “redução de danos”, seguindo orientações básicas:

– Seja presente de forma integral na vida do sujeito portador do transtorno depressivo;

Mulher segurando celular
Priscilla Du Perez/Unsplash


– Se aproxime da pessoas que está em sofrimento emocional/psicológico;

– Ofereça conversa com escuta de qualidade;

– Conduza a conversa até perceber que a pessoa está segura e confiando em você;

– Pergunte abertamente se ela já pensou na própria morte;

– Com o terreno preparado, pergunte se ela já pensou em tirar a própria vida;

– Pergunte que método ela escolheria e por quê seria assim;

Lágrimas saindo dos olhos
Aliyah/Unsplash



– Deixe-a falar, chorar, contando todo o seu plano;

– Após tomar conhecimento da ideação e do planejamento, mostre-se solidário;

– Compreenda “sem julgar”, a partir daí ofereça um “pacto ou um contrato de preservação” à vida;

– Disponibilize o seu tempo para estar com ela;

– Fale sobre o CVV – Centro de Valorização a Vida, que recebe telefonemas de pessoas nessas condições. O número é o 188 e é gratuito;

– O desafio e a confissão trazem alívio, deixando a pessoa com o recurso de procurar ajuda em você ou no CVV;

– Quando nos esvaziamos desse sentimento de angústia e desesperança, começamos a valorizar a vida;

– Ter alguém que guarda o nosso segredo nos conecta a um outro ser. Esse sentimento de confiança forma um elo e traz motivação para superar o momento;

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– Ter ciência do plano e do planejamento para a execução, podendo tirar da pessoa a ferramenta que ela utilizaria;

– Recolha a medicação, retire o que puder ser feito de corda, lâminas cortantes, e não deixe a pessoa sozinha;

– A presença traz a companhia e inibe a tentativa de atentar contra a própria vida.

Tudo passa; isso também passará.

Se cuide e cuide.

Somos todos únicos, mas agora somos todos UM!

Se conecte, a rede social nunca foi tão real!

Sobre o autor

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, psicanalista, neuropsicanalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e especialista em neurociência cognitiva e comportamental, neuroplasticidade, psicopedagogia e psicologia positiva.

Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional.

Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo, criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil.

Lançou os livros “Viver Pode Não Ser Tão Ruim”, “Como Se Tornar Uma Celebridade”, “7 Pecados Capitais Que a Filosofia Explica” no Brasil, Angola, Paraguai e Portugal. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo, Fabiano foi constatado com o QI percentil 99, sendo considerado um dos maiores do mundo.

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