Saúde da Mulher

Mitos e verdades sobre a mamografia

Imagem de fundo rosa e sobre ele um sutiã branco de renda e ao lado um estetoscópio.
Mohd Hafiez Mohd Razali / 123RF
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Apesar do número alarmante de casos de câncer de mama no mundo todo, muitas mulheres ainda resistem em realizar a mamografia. Informações desagregadoras que abordam o assunto apontando riscos de radiação e postergação caso não seja detectado nódulo no autoexame contribuem para impedir a detecção precoce e o tratamento ainda em fase inicial de um dos tipos de câncer com alta taxa de letalidade no mundo.

É previsto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um aumento de 46% nos casos de câncer de mama nas Américas até o ano de 2030, dos quais 57% serão incidentes em mulheres com idade inferior a 65 anos na América Latina e no Caribe.

Conheça os mitos e as verdades sobre a mamografia, exame essencial para o combate ao câncer de mama, foco da campanha do Outubro Rosa e com o melhor custo-benefício para o diagnóstico e o tratamento na fase inicial da doença, menos agressivo e mutilador.

Mitos e verdades mais frequentes sobre a mamografia

As temeridades que levam as mulheres a não realizar a mamografia acabam ocasionando o distanciamento delas das consultas periódicas ao ginecologista e evitam que outros exames preventivos sejam realizados.

Com exceção do ano de 2020, devido à pandemia do coronavírus, a realização da mamografia no país ainda não atingiu os índices recomendados pela Organização Mundial da Saúde, por vários motivos, sendo um deles os mitos que envolvem o exame.

A mentalidade precisa mudar e focar no fato de que esse é o único exame que detecta precocemente o câncer de mama, potencialmente letal.

Imagem de uma paciente de cabelos longos ao lado da máquina de raio x. Ela está pronta para realizar o exame de mamografia.
Tyler Olson / 123RF

Conheça informações úteis:

Há risco elevado de exposição à radiação na mamografia — Mito. A mamografia é um exame de imagem com aplicação de um feixe de raio X de baixa energia realizado no equipamento chamado mamógrafo. O risco de exposição é mínimo e o benefício, elevado. Cada mama da mulher é comprimida entre duas placas de acrílico, o que permite a visualização interna detalhada das estruturas da mama.

O exame de mamografia causa dor — Verdade. Porém depende da tolerância à dor de cada um. Algumas mulheres não sentem dor alguma. Pode haver desconforto e dor plenamente suportável causada pela compressão das mamas. Realizar a mamografia fora dos dias que antecedem a menstruação e comunicar ao técnico em mamografia qualquer desconforto também minimizam uma possível dor. Outra possibilidade é realizar a mamografia digital, que permite mais conforto.

Se nada foi percebido no autoexame não é necessário realizar a mamografia — Mito. Mesmo que no autoexame a mulher não tenha notado nódulo e não tenha alterações no aspecto físico das mamas, ela deve realizar a mamografia, pois o exame detecta nódulos de um milímetro até três anos antes que se possa senti-los. Quando detectado no início, a probabilidade de cura do câncer de mama é de 95%.

É possível fazer a mamografia menstruada — Verdade. Não há problema algum em realizar o exame de mamografia menstruada, mas é recomendável evitar a semana que a antecede, pois as mamas estarão inchadas e suscetíveis à dor.

O exame de mamografia é caro — Mito. A mamografia é um exame oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), sendo gratuito para qualquer mulher que queira realizá-lo. Na rede privada, ele tem valor acessível, sendo obrigatoriamente coberto por todos os planos de saúde.

O Programa Mulheres do Peito, do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, oferece o exame gratuito de mamografia sem a necessidade de pedido médico, em Unidades Móveis (carretas) ou por agendamento via telefone: 0800 779-0000.

Mesmo amamentando, é recomendável fazer a mamografia — Verdade. Nada relacionado ao aleitamento materno é impeditivo para a realização da mamografia, seja para a mãe ou para a criança. Não há restrições para a amamentação após o exame. O aleitamento materno continua saudável para mãe e filho.

A mulher jovem não precisa realizar mamografia — Mito. A indicação sobre quando realizar a mamografia é sempre do médico ginecologista ou do mastologista. Mulheres a partir dos 30 anos que tenham parentes próximos com casos de câncer de mama antes dos 50 anos, com histórico de câncer bilateral de mama, de câncer masculino de mama ou de câncer de ovário devem realizar a mamografia. É importante considerar que 85% das mulheres que tiveram câncer de mama não tinham antecedentes familiares, o que reforça a importância de fazer periodicamente a mamografia.

Imagem de uma paciente deitada sobre uma maca. Ela está sendo examinada pela sua médica e está fazendo uma mamografia.
Serhii Bobyk / 123RF

A Sociedade Brasileira de Mastologia, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem recomendam que as mulheres a partir dos 40 anos realizem a mamografia anual, com o objetivo de diagnosticar precocemente o câncer de mama e tratá-lo quando ainda está em fase inicial, potencializando a eficácia e reduzindo a probabilidade de mortalidade.

O Ministério da Saúde recomenda que as mulheres realizem a mamografia a partir dos 50 anos, considerando que a maior incidência da doença está na faixa entre 50 e 69 anos. A partir dos 70 anos, a solicitação do exame será sempre feita pelo médico, que avalia também com que frequência ele deverá ser realizado.

