Convivendo

Desvincular-se de mandamentos familiares faz bem à saúde

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras
Pode ser uma tarefa extremamente difícil – depende do nível de ligação que você tem com sua família –, mas desvincular-se dos mandamentos e costumes enraizados em você por seus parentes pode te fazer incrivelmente bem.

Pois é. Por mais estranho que possa parecer para algumas pessoas, nem tudo o que nossos pais, tios e avós dizem está certo. Bem, pode funcionar para eles e, até certo ponto, para você. Mas dependendo da fase da vida em que você está, talvez você pense de forma diferente da deles. E não há nenhum problema quanto a isso!

Faz bem que cada um tenha sua própria crença, seus próprios princípios e, principalmente, que evolua a cada dia baseado em suas próprias ações e no que o faz feliz. E isso vale para todas as frentes da vida: em relação à sua vida pessoal, profissional, física ou mentalmente, espiritualmente, religiosamente em na forma como trata e enxerga as outras pessoas.

A forma de pensar arraigada por seus familiares limitam seus passos – a não ser que o seu desejo seja, de fato, seguir os caminhos que essas determinadas crenças dão como opção. Se você é feliz dessa forma, tudo bem, mas caso não seja, vale a pena abrir mão dessas ideias e desses ideais que, na realidade, não foram construídos por você, apenas foram impostos sobre a sua vida.

Talvez isso não seja muito bem aceito na sua família, então tenha isso em mente e esteja preparado para ser considerado uma decepção ou a famosa ovelha negra. Mas, acredite, isso passa.

Basta que seus pais e outros familiares percebam que você não está fazendo nada de mal. Com o tempo, eles verão que, ao contrário disso, você está apenas buscando a própria felicidade, e não há nada de errado nisso.

Frases como “não me decepcione”, “não seja fraco”, “homem não chora”, “você não pode errar”, “estou depositando minha esperança em você” e outras parecidas podem destruir uma pessoa! E, mesmo assim, elas não deixam de ser pronunciadas.

No final das contas, seus familiares querem que você seja feliz e que, acima de tudo, você seja a melhor versão de si mesmo. Por isso, não dê ouvidos ao que te faz mal, não dê ouvidos ao que não condiz com você e com a sua forma de ver a vida. Por mais que faça sentido aos outros e, de alguma forma, eles acreditam que estão apenas fazendo o bem para você, somente você sabe o que de fato lhe faz feliz.

Não se permita abalar

Todos nós corremos o risco de nos perdermos em meio aos costumes, tradições e crenças de família que não necessariamente representam as nossas verdadeiras crenças. Mesmo não acreditando, é difícil se desvencilhar de tudo isso. Há pressão familiar. Há pressão pessoal, inclusive!

Afinal, ninguém quer decepcionar pessoas tão queridas. Ninguém quer estar aquém das expectativas, ninguém quer ser menos do que os outros imaginam. Entretanto o mais importante é não decepcionar a si mesmo.

Sofrer calado é acumular tristeza, rancor e amargura. No final das contas, acaba sendo muito pior. Mais vale ser sincero a respeito do que sente, acredita e quer do que sofrer em silêncio e depois, lá na frente, explodir.

Então caso alguém se sinta triste, paciência e bola para frente. Vai passar. Sempre passa. Mas não se deixe de lado. Não se permita abalar pelo sofrimento dos outros. Ao menos não quando isso significa deixar os seus de lado.

Não abandone sua família

Almoce com seus pais no final de semana. Passe uma tarde gostosa ao lado de seus familiares, converse com eles, dê boas risadas, abrace bastante e aproveite cada segundo ao lado das pessoas que, sim, fazem tudo por você.

Seja quem você quer ser. Não se torne o que os outros desejaram para a sua vida.

Apenas se lembre de fundamentar os seus pensamentos de acordo com suas próprias crenças e de acordo com aquilo que faz você feliz.

