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Ansiedade infantil: o que é, quais os sintomas e como tratar?

Menina estudando com expressão triste, uma mão na cabeça e a outra no peito
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Escrito por Eu Sem Fronteiras

Quando pensamos na nossa infância, é provável que muitas memórias felizes venham à mente. Apesar de ser uma fase de muita liberdade, o medo do que ainda não entendemos e a angústia em lidar com situações inusitadas fazem parte do dia a dia do nosso crescimento.

O problema é quando esse tipo de preocupação se torna exagerado. Se a criança percebe o mundo como um lugar ameaçador de forma despropocional à realidade e, ainda, se esse sentimento persiste por muito tempo, ela pode estar sofrendo com a ansiedade infantil.

De acordo com uma pesquisa realizada em 2018 pelo professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, Fernando Asbahr, cerca de 10% dos pequenos têm algum tipo de ansiedade. Na pandemia, esse número aumentou ainda mais, segundo dados de julho de 2021 coletados pela mesma instituição. É o transtorno mais comum nessa faixa etárea, depois apenas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e questões de conduta.

De forma geral, a ansiedade infantil pode deixar as crianças agressivas e com baixa autoestima, apresentando problemas para se relacionar com os coleguinhas e para aceitar críticas ou reprovações. Você saberia reconhecê-la? Continue lendo para descobrir!

O que é a ansiedade em crianças?

A ansiedade infantil geralmente acontece após algum evento marcante, como a separação dos pais, a mudança de casa ou escola, a morte de um parente querido, dentre outros.

As classificações mais comuns são a ansiedade de separação, a ansiedade generalizada e as fobias específicas, como o medo de animais ou de ir ao dentista. Há, ainda, a fobia social e o transtorno de pânico.

Menino sentado em um sofá com as mãos na cabeça e expressão triste no rosto
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Diferentemente dos adultos, as crianças acreditam fielmente nos seus maiores medos e, por isso, não sabem lidar muito bem quando algo os assusta. Nessa hora, os pais não devem colocar a culpa na criança, mas acolhê-la, independentemente do que esteja causando esse sentimento.

Em caso de situações traumáticas, a criança precisa de um tempo para se adaptar, mas se isso não acontecer, é preciso ficar de olho nos sintomas. Veja quais são os principais.

Sintomas de ansiedade infantil

Alguns dos sinais apresentados pelos pequenos, que ainda não sabem muito bem como expressar seus sentimentos, estão relacionados a:

  • Queda no rendimento escolar;
  • Desinteresse por coisas de que gostava;
  • Isolamento dos amigos;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldades para dormir sozinho(a);
  • Voltar a fazer xixi na cama;
  • Ter muitos pesadelos;
  • Comer de forma excessiva ou recusar a comida;
  • Dores de cabeça e tonturas;
  • Dentre outros.

Esses sintomas podem aparecer de forma esporádica ou se prolongar por um longo período, com maior ou menor intensidade. Se essa situação passar de uma semana, o melhor a fazer é buscar ajuda. Saiba como abaixo.

Como tratar a ansiedade infantil?

O primeiro tratamento que vem a nossa mente quando pensamos em transtornos psicológicos é aquele que envolve a prescrição de medicamentos e terapia. Esses dois métodos realmente funcionam, mas não são os únicos.

Se você perceber que a criança está passando por uma fase complicada, busque um psicólogo de confiança para o diagnóstico correto e ouça as recomendações do profissional sobre quais são os próximos passos.

Terapia: clássica e eficaz

Menina sentada e sorrindo durante terapia infantil
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Começando por quem opta pela boa e velha terapia, é importante lembrar que existem várias linhas de tratamento dentro da psicologia, algumas delas aplicadas por profissionais especializados na mente infantil.

Crianças que sofrem de ansiedade geralmente são encaminhadas para a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Essa técnica tenta oferecer, utilizando a linguagem de cada paciente, novas formas de lidar com percepções e pensamentos. Isso melhora a autoestima e dá mais autonomia ao pequeno na identificação dos próprios sentimentos.