A mamografia não é eficaz quando as mamas são densas — Verdade. Quando as mamas são densas, a mamografia pode não ser tão eficaz para detectar nódulos ou lesões cancerosas. Quando a imagem não está suficientemente clara, porém, o médico poderá solicitar outro tipo de exame de imagem, como a ultrassonografia ou a ressonância magnética. Também é possível realizar a mamografia com tomossíntese, que utiliza uma dose maior de radiação que a mamografia convencional, mas ainda inofensiva.

Mamografia com tomossíntese é mais dolorida do que a comum — Mito. A mamografia com tomossíntese é feita da mesma forma que a convencional, com a diferença de que é aplicada uma compressão menor, porque há mais energia no feixe de raio X, trazendo menos desconforto.

Na mamografia com tomossíntese há maior risco de radiação — Mito. A dose de radiação do método de tomossíntese na mamografia não excede os níveis de segurança à saúde.

Mulheres com mama densa sempre precisam de exames complementares — Mito. Os exames complementares são sempre solicitados pelo médico, se ele julgar que a densidade da mama está atrapalhando a avaliação do resultado.

Mamas maiores doem mais ao fazer o exame — Mito. Tudo depende da tolerância à dor de cada mulher, não sendo relacionada ao volume das mamas.

O tempo de realização do exame é longo — Mito. A mamografia dura, em média, 30 minutos. Toda mulher deve priorizar a própria saúde, por mais que a rotina consuma grande parte do tempo e seja estressante.

Imagem do equipamento de fazer mamografia e ao lado dele o médico examinando o resultado da paciente.
Juan Ruiz Páramo / 123RF

As mulheres com prótese de silicone não podem fazer mamografia — Mito. Não há riscos para o silicone nem para a saúde da mulher que faz mamografia tendo prótese mamária. O exame não fica prejudicado pelo silicone.

A mamografia é menos eficaz quando se tem prótese de silicone — Verdade. Contudo um outro exame de imagem poderá ser solicitado para complementar o diagnóstico, se o médico considerar necessário. Ter prótese mamária não é impeditivo para realizar a mamografia.

Se a mulher tem uma vida saudável, ela não precisa fazer mamografia — Mito. A mulher reduz as chances de ter câncer quando tem uma vida saudável. No combate ao câncer de mama, além de manter uma dieta equilibrada, realizar exercícios físicos, não fumar, evitar a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e realizar o autoexame são ações fundamentais ao realizar a mamografia, que faz parte das ações de prevenção à doença e de manutenção da saúde integral feminina.

Para realizar a mamografia é essencial usar um protetor de tireoide contra a radiação — Mito. A mamografia não prejudica a tireoide e não é necessário usar o protetor para a glândula, conforme esclarece o Colégio Brasileiro de Radiologia.

Homens também devem fazer mamografia — Verdade. Entretanto não é um exame de rotina para o homem, devendo ser solicitado pelo médico, quando é relatada alguma queixa, como um nódulo. O câncer de mama, mesmo sendo mais raro, pode acometer homens.

A mulher de mamas pequenas não pode fazer mamografia — Mito. Todas as mulheres devem realizar a mamografia, que não é exclusiva a um determinado tamanho de mamas.

A mamografia é mais dolorosa para mulheres com mamas pequenas — Mito. O desconforto com a compressão das mamas não se relaciona ao tamanho, mas à sensibilidade individual de cada mulher.

Mulheres que fizeram cirurgia de extração de uma mama (mastectomia) não precisam fazer mamografia — Mito. As mulheres mastectomizadas não precisam realizar mamografia se as duas mamas foram extraídas. Contudo, caso tenha sido extraída uma das mamas, a mamografia deverá ser realizada (mamografia unilateral). Caso a cirurgia tenha sido conservadora e não tenha extraído a mama na totalidade, a mamografia poderá ser feita após um período de seis a doze meses após a cirurgia ou sob indicação médica, desde que concluída a radioterapia.

Imagem de uma mulher de costas com um tecido azul sobre um dos seus ombros. Ela está pronta para realizar a mamografia.
Tyler Olson / 123RF

Mulher com marca-passo não pode fazer mamografia — Mito. Exames como mamografia, tomografia computadorizada, raio X, ecocardiograma e ultrassonografia podem ser realizados pela portadora de marca-passo sem qualquer prejuízo ao aparelho ou interferência no resultado do exame.

A mamografia pode apresentar um resultado falso-positivo — Verdade. Uma justaposição de estruturas da mama ou outra doença podem ser interpretadas como um possível tumor. Pode haver problemas com o equipamento e também a interpretação equivocada por parte do médico que analisa o exame, sendo esse último mais raro, pois tanto ele quanto a equipe que utiliza o equipamento recebem treinamento e aperfeiçoamento constantes sobre como utilizar o mamógrafo e avaliar as imagens. Porém nenhum tratamento é iniciado sem a confirmação do diagnóstico, feita com outro exame de imagem ou biópsia.

No combate ao câncer de mama, a informação é o primeiro instrumento para a mobilização da sociedade. A prevenção é a forma menos sofrida, mais segura, mais eficaz e mais econômica para evitar a doença.

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Consultas periódicas regulares ao ginecologista são essenciais para a realização de exames preventivos a muitas doenças. A mamografia, por exemplo, permite detectar o câncer de mama na fase inicial e aumenta as chances de cura. Nelas também é possível esclarecer dúvidas e obter informações assertivas com o médico.

As consultas regulares ao ginecologista são tão importantes que elas não só se destinam a diagnosticar e promover o tratamento de doenças da mulher, como também salvam vidas. Pense sobre isso! Cuide da saúde da mulher que você ama e da sua própria saúde. Opte sempre pela prevenção às doenças e viva mais feliz.

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