Autoconhecimento Espiritualidade

“O bem que devo buscar e os males que devo evitar”

Santo Agostinho
Jaqueline Souza Alves

Solilóquios 

Santo Agostinho

Apalavra solilóquios apresenta-se como um neologismo latino que unifica duas palavras que representa: fala só, soliloquios.

Falar consigo mesmo, buscando respostas sobre a verdade, Deus, a alma e a imortalidade e, então, colocar os parâmetros da fé em bases científicas.

Santo Agostinho acabou por acessar a sabedoria inata do ser humano, revelando assim a alteridade que constrói-se no homem a partir da sua experiência no encontro da consciência e da corporeidade, a própria dualidade de sua identidade: ora consciência egocêntrica e ora consciência empática, ou predominantemente uma das duas consciências por boa parte de sua existência. Um homem exterior e um outro homem interior.

A grande descoberta de Agostinho, na procura da verdade, foi tê-la encontrado em seu próprio interior, através do conhecimento de si mesmo. Sua trajetória é similar a muitas outras da nossa vida cotidiana, o que me faz acreditar que a santidade é uma habilidade humana que se distancia, cada vez mais, dos dogmas da perfeição e a aproxima do propósito cristão da verdadeira santidade.

“Senhor, tu estavas, certamente, diante de mim, mas eu me tinha afastado de mim mesmo e não me encontrava. Quanto mais a Ti?”.

Santo Agostinho

Aurelius Augustinus nasceu em Tagaste,, no dia 13 de novembro de 354, na pequena cidade africana da Numidia. De uma família burguesa, mãe católica fervorosa e pai pagão, de poucas posses. Estudou retórica, aderiu ao maniqueísmo, depois ao montanismo até abraçar a filosofia neoplatônica, que lhe ensinou a espiritualidade divina e a negatividade do mal, encontrando a concepção cristã da vida.

“Sua conversão deu-se num momento de meditação sobre a sua vida, quando escuta uma expressão, próxima a porta de onde estava, que dizia: ‘Toma e lê’. Agostinho abre sua Bíblia que cai em Romanos 13,13-14 e a leitura trouxe-lhe o que sua alma não tinha conseguido encontrar, até então, em nenhum de seus estudos, na sua busca pessoal para conhecer a Deus. Separou-se da mãe de seu filho e foi para o seminário, abandonando sua profissão de professor. Foi ordenado sacerdote em 391. Cinco anos depois, tornou-se Bispo de Hispano.”

“A verdade tem poucos amigos.”

Agostinho deu início a era da incerteza dogmática. O problema das relações entre a razão e a fé, problema fundamental do período medieval e que já atormentava a mente de Santo Agostinho, visto inúmeras vezes vagando sozinho a noite, angustiado, tentando descobrir a resposta científica para a fé. E, na ânsia de descobrir como se libertar da dúvida, indaga ao seu alter ego, conforme descrito em Solilóquios e definido como a sobriedade, ou sabedoria adquirida a partir das experiências e aprendizado frente ao uso da sua razão, essa por sua vez, suficientemente adequada e capaz de conduzi-lo a sua verdade, seu autoconhecimento.

Estudava muita teologia, matemática, filosofia, mecânica e física, que na época era rudimentar, com o propósito de explicar a existência de Deus através da razão humana. Observava a natureza e acreditava que o homem, através da sua inteligência, iria finalmente descobrir a verdade de Deus e colocar os parâmetros da fé em bases científicas.

Certo dia, após longo período de trabalho e compenetrado na sua angústia por respostas, adormeceu e teve um sonho revelador: ”Caminhava sobre uma praia deserta, a contemplar o mar e o céu. De repente, avistou um menino que com uma vasilha de madeira indo até a água do mar, enchia a vasilha e voltava, despejando a água num pequenino buraco na areia. Perplexo e curioso, perguntou ao menino: ‘O que você está fazendo?’. O menino calmamente olhou para Santo Agostinho e respondeu: ‘Vou colocar toda a água do mar neste buraco’. Santo Agostinho sorriu e retrucou: ‘Isso é impossível, menino, observe quanta água existe no oceano e você quer colocá-la toda neste pequeno buraco!’. Mais uma vez, o menino olhou para Santo Agostinho e de forma firme e corajosa disse: ‘Em verdade vos digo. É mais fácil colocar toda a água do oceano neste pequeno buraco do que a inteligência humana compreender os mistérios de Deus!’. E, num átimo, Santo Agostinho acordou assustado e desorientado. Acabara de ter uma mensagem divina que acalmaria sua alma conturbada.

