Autoconhecimento Psicanálise

No deserto de mim mesma

Sonia Reys
Escrito por Sonia Reys

Cristo no deserto foi tentado pela serpente, sentiu o castigo do sol escaldante, ouviu o sussurro dos ventos uivantes, foi surrado pelas tempestades de areia nas noites frias e na solidão eclodiam os gritos de lamento de seu povo, que em desespero clamavam por seu socorro.

Assim como seu povo de fé, és Minh‘alma. Latejante por viver dessa eternidade, cansada por só existir, fez seu chamado com lamentos, clamando esperançosa por um novo tempo, momento de tornar a viver.

Peço desculpas. A imersão em minha escuridão, na sombra de minhas faltas humanas egocêntrica me projetou no deserto interior, calei aos homens, profanei minha fé, me ausentei de mim mesma, pois minha boca seca pela revolta só degustava em pouca saliva o fel de minha própria ira. Me entreguei ao desespero das frustrações por minhas idealizações, agi como você e tantos outros agem, aparentando ser para sentir-me aceita, reconhecida e ilusoriamente amada, afogada em “mimimis”, ao não serem correspondidas tais expectativas.

No isolamento, sofri, chorei, e como vítima revoltei-me, neguei meu dom. Dom de ouvir a língua dos anjos, de falar, declamar palavras divinas, o amor de Deus por sua criação.

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Nada que tentasse fazer era bom, produtivo, muito menos eficaz, não havia luz, somente a escuridão, véus de tormento, desespero, insatisfação, covardia, pensamentos negativos, teimavam em bailar sedutoramente em minha frente. Perdi a visão do futuro, aos poucos o colorido do presente, a vontade de viver minguava, minava em mim o vitimismo. Vampirizada, sentia o vazio da existência, fome de amor, mas, como anorexia, mesmo alimentada por palavras de carinho, respeito dos amigos e entes amados, sempre me negava em receber, vomitava, bulimia, sádica, nestes atos, negava o amor do Pai.

Passei fome, não a dos homens, por blasfemar e revoltar-me. Vivi a escassez ilusória, falta do amor de Deus.

Cansada de andar em círculo, como um forasteiro perdido, eu vaguei nesse tormento, alucinada sem ver a luz, meus olhos eram ofuscados pela clareira do orgulho e das culpas de outrora.

Gritei, gritei, uivei e perdi a voz. No instinto de preservação, ata vírus que carrego da minha herança primata, rastejei, me debatendo como num surto epilético, me machuquei até perder as forças. Cansada, desmaiei, exausta da batalha em vão… Foi quando me senti acolhida por braços fortes que me carregavam. Abri os olhos e pude ver no brilho da aurora, os olhos que velavam carinhosamente por mim. Ouvi as sinfonias do vento, o verbo vivo através da irmã água que me banhava e matava minha sede, assim, me refazia…

Acordei, despertei do pesadelo, e lágrimas jorravam em abundância de meus olhos, banhando minha face, lavando os pensamentos negativos. Soluçava em arrependimento, prostrei os joelhos ao solo, curvei-me ao sagrado, pedi perdão e me entreguei, não havia mais o porquê lutar, me abandonei nos braços da fé e recebi a unção, a cura. Através da misericórdia do Pai, renasci.

Que seja feito em minha vida segundo a sua vontade, Senhor
Amém

Sobre o autor

Sonia Reys

Sonia Reys

Sou secretária de uma Clínica Médica e estou cursando graduação em EAD Gestão de Recursos Humanos, Formação em Psicanálise Clínica, e o Curso de Psicologia do Relacionamento Humano Individuação (tornar-­se pessoa). Experiência em Administração, Área Financeira e Relacionamento Humano (PNL).

E-mail: [email protected]