Antroposofia Saúde Integral

O desenvolvimento individual como caminho para o desenvolvimento coletivo

Bruna Rei Freitas
Escrito por Bruna Rei Freitas

Hoje inicio meu artigo com um trecho da crônica de Marina Colasanti1: Eu sei, mas não devia.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

… A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia…

… A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado…” .

É difícil nos depararmos com estas constatações que se tornam cada vez mais frequentes em nosso dia a dia, e ficarmos imunes a seus efeitos. Se já passou por sua mente alguma dessas observações, significa que você já deu o primeiro passo para o desenvolvimento coletivo.

Para isto apresento através deste artigo um movimento integral para nos auxiliar nestas questões: a Antroposofia.

A Antroposofia surgiu da necessidade que Rudolf Steiner teve em dar uma resposta ao mundo frente às urgências sociais de sua época. Steiner dizia que todo ser humano busca seu momento para se colocar no mundo, porém para que isto aconteça integralmente, se faz necessário o desenvolvimento do pensar, sentir e querer individualmente no mundo para que o indivíduo se torne apto a trilhar o caminho do coletivo. Isto significa que primeiro é preciso conhecer como pensamos, sentimos e como queremos agir no mundo antes de auxiliar o próximo.

shutterstock_192589274O movimento para o coletivo requer habilidades como: aprender a ouvir o outro; inspirar e poder dar inspiração para ajudar na resposta do outro; poder auxiliar na condução dos processos da humanidade, sem fornecer respostas prontas e permitir que o indivíduo se torne um ser adulto e responsável por ele mesmo.

Este processo do individual para o coletivo, primeiramente se inicia pela observação e identificação da problemática, como foi demonstrado através da crônica acima; o segundo passo é a abertura e a percepção do outro sem julgamento para então atingir o ápice do questionamento individual: Será que tenho a habilidade para auxiliar na necessidade do outro?

Se sua resposta for uma afirmativa, você está seguindo em direção ao desenvolvimento coletivo, onde suas habilidades se encontram na capacidade de reconhecer e transmutar suas  “sombras” interiores,  buscando nobres intenções da alma para conduzir sua ação perante o outro.

Por que é através dos desequilíbrios e dificuldades de cada fase que nós seres humanos conseguimos nos desenvolver à uma evolução real, para que percebendo a verdadeira necessidade de nossa época, possamos agir no presente e nossas  ações que foram tomadas no presente possam transformar o coletivo no futuro.

Referências Bibliográficas

  1. COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Editora Rocco. Rio de Janeiro, 1999.
  2. STEINER, Rudolf. Minha vida- A narrativa autobiográfica do fundador da Antroposofia. Editora Antroposófica, 2006.
  3. LANZ. Rudolf. Noções Básicas de Antroposofia. Editora Antroposófica, 2007.

Sobre o autor

Bruna Rei Freitas

Bruna Rei Freitas

Com uma vasta experiência na área da saúde, é formada desde 2009 pela Universidade Anhembi Morumbi em Naturologia e graduação modulada em Fitoterapia. Possui pós graduação em Medicina Ayurvédica pelo Instituto Naradeva Shala, curso de extensão universitária em Avaliação e Tratamento Interdisciplinar em Dor pela USP, além de cursos de extensão universitária em Iridologia, Terapia Floral e Antroposofia.

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