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Como é o Natal em outras religiões?

Presentes de Ntal embrulhados com papel e ao lado alguns enfeites
Mel Poole/Unsplash
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Quando falamos de Natal, quase que automaticamente pensamos na troca de presentes, no Papai Noel e/ou no nascimento de Jesus Cristo. Portanto, muitas pessoas interpretam essa festa como sendo tradicionalmente cristã e inclusive há a ideia equivocada de que os países não-cristãos não comemoram a data.

Muito antes da criação de datas comemorativas existentes hoje em nosso calendário, de origem romana, os povos antigos já realizavam festividades, porém, voltadas aos seus respectivos deuses. Dessa forma, uma comemoração semelhante ao Natal pode estar presente em outras religiões, mas com propósitos diferentes. A seguir, saiba mais sobre essa festa!

Qual é a origem do Natal?

Muitas pessoas acreditam que a comemoração do Natal só começou com o nascimento de Jesus Cristo, em 25 de dezembro, mas a origem dessa festa é outra. Cerca de 7 mil anos antes do nascimento dele, antigas civilizações celebravam, nessa data, o solstício de inverno, quando acontecia a noite mais longa do ano no hemisfério norte da Terra. A partir desse momento, todos os dias seriam contemplados com mais tempo de Sol no céu, representando um renascimento da luz em meio à escuridão da noite.

Com os dias mais longos, as civilizações poderiam caçar por mais tempo, colher alimentos que se desenvolveram com força e melhorar a qualidade de vida de toda a população, então, a festa deveria ser memorável. Na Mesopotâmia, durava 12 dias. Na Grécia, cultuavam Dionísio, deus do vinho. No Egito, era o deus Osíris sendo homenageado, em sua passagem ao mundo dos mortos.

Árvore de Natal montada em uma sala
Brett Sayles/Pexels

Em outros locais, como na China, a celebração era em torno do equilíbrio e da harmonia entre pessoas e natureza, tendo como símbolo o yin-yang, enquanto na Grã Bretanha a festa era em torno do Stonehenge, um monumento símbolo da trajetória do Sol com o passar do ano. Em Roma, a celebração era pelo deus Mitra, deus da luz, que se manifestaria após o solstício de inverno.

Se existiam todas essas celebrações, então como o Natal se tornou tão popular por ser o nascimento de Jesus Cristo? Em Roma, a Igreja queria uma celebração que ocultasse a celebração do deus Mitra, visto que ele era considerado um deus pagão para a religião cristã. A partir disso, definiram que Jesus seria homenageado no dia 25 de dezembro, como um símbolo de que a luz está presente entre nós. Nesse sentido, as duas celebrações passaram a ter significados similares, embora fossem diferentes.

Um outro personagem muito conhecido no Natal é o Papai Noel. O bom velhinho, que auxilia as crianças e aqueles que mais precisam, porém, nem sempre teve esse papel. Na atual Turquia, onde essa figura surgiu, ele era um bispo muito rico da cidade. Ao saber que as três filhas de um senhor teriam que se prostituir para sobreviver, ele jogou saquinhos com ouro pela chaminé da casa da família, para que elas usassem o dinheiro como dote e se casassem. A generosidade do Papai Noel, chamado até então de Nicolau de Myra, foi tão marcante que ao morrer ele foi canonizado pela Igreja Católica, tornando-se São Nicolau.

Quais religiões comemoram o Natal?

Agora que você já sabe que o Natal representa inúmeras celebrações de povos antigos, e que a celebração cristã é só mais uma das formas de comemorar o dia 25 de dezembro, está na hora de descobrir quais são as outras religiões que comemoram o Natal, e como elas fazem isso!

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As religiões judaica, islâmica, budista, candomblecista e hinduísta comemoram o Natal, assim como a cristã. Talvez você tivesse uma ideia diferente sobre isso, imaginando que judeus não comemoram o Natal, por exemplo, porque você ainda não sabia que as celebrações ocorrem, mas de maneiras diferentes para cada crença.

Como cada religião comemora o Natal?

Uma vez que entendemos que o Natal pode ser celebrado de inúmeras formas, resta aprender como são cada uma delas. Vamos lá!

Para a religião judaica, Jesus Cristo não é entendido como um messias, então, o nascimento dele não é celebrado no dia de Natal. Na verdade, a celebração se chama Hanuká, e comemora a reconquista do Templo judaico que estava em poder dos gregos. Acende-se uma vela por noite, a cada nove noites, e as famílias brincam com um peão que apresenta letras escritas em hebraico. Cada pessoa deve adivinhar qual letra aparecerá para cima, quando o peão parar.

No caso do Islamismo, há duas festas chamadas Eids. A primeira é a Eid-ul-Fitr, que celebra o livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão. A segunda festa islâmica é o Eid-ul-Adha, conhecida como “festa do sacrifício”. Para os adeptos do Islamismo, o Messias é o profeta Maomé e o Deus cristão para eles é chamado de Alá. Então não há a celebração do nascimento de Cristo, mas existe a prática da troca de presentes nessas datas.

Árvore de natal com enfeites
Pixabay/Pexels

O Natal para os budistas é o que mais se assemelha ao do Cristianismo, só que ao invés de comemorarem o nascimento de Cristo, os budistas festejam em 8 de abril o nascimento de Sidarta Gautama, que é o nome original de Buda. A celebração é chamada de Hanamatsuri e se consagra com o ato de banhar a imagem de um elefante com um bebê em cima com chá.

Para o Candomblé, o Natal tem um significado diferente. É uma comemoração da união entre as famílias e do amor que existe entre as pessoas, mas não há uma celebração do nascimento de Jesus Cristo. Nessa religião, os deuses são outros, e o sincretismo religioso foi uma forma de combater a repressão ao Candomblé. Então, a divindade enaltecida na data é Oxalá, Orixá que representa a vida e a harmonia.

No hinduísmo, a celebração recebe o nome de Diwali, um festival de cinco dias comemorado com toda a família. Para essa religião, Jesus Cristo é entendido como um avatar, ou seja, como uma encarnação do deus Vishnu, que teria vencido a escuridão ao vir até a Terra nessa data especial. Essa é uma das celebrações mais marcantes da religião hinduísta.

Todas as formas de celebrar o Natal são válidas e podem variar de acordo com cada crença ou cultura. O mais importante é que o amor, o respeito e a união estejam presentes, nessa data e em todos os outros períodos do ano.

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