Agostinho introjetou conceitos de Platão, principalmente quando esse define o homem como uma alma que se serve de um corpo, admitindo a ideia de transcendência hierárquica da alma sobre o corpo. Fundamentado em uma metáfora de Platão, a alegoria da caverna que mostra ser o conhecimento, e em última instância, explica como é possível ao homem receber de Deus o conhecimento das “verdades eternas.”

Em Solilóquios, Agostinho trava consigo um grande diálogo sobre seu platonismo introjetado, “conhece a ti mesmo”, e a sua busca por conhecer a Deus. Questiona-se sobre a verdade e o verdadeiro, e como os níveis de consciência dão significados múltiplos à experiência humana na busca da consciência divina em nós.

”A verdade não é minha nem tua, para que possa ser tua e minha.”

Vivendo como homem comum, na busca por respostas, buscando a sua verdade, Santo Agostinho é importante referência para todos que buscam autoconhecer-se, compreender melhor sua missão, sua contribuição com o bem comum e com sua evolução. Em Solilóquios, Agostinho é direcionado, seguindo suas bases cristãs, a uma prece, que busca dar entendimento como Meditação de Santo Agostinho:

1 – Que eu saiba o que pedir para ser digno de ser ouvido.

2 – Me faça forte para suportar a verdade, a minha verdade.

3 – Que eu não tenha dúvidas diante da grande evidência, diante das leis naturais e universais que regem o todo, pela graça divina.

4 – Me faça sensível aos Teus sinais e me coloca a Teu serviço, para contribuir com o bem maior nesta grande viagem: aumenta minha fé, minha esperança, minha caridade.

5 – Por fim, me faça digno de habitar esse corpo para cumprir com essa missão (aqui refere-se os cuidados com a saúde).

Santo Agostinho governou a Igreja Católica até falecer, em 28 de agosto de 430. Sua trajetória, em meio a tantas questões pessoais que tentava dar explicação, trouxe valioso conteúdo filosófico, contemporâneo que ainda tem a provocar importantes reflexões.

“O bem que devo buscar e os males que devo evitar.”

A Santo Agostinho, a seus pais e sua caminhada,, eterna Gratidão.

Sobre o autor

Jaqueline Souza Alves

Jaqueline Souza Alves

Psicanalista Clínica, atua na análise e orientação de adolescentes, adultos e
família com uso de processo de Individuação (Jung) e Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente.

Atuou por 15 anos em Multinacionais Americanas nas áreas de Manutenção, Saúde, Meio Ambiente e de Segurança do Trabalho, contribuindo como líder na formação de equipes de alto desempenho nas cidades de Campinas, Mogi Mirim, Valinhos, Guarulhos, São Jose dos Campos e Guaratinguetá - SP e Caxias do Sul – RS com foco na mudança de comportamento para construção da cultura organizacional sustentável.

Participou de programas corporativos de formação de liderança com foco em gestão de mudanças e comportamento: Influencer & Leading Change – Cleveland/EUA

- Future Leaders - San Juan/Porto Rico & Pittsburg/EUA • Green
Belt Training – Cleveland/EUA, além de conferencias e auditorias corporativas:
Lead Assessment - Kings Mountain/EUA • Wordwild Conference - Chicago /EUA
- Annual Summer Meeting - Nashiville/EUA • Lead Assessment – San Juan/Costa
Rica.
- Contribuiu com as comunidades chave por onde passou, desenvolvendo projetos de educação ambiental e inclusão.
- A formação na área de Bioquímica e Engenharia Sanitária pela PUC-Campinas e UNICAMP, somados a experiência profissional, agregam importante valor na atuação clínica, permitindo o uso de ferramentas e métodos adaptados ao perfil e a necessidade do indivíduo.

Contatos:
Site: psiquelab.com.br
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Telefone: 11 9.8218-8804

Especialidades:
Gestão pessoal de conflitos, life coaching, desenvolvimento e sexualidade,
individuação, hipnose.