Doutrina Espírita Espiritualidade

Meio Ambiente e Conduta Espírita

Antônio Navarro
Escrito por Antônio Navarro
A sustentabilidade ambiental efetivou-se a partir da década de 1970. Entidades como o Greenpeace (1971), surgiram no cenário mundial visando a preservação planetária e a sobrevivência dos seres vivos. Nessa década, surgiu a Hipótese Gaia, que produziu forte impacto no cenário mundial.

A hipótese Gaia foi elaborada pelo cientista inglês James Lovelock no ano de 1979, e fortalecida pelos estudos da bióloga norte-americana Lynn Margulis.

Segundo a hipótese, o planeta Terra é um imenso organismo vivo, capaz de obter energia para o seu funcionamento, regular seu clima e temperatura, eliminar seus detritos e combater suas próprias doenças, ou seja, assim como os outros seres vivos, um organismo capaz de se autorregular.

A hipótese Gaia sugere também que os seres vivos são capazes de modificar o ambiente em que vivem. (1)

A partir da Eco 92 surge a Agenda 21 Global, sendo definida como um instrumento de planejamento para a construção de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.

A Agenda 21 Brasileira decorre das diretrizes da Agenda 21 Global, e foi entregue à sociedade em 2002. (2)

Naturalmente, a atenção do Homem tem sido chamada para a questão de suas relações com o meio ambiente do planeta em que habita, e isso também é objeto de estudo da Doutrina Espírita.

Diz a Espiritualidade Superior:

“O instinto de conservação é uma lei natural, e foi dado a todos os seres vivos, seja qual for o grau de inteligência. Para uns, é puramente mecânico, para outros, é racional, porque todos devem cumprir os desígnios da Providência. Além disso, a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres que têm instintivamente esse sentimento, sem se darem conta disso.

Deus, dando ao homem a necessidade de viver, sempre lhe forneceu os meios para isso, e se não os encontra, é por falta de iniciativa. Deus não poderia dar ao homem a necessidade de viver sem lhe dar os meios, por isso faz a terra produzir e fornecer o necessário a todos, porque só o necessário é útil.

O uso dos bens da terra é um direito para todos os homens, e esse direito é a consequência da necessidade de viver. Deus não pode impor um dever sem dar o meio de satisfazê-lo”. (3)

Visando o relacionamento saudável com o meio ambiente, o Benfeitor Espiritual André Luiz, em 1960, ditou a página Perante a Natureza (4), baseando-se na frase de Paulo de Tarso, “Pois somos cooperadores de Deus” (5):

“Proteger, o quanto possível, todos os seres e todas as coisas.

Preservar a pureza das fontes e a fertilidade do solo.

Ampliar pomares, tanto quanto auxiliar a arborização e o reflorestamento.

Prevenir-se contra a destruição e o esbanjamento das riquezas da terra em explorações abusivas.

Utilizar o tesouro das plantas e das flores na ornamentação de ordem geral.

Não reter improdutivamente qualquer extensão de terra sem cultivo ou sem aplicação para fins elevados.

Aplicar as forças naturais como auxiliares terapêuticos na cura das variadas doenças, principalmente o magnetismo puro do campo e das praias, o ar livre e as águas medicinais.

Furtar-se de mercadejar criminosamente com os recursos da Natureza encontrados nas faixas de terra pelas quais se responsabilize”.

Quanto aos desastres naturais, os Benfeitores Espirituais informam que a destruição é uma lei natural, porque é preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. O que chamais destruição é apenas transformação que tem por objetivo a renovação e o melhoramento dos seres vivos, e se a destruição é necessária para a regeneração dos seres, a natureza os cerca com meios de preservação e de conservação para que a destruição não ocorra antes do tempo preciso. Toda destruição antecipada dificulta o desenvolvimento do princípio inteligente, é por isso que Deus deu a cada ser a necessidade de viver e de se reproduzir. (6)

Raças incontáveis já desapareceram e outras estão em vias do mesmo fim, e com a nossa atual raça não será diferente, como afirma a Espiritualidade Superior, quando questionada:

“Há, presentemente, raças humanas que diminuem, chegará um momento em que desaparecerão da face da Terra?

– É verdade, mas outras tomaram seu lugar, como outras tomarão o da vossa um dia”. (7)

É nossa obrigação espiritual cuidarmos de nossa casa planetária e dos seres que aqui habitam, desenvolvendo a inteligência e senso moral, colocando-nos, no entanto, nas mãos da Divina Providência que, em sua perfeição, cuida de tudo e de todos, sem macular a perfeita Justiça e máxima Bondade.

Pensemos nisso!


Referências:

(1) http://brasilescola.uol.com.br/biologia/hipotese-gaia.htm, acesso em 25 de dezembro de 2017;

(2) http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21, acesso em 25 de dezembro de 2017;

(3) O Livro dos Espíritos, itens 702 a 711;

(4) Conduta Espírita, Francisco C. Xavier/André Luiz, cap. 32;

(5) 1ª epístola aos coríntios, capítulo 3, versículo 9;

(6) O Livro dos Espíritos, itens 728 e 729;

(7) O Livro dos Espíritos, item 688.

Sobre o autor

Antônio Navarro

Antônio Navarro

Orador espírita e Membro da Diretoria do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto - SP.

Articulista espírita dos seguintes meios de comunicação:

agendaespiritabrasil.com.br
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kardecriopreto.com.br

Jornal eletrônico A Caminho da Luz – Botucatu-SP
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