Saúde Integral

Construção da subjetivação do surdo por meio da educação

Jéssica Sojo
Escrito por Jéssica Sojo

Olá, [email protected] do Eu Sem Fronteiras!

Recentemente eu escrevi um artigo aqui sobre a importância da Língua de Sinais na construção do desenvolvimento dos Surdos – e exemplifiquei junto, a importância do uso da linguagem e das nossas experiências em processos interativos para nos constituirmos como sujeito.

Segundo Giraldi, “A linguagem é que dá a condição para o sujeito de compreender o mundo e nele agir […]”. Pensando desse modo, eu questiono: – E o sujeito Surdo? Como é construído o seu desenvolvimento como Sujeito? Vamos levar em conta, uma pressuposição de um não diagnóstico de surdez no início do seu desenvolvimento. Certo, é nítido aqui, que o não diagnóstico inicial, acarretará em sérios prejuízos no desenvolver dos anos – impossibilitando a interação desse sujeito no seu meio social. Sabemos que a construção do desenvolvimento social de uma criança começa já nos seus primeiros processos de interação com os seus responsáveis – sejam os seus pais, os avós, os tios, os professores, quem for – e através do processo de educação escolar.

Recentemente houve um relato de uma mãe Surda, que matriculou o seu filho Surdo em uma escola bilíngue, porém, a criança não teve o desenvolvimento esperado. Trago o assunto em debate, porque no dia 23 de Abril é comemorado o Dia Nacional da Educação dos Surdos – e por isso, eu decidi compartilhar aqui sobre a primordialidade da construção do indivíduo Surdo na sociedade em uma comunicação com uso da língua de Sinais e língua oral através da educação.

Nos últimos anos, tem-se pautado muito sobre a importância da inclusão, mas aí, eu te questiono, novamente: – Existem os mesmos direitos educacionais de uma criança ouvinte para uma criança Surda nos dias atuais? Levando em conta, que o desenvolvimento de uma criança ouvinte é mais rápido que o de uma criança Surda, por conta do leque de informações recebidas pela criança ouvinte. Mas e a criança Surda?

É importante salientar que o desenvolvimento subjetivo de uma criança Surda surge através da sua inserção no processo educacional onde é possível haver interações com outras crianças através do uso da Língua de Sinais, de forma a ampliar sua compreensão em desenvolvimento como sujeito. Por mais que existam adaptações e acessibilidade dentro de um contexto entre ouvinte e Surdo desde a tenra idade e dentro de uma educação bilíngue, é nítido que a nossa sociedade ainda não está preparada para receber o Surdo – desde o processo educacional onde ocorre por vezes uma inclusão mista entre crianças ouvintes e Surdas, até na questão em que as pessoas não têm o menor interesse em se comunicar com os Surdos e, muito menos em aprender a Língua de Sinais, tornando mais difícil a construção do sujeito Surdo.

Como ouvinte, pensando em todo esse contexto e no indivíduo Surdo, trago aqui uma reflexão sobre a importância em aceitarmos e respeitarmos as pessoas em suas diferentes identidades sociais. Em refletirmos juntos, esse procedimento de inclusão. Em buscarmos facilitar a comunicação entre um sujeito ouvinte e um sujeito Surdo. Em debatermos não só sobre a Surdez, mas a outros assuntos pertinentes à inclusão, de fato.

Notas:
Subjetivação: Sujeito.
Constituição: Construção.
Modalidade: Tipo.
Processos Interativos: Interação na sociedade.
Subjetivação: Construção do sujeito de um só indivíduo.
Constituir/Constituirmos: Formação.
Pressuposição: Suposição.
Acarretará: Ocasionar.
Primordialidade: Importância.
Inserção: Inclusão.
Salientar: Enfatizar.
Explícito: Evidente.
Pertinente: Apropriado.

Sobre o autor

Jéssica Sojo

Jéssica Sojo

É custoso descrever quem sou eu – já que constantemente lapido, modifico e me transformo em um pouco de tudo e muito de cada pouco. Inicialmente posso compartilhar dizendo que sou extremamente curiosa, apaixonada pela comunidade surda, pela língua de sinais e por tudo que envolve a linguística.

Foi na faculdade de medicina e como acadêmica há alguns anos (com a esperança de trabalhar com o ser humano e suas limitações) que eu adentrei para um universo de que eu não fazia ideia que fosse possível existir e que pudesse trazer a bagagem que tenho hoje. Minha busca incessante pelo autoconhecimento e entendimento para muitos dos questionamentos que já tive (e continuo tendo) me fez despertar para o meu atual desígnio.

Minhas tantas outras peregrinações e experiências também contribuíram e muito com o meu desígnio – a começar pelo de compartilhar junto a vocês, leitores do EuSemFronteiras, sobre a primordialidade de enxergarmos para além do que nos visibiliza os olhos e lembrarmo-nos sempre de sermos semelhantes ao sol, mesmo em meio às sombras escarpadas montanhosas da vida.

Com todo o meu carinho e gratidão imensa,

Mãos em prece e um saudoso e caloroso abraço em cada um.

Contatos:

Email: [email protected]
Instagram: @rubiojer