É normal nos espelharmos em pessoas que estão ao nosso lado desde o momento em que nascemos. Porém a psicologia cognitiva explica que, além dos estímulos vindos das experiências diárias, também carregamos em nós predisposições genéticas.

Ou seja, caso esteja em seu DNA ser alguém mais agressivo, você poderá colocar isso em prática de forma ainda mais severa, caso as atitudes do dia a dia estimulem esse tipo de reação. E se os mandamentos da sua família estimulam, você se tonará mais agressivo sem nem ao menos entender o porquê.

Por isso, é muito importante refletir sobre si mesmo e entender, primeiro, o que você faz, pensa e fala porque foi educado para isso e, em seguida, o que você faz, pensa e fala porque realmente acredita.

E como acabar com os costumes familiares?

Prepare-se para algo bem difícil. É preciso coragem, força de vontade e determinação. Não é fácil acabar com um costume. Aliás, diga-se de passagem, dependendo da situação, sua intenção não é acabar com um costume, apenas fazer com que o costume não afete mais diretamente a sua vida. Mesmo assim é difícil.

Costumes atravessam gerações. São fortalecidos ano após ano e, de repente, de uma hora para a outra, alguém tenta acabar com algo que por tanto tempo foi considerado verdade absoluta (aquele tipo de coisa que não é questionado, apenas aceito).

Por isso é que a psicologia transgeracional tem feito tanto sucesso. Esse tipo de teoria e técnica estuda a árvore genealógica de determinada pessoa, com o objetivo de prevenir padrões repetitivos de comportamento e crenças que vêm se repetindo, mas que deixaram de ser verdades absolutas para aquela família ou pessoa.

Sabe quando você sente que há algo errado com você, algo que lhe faz se sentir incompleto ou confuso, mas não sabe direito o que é? Pode ser algum costume ou mandamento familiar que está atravessando gerações, mas que não faz sentido em sua vida.

É nesse momento que a psicologia transgeracional pode entrar em ação. Ela te ajuda a ter mais consciência de todos os seus atos, seja os que foram herdados dos seus familiares ou aqueles que você criou de acordo com suas experiências.

Essa modalidade da psicologia te ajuda a discernir e separar tudo o que foi você quem construiu e o que foi construído dentro de você por causa das suas heranças genéticas e de costumes. E, a partir disso, você pode escolher o que deseja manter.

Questione-se sempre! Para descobrir o que quer mudar em você, questione-se sempre. Pense se determinada afirmação que fizer ou ação que tomar foi consequência de algo que você realmente acredita ou de alguma coisa que foi imposta para você.

Família não determina seu destino e sua forma de ser, apenas te dá a base para que você se torne aquilo que quiser.
Estude! Conhecimento é uma fonte infinita. É impossível estudar sobre tudo. É impossível (ao menos ao que se sabe) lotar o cérebro de conhecimento. Então estude. Estude para ser cada vez mais rico de cultura, conhecimento e do que quiser. Estude pessoas, relações, idiomas, filmes, música, arte, matemática. O que quiser. O importante é entender que se limitar dentro de uma caixinha só te fará mal.

Quebre paradigmas e preconceitos! Preconceitos atrasam a vida. Tudo o que você pensa hoje e acha que não gosta e não concorda, repense. Tudo aquilo que você acha que é errado, repense. Aliás, pense a respeito de tudo o que você concorda e acha correto também. Vale a pena mudar de opinião, caso seja necessário. Não tenha medo de assumir que estava errado antes. Melhor assumir o erro e evoluir do que continuar sempre no mesmo lugar, estático.

Não tenha medo da sua família! Família é sinônimo de amor, não de contrato social. Você não precisa concordar com todas as opiniões dos seus pais. Você não precisa agir da forma que eles querem, caso você não concorde.


Escrito por Giovanna Frugis da equipe Eu Sem Fronteiras

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para [email protected]