Budismo

Ensinamentos budistas que as crianças podem aprender com o filme “Encanto”

Os filmes infantis fazem parte da vida da maioria das pessoas. Enquanto estamos crescendo, eles nos ajudam a entender os sentimentos, a nomeá-los e a lidar melhor com cada um deles, no conforto de nossos lares. Alguns filmes ensinam sobre amizade; outros, sobre luto; e há os que abordam lições de vida valiosas.

Encanto” (2021), o musical da Disney, é um exemplo de animação que tem muito a ensinar aos pequenos. Nele, acompanhamos a família Madrigal, cujos integrantes têm dons que ajudam toda a comunidade. Somente Mirabel, uma das jovens da família, não foi agraciada com uma habilidade especial. E é a partir desse fato que a trama se desenvolve.

No entanto, além de refletir sobre as dinâmicas familiares, sobre autoestima e sobre certos traumas, as crianças também podem aprender alguns ensinamentos budistas, que vão ajudá-las ao longo da vida. Descubra quais são essas lições, a seguir!

Ensinamentos budistas em “Encanto”

1) A natureza do sofrimento

Em “Encanto”, a família Madrigal recebeu um milagre: todos os membros teriam um dom especial. Enquanto isso poderia ser um motivo de intensa alegria, esse presente também traz sofrimento para os integrantes desse grupo.

Luísa, que é superforte, sente-se sobrecarregada. Isabela, que controla a flora e é considerada perfeita, não tem espaço para errar. Bruno, que consegue ver o futuro, foi excluído da família e da comunidade por oferecer previsões negativas.

Menina de cabeça baixa e semblante triste. Ao lado uma mulher aconselhando-a.
Reprodução / Encanto

Ou seja, ainda que os Madrigais sejam poderosos, as vidas deles são repletas de sofrimento, por eles terem a obrigação de honrar os dons que receberam. Nesse ponto, o budismo nos ensina que o sofrimento faz parte da vida, mas que ele pode ser atenuado quando identificamos a origem dele.

2) Abandono dos apegos

No caso da família Madrigal, observamos, também segundo o budismo, o quanto o apego pode ser prejudicial. Como vimos no tópico anterior, o sofrimento está presente para todos os membros da família. Mirabel, especialmente, sente-se excluída e menosprezada por não ter um dom.

A partir disso, identifica-se que a família está apegada aos dons que receberam ou que deixaram de receber. É como se a razão de existência de cada Madrigal fosse servir aos outros, usando a magia que lhes foi oferecida. Toda essa responsabilidade é o que impede que eles vivam de forma autêntica e feliz.

Portanto, seguindo o ensinamento budista, essas pessoas especiais deveriam abandonar o apego aos dons que receberam. Em vez disso, elas deveriam reconhecer as outras qualidades que têm, valorizar a união da família e dialogar. Dessa maneira, elas não se sentiriam presas e limitadas.

3) Paz interior

Os conflitos na família Madrigal, principalmente fomentados pela Abuela, impedem que os membros se sintam bem consigo mesmos. Eles se dedicam a agradar a matriarca, atendendo às expectativas delas, e perdem a própria essência nesse processo.

Uma das personagens que evidencia esse fato é Isabela. Prestes a se casar com alguém que não ama, ela não consegue dizer para qualquer integrante da família que não quer assumir esse compromisso. Pelo contrário, ela decide aceitar o que a Abuela planejou para a vida dela, mesmo que isso custe a própria felicidade.

Menina sorrindo com as mãos no cabelo.
Reprodução / Encanto

Para o budismo, a paz interior só pode ser alcançada a partir de nós mesmos. Isso significa que Isabela e os outros Madrigais jamais se sentiriam bem enquanto estivessem tentando agradar à Abuela, uma vez que estariam condicionando a paz interior a algo externo a eles. Logo, é preciso ser fiel às próprias vontades, para, assim, ser feliz.

4) Reconhecimento do medo

Na família Madrigal, percebemos que os personagens sentem muita dificuldade para falar sobre os medos que sentem, embora eles existam. Luísa tem medo de não ser forte o suficiente, Isabela teme não ser tão perfeita quanto imaginam, Abuela vive tensa por acreditar que, a qualquer momento, a família perderá todos os dons.

Quando as personagens não conseguem ser sinceras sobre o que sentem, o medo se torna um tabu, assim como falar sobre Bruno, o membro excluído da família, tornou-se um tabu. Além disso, quando Mirabel percebe que a casa está se desfazendo e avisa os outros sobre isso, é repreendida.

De acordo com o budismo, nós precisamos reconhecer os nossos medos para trabalhá-los adequadamente. Se reprimirmos o que sentimos, o sofrimento só vai aumentar. Por isso, os Madrigais recuperam a união da família a partir do momento em que começam a dialogar com mais sinceridade e transparência.

5) Exercício da compaixão

A personagem principal de “Encanto”, Mirabel, sofre com o fato de não ter recebido um dom como era criança, como outros membros da família. No entanto, ao longo da trama, percebemos que ela tem um papel fundamental.

É Mirabel quem identifica como os familiares estão se sentindo e que encontra um caminho para salvar os Madrigais. Além de ouvir o que cada um deles tem a dizer sobre si, ela está atenta ao que acontece ao redor dela e demonstra preocupação com cada membro da família.

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Dessa maneira, a personagem incorpora o ensinamento budista que prega o exercício da compaixão. Se a família Madrigal foi salva, é porque Mirabel foi capaz de compreender o que os parentes estavam sentindo e de qual maneira poderia aliviar o sofrimento deles. A partir disso, estabeleceu-se uma família de verdade.

Com base nas informações apresentadas, entendemos que o filme “Encanto” oferece inúmeras lições, inclusive sobre budismo. Acompanhando o desenvolvimento de cada personagem, é possível atualizar nossos conceitos de sofrimento, medo, apego, paz interior e compaixão. Agora é só aplicar cada um deles na sua vida!

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