Autoconhecimento Psicologia

É bom errar de vez em quando

Patricia Carvalho
Escrito por Patricia Carvalho
Conhece aquele ditado “é errando que se aprende”? Bem, não acreditei nisso por muito tempo, achava que errar era uma fraqueza, que os tropeços da vida eram um tipo de castigo ou consequência de atos impensados, estupidez mesmo; hoje não acredito mais nisso, e tenho certeza de que é assim que a vida funciona: “é errando que se aprende”. Com erros somos capazes de aprender e digo mais, somente errando podemos seguir adiante na vida, ou seja, erros moldam quem somos.

Mas como isso é possível? Bem, os erros nos fazem frear, paramos para refletir, e é nesse instante que o crescimento vem. Isso se soubermos aproveitar a oportunidade, porque se ficarmos apenas nos lamentando pelo erro, daí nada acontece — nada de bom.

Já errei muito (muito mesmo) na vida e hoje penso que cada erro me ensinou algo. Claro que nem sempre vi isso no exato momento que errei, por várias vezes chorei, me arrependi e desejei que aquilo nunca tivesse acontecido, mas passado um tempo, o tempo de reflexão e entendimento, que sempre vem, finalmente compreendia a lição.

Alguns erros só foram entendidos anos depois e a grande maioria teve um significado em algum instante ou fase de minha vida. Talvez por isso, hoje eu escreva sobre errar e pretendo escrever muito mais sobre o assunto, porque como nos diz Marcelo Cezar em seu livro ‘Acorde pra vida’: “No estágio da evolução em que nos encontramos, fomos feitos para errar e acertar.” E mais: “Dessa forma, nosso espírito vai se libertando das amarras da insegurança e galgando seguramente degraus mais altos nos meandros da bondade, compreensão e lucidez”. Viva os acertos por meio dos erros.

Existe um provérbio ou um ditado muito comum que ouvi uma vez: “Não somos perfeitos, cometemos erros, isso é totalmente verdade, porque a cada ação leva um indivíduo a um erro. Somos sujeitos de uma certa maneira a um tempo experimental”.

Tempo experimental. Não seria exatamente isso a que se resume a vida, um tempo experimental para nosso crescimento e evolução? Como um grande laboratório, somos levados a realizar coisas, erramos, aprendemos com esses erros, voltamos a realizar coisas e acertamos ou aprendemos. Esse processo pode durar um tempo até chegarmos no acerto, mas com toda certeza aprendemos. E com isso evoluímos, experimentando erros e acertos.

Nosso crescimento depende da qualidade de nossos erros então. Como assim, qualidade de erro? Se errar leva a aprender, concluo que se erramos bem acertamos bem lá na frente também, e se erramos mal, você sabe o resto.

O erro bom seria aquele que não nos causa arrependimento, nem nos paralisa a ponto de não nos permitirmos evoluir, ele traz a evolução logo em seguida que o cometemos ou nos leva a refletir sobre ele, o que nos ensinará algo em alguma fase da vida. O erro mal é o inverso disso, ele não nos permite aprender, colher frutos de alguma forma, ele nos impede de evoluir.

Por exemplo, quando você comete algum mal a alguém e não se arrepende é um erro mal, não é bom e não te trouxe evolução. Agora, quando comete mal a alguém, mas consegue se arrepender e talvez até, na medida do possível, minimizar os danos que causou, você errou e evoluiu, sendo assim, ele se torna um bom erro.

Nosso crescimento depende da qualidade de nossos erros.

Errar é humano, reconhecer seu erro, aprender com ele e usar seu aprendizado para acertar na próxima é evolução (e divino também).

Seria muito bom se pudéssemos acertar sempre e pular a fase, muitas vezes, dolorosa do erro, mas se ele ocorre, porque não fazer disso um caminho para algo maior? Uma experiência ruim jamais deve nos impedir de seguir rumo ao que almejamos. Portanto, erre sim, se for inevitável, mas corra atrás de se entender com esse erro e mostrar a você mesmo que é capaz de ir além dele, e de acertar com seus próprios tropeços.

Eu erro, errei, e com toda certeza errarei mais, mas sei que é por meio da conjugação desse verbo que posso entender como conjugar outros tantos verbos mais… acertar, compreender, evoluir, experimentar, perdoar, amar e, principalmente, viver.

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Sobre o autor

Patricia Carvalho

Patricia Carvalho

Meu nome é Patricia Carvalho (Patty Carvalho) sou formada em psicologia e atuei em clínica durante alguns anos, atualmente não estou exercendo a profissão, porém o ser humano e seu poder de crescimento pessoal, emocional e espiritual ainda me fascinam; crescer e evoluir são coisas que me move.

Uma libriana, mãe de menino, que não vive sem massas (e doces) e que adora filmes e livros.

Ler é uma paixão, já escrever é um "hobbyterapia" que descobri recentemente e espero poder continuar praticando em meu benefício e de quem mais eu possa auxiliar com minhas palavras.

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