Convivendo

Não há pecado no amor – Dia Mundial Contra a Homofobia

Mulher ao lado de uma parede que está refletindo as cores do arco íris
Isis Perante/Unsplash
Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos

Quem me conhece sabe que eu nunca fui um ardente defensor de “dia disso” e “dia daquilo”. Isso porque penso que essas datas, em sua maioria, servem apenas para alimentar o lado egoísta e consumidor do ser humano. No entanto, devo confessar que existem, sim, algumas datas que merecem toda a nossa atenção. E uma dessas datas é o dia 17 de maio, “Dia Mundial contra a Homofobia”.

Essa data foi escolhida porque em 17 de maio de 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). Em outras palavras, a OMS reconheceu que a homossexualidade não é doença.

Infelizmente a humanidade não evoluiu muito nesse assunto. Trinta anos depois, muita gente, principalmente pessoas ligadas às religiões, ainda pensa que homossexualidade é doença. Dessa forma, é preciso que o ser humano ame mais e que pare com tanta hipocrisia social. Só amando o outro indiscriminadamente seremos capazes de superar o distanciamento social que existe entre pobres e ricos, pretos e brancos, heterossexuais e homossexuais…

Duas mulheres na rua usando bandeira LGBT nas costas
Mercedes/Unsplash

Na contramão de muitos líderes religiosos, o papa Francisco vem dando bom exemplo quanto ao “acolhimento” dessa minoria. Diz ele que “Quem rejeita os homossexuais não tem coração”. Para o líder da Igreja Católica, Deus é um Ser bondoso que acolhe a todos, independentemente de sua sexualidade.

Em outras palavras, não há pecado no amor. O ser humano precisa ser mais humano. Ele precisa entender que qualquer tentativa de classificação do outro pelo sexo, pela cor da pele, pela religião, pela condição social, política e econômica é crime. Dessa forma, o 17 de maio destaca-se como referência simbólica da luta pelos direitos humanos e políticas públicas de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). Enfim, é uma data para se comemorar o amor e o respeito entre todos.

Olho de alguém com reflexo de arco íris
Harry Quan/Unsplash

Nesse contexto, estatísticas apontam que a violência contra os homossexuais vem aumentando muito nos últimos anos, daí a importância de se comemorar essa data. É preciso que as minorias sejam vistas e reconhecidas por todos como parte fundamental da formação de qualquer sociedade. Não é possível crescimento humano sem reconhecimento do outro como ele é. Somente quem ama muito a si próprio consegue entender a consciência de um homossexual e deixar cair sua máscara social.

Sobre isso somente quem ama é livre. E é o amor que nos diferencia dos outros animais. Sem amor, o ser humano seria um animal qualquer, seguiria apenas os seus instintos. Quem ama é diferente. Quem ama não é violento. Não pensa apenas em sexo. Não pensa só em si, pensa, sobretudo, no outro. Quem ama não separa o mundo em homem e mulher, mulher e homem. Consegue amar a todos, independentemente de sua condição sexual. Enfim, tem uma consciência ampla, uma visão holística.

Mulheres se beijando na rua
Tallie Robinson/Unsplash

No seu livro “Amor para Corajosos”, o filósofo Luiz Felipe Pondé afirma que “Uma das maiores mentiras de nossa época é o suposto amor pelo diferente”. E ao responder por que os homens estão desistindo do amor afirma que “Como consumidores empoderados de tudo que ambos são, o futuro aponta para uma população chata, arrogante e solitária, de ambos os sexos”. Amar é ir além do sexo. É como diz Santo Agostinho, “Ama e faz o que quiseres”.

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Desejo, por fim, que este dia seja celebrado com muito amor, carinho e alegria. Que o respeito mútuo possa ser a estrela guia de todos os brasileiros, de todos os povos, de todas as nações. Que cada um e ao mesmo tempo todos os seres humanos respeitem a diferença, acolhendo o outro e efetivando a participação de todos na construção de uma sociedade mais adequada ao bem viver humano.

Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Filósofo, professor universitário e escritor, autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016); Jesus e Ajuricaba na terra das Amazonas - Histórias do universo amazônico (2019).

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