Autoconhecimento Coaching

Família? A minha é normal, a sua que não é!

Ludmilla Torres
Escrito por Ludmilla Torres

Ando numa fase de observação e estou me divertindo!

Você já parou para pensar como é a sua família do ponto de vista de alguém que não faz parte dela? É muito engraçado, porque a gente acha que a nossa família é super normal e que o problema está sempre nos outros!

Aqui somos em quatro irmãos. O do meio é três anos mais novo que eu e os outros dois, que são gêmeos, têm uma diferença de nove anos em relação a mim. Não preciso dizer o inferno em que vivi… Só tem uma coisa: eu posso falar mal deles, você não!

Minha mãe vivia estressada e andava com chinelo na bolsa. Para o meu pai, o mundo podia acabar e ele nem piscava (isso não mudou até hoje…).

“Minha mãe já tirava o chinelo da bolsa e aos gritos sentava chineladas na gente. Tudo doido? De jeito nenhum. Minha família é normal, a sua que não é!”

Nos passeios de carro, se alguém encostasse a perna suada no outro, o quebra-pau começava. Meu pai dirigia como se nada estivesse acontecendo, mas minha mãe já tirava o chinelo da bolsa e aos gritos sentava chineladas na gente. Tudo doido? De jeito nenhum. Minha família é normal, a sua que não é!

E você, que trabalhou e estudou a semana toda e planejou dormir até tarde no fim de semana, conseguia? Claro que não. Seus irmãos decidiam jogar futebol no corredor dos quartos porque é muito mais legal do que jogar no quintal. Jogando no corredor, a bola bate com tudo na porta do quarto e assim é muito mais divertido. E esse era o meu despertador. O som da bola estatelando na porta aos gritos de “Gooooool!”.

Isso não é para os fracos. Eu levantava aos gritos e botava todos para correr. Mas logo estavam de volta, porque é muito mais legal jogar no corredor dos quartos do que no quintal. Mas a minha família é normal, a sua que não é!

Minha mãe colocava pimenta na nossa boca quando a gente falava palavrão. Isso eu aprendi rapidinho. E quando meus irmãos, sem querer, soltavam um palavrão… Ah! Era a minha vez, pimenta neles! Mas somos todos normais.

“Minha mãe colocava pimenta na nossa boca quando a gente falava palavrão. E quando meus irmãos, sem querer, soltavam um palavrão… Ah! Era a minha vez, pimenta neles! Mas somos todos normais.”

Uma vez eu e meu irmão do meio fizemos uma malcriação e meu pai avisou: “Quando chegar em casa, cada um vai levar três chineladas.”

O meu irmão foi o primeiro. Antes da minha vez, corri para o quarto e coloquei um travesseiro debaixo do meu vestido e fui até o meu pai. E como combinado, levei as três chineladas. Tudo certo! O meu irmão chorando, eu dando risada e ninguém entendendo nada, só eu. Até mostrei para ele a almofada! Rimos todos juntos e voltei a levar as três chineladas, dessa vez de verdade, mas meu pai, divertido pelo ocorrido, não me castigou com o mesmo afinco que chinelou meu irmão anteriormente. Mas a minha família é normal, a sua que não é.

Todos tínhamos nossos deveres. Eu era a responsável por lavar a louça e meu irmão do meio por enxugar e guardar. Quantas vezes eu, assim que todos terminavam de jantar, corria para lavar a louça, mas ele ia para a sala, tranquilo, assistir TV e esperar a louça escorrer sozinha para só precisar guardar… Isso me deixava enfurecida! Tanto é que, algumas vezes, perto do horário em que ele costumava ir fazer a tarefa fácil, eu corria escondida e jogava água em cima da louça no escorredor! Isso dava uma esquentada na chapa em casa que vocês nem imaginam!

Uma vez, meus irmãos gêmeos resolveram escalar a estante da sala e derrubaram a televisão no chão. Minha mãe quase enfartou. Outra vez, morávamos no 17º andar e a secretária do lar que trabalhava em casa esqueceu a sacada aberta. Naquele tempo, nem existia tela. Minha mãe tinha descido para pegar uma carta na portaria e, quando olhou para cima, viu meu irmão pendurado na sacada, enquanto eu dançava ao som e ‘Balão Mágico’ na sala. Dessa vez, ela quase enfartou mesmo. Mas a minha família é normal, a sua que não é!

Little girl and her mother in kitchen giving high five. Mother and daughter in kitchen cooking.

Em uma outra situação, meu irmão do meio e um dos gêmeos saíram aos tapas quando meus pais não estavam. Como o do meio era maior, prendeu o menor com as pernas e lhe sentou uns bofetes na cara, deixando-o todo vermelho. Minha mãe chegou e encontrou o menor aos prantos. Quando ele foi contar o que aconteceu, o maior tomou a frente e disse que ele, brincando, arrastou o rosto no carpete. Ela acreditou! Imaginem quem levou umas chineladas? Isso sem falar nas brigas e mais brigas entre eles, que viravam apostas e terminavam em mais brigas…

E não é bem assim? A gente sempre vai achar que os outros não batem bem e que nós somos normais, super normais! Quando começam aquelas discussões calorosas, sempre vai ter o teimoso, o apaziguador, o ‘em cima do muro’, o tirador de sarro e isso não muda. Eu sempre olho para o meu marido e canto baixinho: “Família, família, papai, mamãe, titia”… Grandes Titãs!

E hoje, quando nos encontramos, todos praticamente casados, cada um com suas manias, me sinto praticamente naquele numa cena de ‘A grande família.

Sentamos na mesa, aquela falação, conversa cortada, risadas, discussões e uma certeza:

“Esta família é muito unida

E também muito ouriçada

Brigam por qualquer razão,

Mas acabam pedindo perdão”

Mas a minha família é normal, a sua que não é!

Sobre o autor

Ludmilla Torres

Ludmilla Torres

Positive & Business Coaching

Sócia/Diretora na empresa Harmonia Consultoria e Assessoria em Pessoas, com especialização em Positive Coaching e Business Coaching, por meio de metodologias cientificamente validadas pela Sociedade Brasileira de Coaching.

Engenheira Química formada pela Faculdades Oswaldo Cruz, atuou em empresas no ramo de plásticos na área laboratorial, como gerente no segmento de alta renda no setor financeiro, foi sócia proprietária de uma loja de acessórios femininos e sócia proprietária da Empresa Harmonia Consultoria e Assessoria em Pessoas Ltda. Certificada em Personal & Professional Coaching, Positive Coaching e Business Coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching.

Certificada pelo ThetaHealing Institute of Knowledge que é uma técnica que ensina a identificar e mudar crenças, sentimentos e padrões bloqueadores, criando imediatamente uma nova realidade para a vida. Conhecimentos que geram resultados maximizados em comportamentos, para uma atuação eficaz com Business, Positive e Executive Coaching.

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