Convivendo Saúde Mental

Jornalistas correm mais riscos de doenças como AVC e fadiga devido ao estresse

Um jornalista com uma camisa bordô sorrindo ouve um homem.
VadimGuzhva / 123RF
Fabiano de Abreu
Escrito por Fabiano de Abreu

Há uma sobrecarga muito grande, atender a alta demanda, estar a par dos acontecimentos, conseguir o furo da notícia, conseguir entregar resultados em que a cobrança está não só na audiência, mas também nas conclusões. Eu digo que no jornalismo é bem parecido com bolsa de valores na dinâmica, a diferença é que não há tantos gritos.

Há dois fatores cruciais neste momento; um deles é a ansiedade muito alta de um jornalista: quanto maior for o jornal, maior a demanda e a ansiedade. O jornalista usa a ansiedade para um melhor desempenho, até porque no jornalismo tem que ter criatividade e a ansiedade ajuda no processo criativo. Mas o problema é que, com a pandemia, não só a demanda aumentou, como também a atmosfera não é favorável.

O segundo é a pandemia. Não podemos ser negacionistas a uma realidade nesta pandemia, independentemente do que acredita ou não, qualquer doença mortal, qualquer alteração de rotina em nossas vidas, temos alterações em nossos mensageiros químicos no cérebro que controlam nossa vida. É simples de explicar. Vou descrever o ciclo.

Recorte de uma mulher sentada na cama com o notebook no colo e com uma xícara de café ao lado.
TatianaSyrikova / Pexels

Cada meta conquistada, seja um like no Instagram, uma notícia com audiência, um furo de reportagem, uma promoção, qualquer conquista, libera-se dopamina, hormônio da recompensa. A dopamina é viciante, queremos sempre liberar mais, faz parte do instinto, se não existisse não teríamos vontade de conquistar, o problema é que a usamos de maneira diferente do processo evolutivo. É aí que entra a ansiedade, sem ela, não teríamos a pulsão para buscar a conquista.

Agora vamos a mais ansiedade; doenças, risco de vida, receio econômico, tudo isso faz ativar outro instinto de sobrevivência, no sistema límbico das emoções, a amígdala cerebral onde estão armazenadas memórias negativas como traumas, medos, etc. Isso é necessário ou não teríamos a imagem necessária para saber se aquilo é perigoso ou não. O problema é que nosso cérebro não distingue o ataque do leão do medo de perder o emprego. Na verdade, apenas varia a potência do problema. Como funciona o processo:

Mulher irritada com as mãos na cabeça olhando para o notebook.
Yan / Pexels

A pandemia eleva a ansiedade, que ativa nosso modo sobrevivência buscando memórias da amígdala levando-as ao lobo pré-frontal da consciência. Quando não resolvemos, até porque não podemos matar o vírus e nem resolver a economia ou nos tranquilizar no emprego, esta ansiedade não vai cessar, já que a pendência ainda existe, trazendo mais ansiedade, elevando a sua potência e levando ao estresse.

Com a ansiedade elevada, assim como o estresse, alteram-se níveis de cortisol, hormônio que controla a nossa imunidade e que é ativado pelo estresse e/ou ansiedade com a função de eliminá-los. Sua função é ajudar a reduzir a inflamação do corpo. Mas, quando constante, torna-se resistente ao próprio cortisol, comprometendo o sistema imunitário e tornando-o menos eficaz contra agentes externos, podendo causar fadiga e doenças devido à baixa imunidade. Ele age no controle dos leucócitos (glóbulos brancos), células do sistema imunológico e com a ansiedade constante e o estresse há um aumento na sua produção. Os glóbulos brancos quando produzidos em excesso podem se acumular nas paredes das artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo e favorecendo a formação de coágulos, elevando o risco de doenças cardiovasculares, entre elas o AVC.

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Sobre o autor

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, psicanalista, neuropsicanalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e especialista em neurociência cognitiva e comportamental, neuroplasticidade, psicopedagogia e psicologia positiva.

Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional.

Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo, criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil.

Lançou os livros “Viver Pode Não Ser Tão Ruim”, “Como Se Tornar Uma Celebridade”, “7 Pecados Capitais Que a Filosofia Explica” no Brasil, Angola, Paraguai e Portugal. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo, Fabiano foi constatado com o QI percentil 99, sendo considerado um dos maiores do mundo.

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