Além da TCC, psicoterapias dinâmicas, isto é, aquelas que trabalham o nconsciente para aliviar o nervosismo, também têm sido utilizadas e demonstraram ótimos resultados.

Já o uso de medicação é restrito apenas aos quadros mais graves, sendo uma segunda opção caso não haja resposta do paciente. Em geral, são receitados antidepressivos inibidores da captação da serotonina por aproximadamente seis meses ou um ano.

Homeopatia para trazer equilíbrio

Muitos pais, porém, preferem soluções homeopáticas para ajudar as crianças de uma maneira mais suave. A homeopatia pediátrica é especialista em tratar dos desequilíbrios do corpo, da mente e das emoções.

Quando não há essa estabilidade, a criança pode sofrer com várias doenças e transtornos, como é o caso da ansiedade infantil. Florais puros ou diluídos em sucos ou vitaminas costumam amenizar a sensação, promovendo energia vital para que o pequeno possa se concentrar e ter mais tranquilidade.

Para as crianças menores, ainda em idade de amamentação, alterações na alimentação do bebê e da mãe podem ser benéficas, já que o que a genitora come pode influenciar no comportamento do pequeno. Chás calmantes, por exemplo, são grandes aliados da família.

No entanto, além de levar a criança ao homeopata, é importante não esquecer do pediatra. Juntos, os especialistas são capazes de proporcionar qualidade de vida por toda a infância.

E as terapias integrativas? Já ouviu falar?

Menino deitado enquanto recebe uma massagem de terapeuta
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Outra opção são as terapias integrativas, ou seja, aquelas que complementam um tratamento tradicional, buscando equilíbrio energético completo.

Ainda que elas não sejam reconhecidas pela comunidade médica, algumas pesquisas comprovam seus benefícios. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece 29 dessas práticas, incluindo musicoterapia, quiropraxia e acupuntura.

No combate à ansiedade infantil, uma das mais utilizadas é a terapia Mindfulness (atenção plena), voltada para o exercício intencional da atenção no que diz respeito aos próprios sentimentos. A meditação, uma das alternativas oferecidas pelo SUS, também é bastante recomendada.

Antes de tomar uma decisão, converse com o psicólogo e veja a melhor maneira de unir forças no tratamento do pequeno. Nessa fase, cada escolha pode fazer a diferença no futuro da criança. Por isso, os pais são essenciais em todo o trajeto. Mas você realmente sabe como ajudar?

O papel dos pais no tratamento da ansiedade em crianças

Assim como a alimentação da mãe pode ter impactos no bem-estar do bebê, o comportamento dos pais pode ter reflexos na saúde mental da criança – não só na infância, como no resto da vida. Pais ansiosos tendem a se sentir mais vulneráveis com os filhos, o que dificulta o desenvolvimento de uma relação de confiança e segurança.

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Por isso, é fundamental que toda a família esteja envolvida na terapia ou no tratamento escolhido, especialmente se a ansiedade da criança tiver a ver com um divórcio ou mudança de casa.

A sensação de acolhimento e carinho ajudam a tranquilizá-la, bem como conversas francas e compreensivas com os pais.

No dia a dia, essas são algumas das posturas adotadas pelos adultos que contribuem e muito para o desenvolvimento psicológico dos pequenos:

  1. Estimular técnicas de relaxamento e respiração;
  2. Não se irritar com as queixas da criança;
  3. Apresentar situações diferentes das quais ela está acostumada através de passeios ou visitas a parentes e amigos;
  4. Conversar sobre os medos que ela relata;
  5. Não menosprezar o que ela sente;
  6. Praticar atividades que relaxem, principalmente aquelas que não incluam a tecnologia;
  7. Explicar que as coisas não ficam prontas de repente e que sempre há um processo por trás;
  8. Perguntar o que ela sente quando exposta a situações de ansiedade.

Agora que você já sabe o que é a ansiedade infantil, quais os sintomas e como tratar, pare e pense: será que a sua criança não está tentando te pedir ajuda? Será que aquele comportamento “estranho” que você observou outro dia não foi causado pelo medo? Esteja sempre aberto aos sentimentos dos pequenos e, se necessário, não hesite em procurar ajuda profissional.

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