Espiritualidade

Nisargadatta Maharaj e a compreensão do que se é

Escrito por Eu Sem Fronteiras

Maharaj (1897-1981) foi um filósofo, guru indiano e um dos principais  estudiosos da filosofia Advaita Vedanta, sistema filosófico que sustenta a “não realidade”, ou seja, tudo aquilo que é ilusório na vida das pessoas, com o intuito da busca e descoberta da verdade suprema da vida.

Seu pensamento acerca dos seres vivos ao seu redor sempre foi de que a espiritualidade em si é cada ser vivo ter plena consciência de sua vida e de seu poder de mudança da realidade, ou seja, qual é a nossa verdadeira natureza e buscar se desenvolver a partir daí.

Em 1933, ele foi apresentado por seu amigo Yashwantrao Baagkar a quem seria seu mentor e guru, Siddharameshwar Maharaj, o dirigente da sucursal Inchegiri do Navnath Sampradaya. Na ocasião, seu guru lhe disse: “Você não é o que pensa ser …” Ele então orientou Nisagardatta de maneira simples e direta de como viver uma vida correta. Maharaj comenta: “Meu guru ordenou-me a persistir no pensamento ‘eu sou’ e não dar atenção a nada mais. Eu apenas obedeci, tamanha sua convicção no que dizia. Eu não seguia qualquer curso particular de respiração, ou meditação, ou estudo das escrituras. O que aconteceu, eu retirei a minha atenção de tudo e permaneci com o sentimento ‘eu sou’. Pode parecer simples demais, mesmo cru, num primeiro momento. Minha única razão para fazê-lo foi que ele me disse isso e disse para fazê-lo. No entanto, deu certo! Seguindo as instruções de se concentrar na sensação de ‘eu sou’, ele usou todo o seu tempo livre à procura de si mesmo em silêncio.

Após quase 3 anos, seu mestre, Siddharameshwar Maharaj morreu em 9 de novembro de 1936. Em 1937, Nisargadatta deixou Mumbai e viajou por toda a Índia com o intuito de propagar os ensinamentos a quem quisesse. Em 1938, voltou para sua família em Mumbai, onde passou o resto de sua vida escrevendo. Na viagem para casa, ele chegou ao Kebangunan, ao despertar, atingindo seu Eu Divino após profundas reflexões. Todos os efeitos do karma pesado haviam desaparecido como areia no vento. Ele finalmente despertou para sua Realidade Absoluta, estado de plenitude. Todo apego, aversão e ilusão tinham abandonado sua consciência.

Seu famoso livro intitulado “Eu Sou Aquilo” (I Am That, 1973) ensina a maneira das pessoas buscarem a verdade inata em suas vidas através de suas experiências. Ele faz isso de forma direta com frases de impacto como “nada que você faça mudará a si mesmo” e “pare a mente e simplesmente seja”. O interessante é que são frases de um tipo de filosofia que a sociedade ocidental não está habituada a seguir. As pessoas estão acostumadas a fazer, correr atrás dos objetivos, estar sempre em movimento e a filosofia de Maharaj propõe outros caminhos.

Um trecho de seu livro que elucida esse ensinamento ressalta:

“Onde está a necessidade de mudar o que quer que seja? A mente está mudando de alguma forma todo o tempo. Olhe para sua mente desapaixonadamente; isso é o suficiente para acalmá-la. Quando ela estiver quieta, você pode ir além dela. Não a mantenha ocupada todo o tempo. Pare-a, e simplesmente seja. Se você der descanso à mente, ela se centrará e recobrará sua pureza e força. O pensar constante a faz decair.

Nada que você faça mudará a si mesmo, pois você não precisa de nenhuma mudança. Você pode mudar sua mente ou seu corpo, mas isso é sempre algo externo a você que foi mudado, não você mesmo. Por que se importar com toda essa história de mudança? Realize de uma vez por todas que nem seu corpo, nem sua mente e nem mesmo sua consciência é você e mantenha-se de pé sozinho em sua verdadeira natureza além da consciência e inconsciência. Nenhum esforço pode levá-lo lá, somente a clareza do entendimento. Não tente reformar a si mesmo, simplesmente veja a futilidade de toda mudança. O mutável mantém-se em mutação enquanto o imutável espera. Não espere que o mutável o leve ao imutável – isso jamais acontecerá. Somente quando a própria ideia de mudança é vista como falsa e abandonada, o imutável pode surgir.

As atividades da maioria das pessoas é sem valor, senão destrutiva. Dominado pelo desejo e medo, eles não podem fazer qualquer coisa de bom.

Você não pode fazer nada. O que o tempo traz, o tempo levará embora. Este é o fim da Yoga, realizar independência. Tudo o que acontece, acontece na e para a mente, não para a fonte do “Eu sou”. Uma vez que você realize que tudo acontece por si mesmo (chame a isso destino ou vontade de Deus, ou mero acidente), você permanece como testemunha somente, compreendendo e apreciando, mas nunca perturbado. Você é responsável somente pelo que pode mudar. Tudo que você pode mudar é sua atitude. Aí mora a sua responsabilidade.”

Podemos observar o quão Nisagardatta era contundente e crítico no que se tratava de mudança radical na vida. Ele também pregava sobre a importância da devoção à uma vida correta e à espiritualidade, no caso, Deus.

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Nisagardatta Maharaj faleceu serenamente em sua casa enquanto dormia, em 8 de setembro de 1981.


  • Texto escrito por Bruno da Silva Melo da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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