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Limites, castigos e autoridade

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Leila de Sousa Aranha
Juntos, nós conseguiremos definir limites e até planejar castigos, quem sabe.

Muitas vezes, os filhos de um modo geral, mas os adolescentes em particular, se queixam dos castigos, que são sempre os mesmos e, lógico, injustos, segundo eles. Eu vi que se eles participam dos castigos, ficam mais colaborativos e compreendem melhor o que precisa ser mudado. É claro que a palavra final é dos pais, mas a participação dos filhos nesse quesito pode evitar que, por exemplo, mintam sobre assuntos que poderiam ser resolvidos de maneira mais tranquila.

Alguns adolescentes dizem: “Puxa vida! Eu sempre recebo o mesmo castigo. Minha mãe podia variar”, “E de que castigo você gostaria?”, perguntei. “Ah, eu devia, por exemplo, ser obrigada a fazer o dever de casa. Saiu no relatório do colégio que eu fiquei devendo sete deveres de casa. Então, que eu faça tudo no final de semana… Mas não, meu pai cisma de tirar minha internet!”, adolescente sem internet não está de castigo, está morto… E nada colaborativo, pode acreditar.

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Então, como os pais podem exercer esse “pensar” com os filhos? Porque, no fundo os pais estão revoltados com a desobediência desses filhos, não estão com muita vontade de perguntar o que eles querem nesse momento de chateação dos adultos. Entretanto, a finalidade primeira do castigo é corrigir um comportamento inadequado. A esperança é que, após a correção, exista uma mudança.

Ao perguntar ao filho qual castigo ele merece, os pais abrem um diálogo inusitado e muito produtivo, porque, ao participar do castigo, ele pode sentir que sua opinião está sendo respeitada nesse limite imposto e, provavelmente, vai colaborar melhor das próximas vezes. Isso porque você o tratou como alguém mais maduro, que é capaz de reconhecer os próprios erros, e mudá-los. 

Dessa forma, os pais estão ajudando, de verdade, os filhos a crescerem. Mesmo que eles digam: “Não mereço castigo!”, dependendo da situação, essa opção não existe. E tem que ser dita se for o caso. Como acredito e sei por experiência também, pais NÃO SÃO amigos dos filhos, são pais. Há momentos em que, realmente, é preciso uma firmeza maior, convicção nas atitudes, na hora de tomar uma decisão e manter essa decisão. Os pais devem mostrar o amor, mas também mostrar que está ali percebendo tudo, que precisa ver o resultado do que está sendo dado, que a vida é uma balança entre o dar e o receber, e essa balança precisa estar em equilíbrio.

Não é obrigação dos pais apenas se doar. Os pais também precisam ver resultados, os pais também merecem ser reconhecidos naquilo que eles estão fazendo pelos filhos. E isso ajuda que o filho aprenda a ser grato desde cedo.

São lições importantes para serem vividas. Quando essas barreiras na comunicação são superadas, ambos conseguem se comunicar com mais tranquilidade, conseguem dialogar com confiança e amor. Então, o equilíbrio começa a acontecer e é muito bom para todos. 

Leila de Sousa Aranha

Psicóloga Clínica, Mestre em Psicopatologia e Saúde

Sobre o autor

Leila de Sousa Aranha

Leila de Sousa Aranha

Sou psicóloga clínica, formada em Jornalismo e com Mestrado em Psicopatologia e Saúde, com o tema de pesquisa sobre o Perdão Interpessoal.
Atendo pessoas de todas as idades em consultório particular há 15 anos e gosto muito do ser humano, de acompanhar o seu desenvolvimento e auxiliar a melhor lidar com as situações de sua etapa de vida.

Sou divorciada e mãe de duas mulheres de 31 e 27 anos. Gosto de arte marcial e treino Aikido. Sou vegetariana, aprecio a natureza e os animais e gosto de encontrar meus amigos com frequência.

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