Autoconhecimento

O Direito de Sentir

Mulher branca, vestida de rosa, no meio da floresta, se espreguiçando.
Escrito por Vanessa Milis
Estamos vivendo a era da “pseudo-espiritualidade, onde chorar é sinal de fraqueza, ficar triste ou sentir raiva é feio e amor ao próximo é só quando nos for útil.
Nunca antes na história da medicina e da psicologia se registrou tantos casos de doenças psíquicas e psicossomáticas.

As pessoas estão cada vez mais focadas na aparência exterior e pouco conectadas na essência interior. Basta ver a quantidade e variedades de academias que emergiram como oferta de “saúde perfeita” nos últimos anos.

E a meditação? Virou moda. É lindo meditar. Porém sentir é feio. Sentir denuncia o nosso baixo grau de evolução. Ao menos é como os despreparados e pseudo-evoluídos de plantão julgam.

Mulher branca, de cabelos ruivos, com um vestido verde claro, correndo sorridente em um campo verde.

Quero dizer algo muito sério a você: não se reprima!
Sábios eram Os Menudos nos anos 80. Toda vez que você contiver o que sente, seja de bom ou de ruim, quero que você ouça o refrão: “Não se reprima. Não se reprima. Não se reprima.”, que ria de si mesmo(a). Que esse seja a trilha sonora do seu subconsciente toda vez que você negligenciar ou ignorar o que sente.

Todo sentimento que você ignora o seu corpo registra em forma de somatização. Já percebeu que as pessoas raivosas ou que reprimem a raiva costumam ter azia e dores no corpo? Cada parte do nosso corpo corresponde a determinados sentimentos. Pesquise sobre psicossomática e saberá.

Por isso, sinta! E sinta com intensidade o que quer que venha a sentir. O sentimento é parte da estrutura do processo psíquico humano. Faz parte das nossas riquezas. E o que seria dos sentimentos bons se não existissem os ruins?

Investigue o que sente, admita o que sente. Só assim será capaz de ressignificar as suas questões interiores. E esteja atento: aquilo que você sente não é a verdade absoluta sobre o que você vive.

Os nossos sentimentos dão sinais sobre as nossas interpretações, sobre o que acontece conosco e ao nosso redor. Muitas vezes, será preciso dizer para si: “Isso não é real!”.

Apesar de nem sempre o que sentirmos corresponder à realidade, jamais ignore nada. Assuma tudo o que sente. Procure reconhecer as associações que a sua mente faz entre o que lhe acontece no momento com o seu histórico de experiências.

Silhueta de mulher com os braços levantados, olhando pra cima, com o sol se pondo no céu.

Quando sentir raiva ou ressentimento, uma atividade pode ajudar: escreva uma carta para as suas emoções. Diga tudo o que estiver sentindo, esbraveje, contextualize a sua indignação, use o pior vocabulário que puder. Coloque para fora. Como diria o Shrek: “É melhor para fora do que para dentro!”. Depois, leve até um recipiente de metal, preferencialmente sobre a pia da cozinha ou dentro da churrasqueira, e coloque fogo. Despache a sua raiva com as cinzas. Tenha a satisfação de ver a sua raiva, indignação e problemas sendo queimados e desintegrados.

Quanto mais sentimentos você agregar a essa atividade, maiores os efeitos positivos em suas emoções e mais efetivo será o registro no seu subconsciente.

Sentimento é um caminho para a conexão com o nosso eu essencial. E acredite: você tem o poder de ressignificar o que sente. À medida em que treinar e se tornar ágil nessa habilidade, terá mais agilidade na transição dos sentimentos ruins para os bons.

Felizes são aqueles que se dão o direito de sentir.


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  • Vanessa Milis

    Vanessa Milis

    Palestrante, escritora e consultora empresarial
    [email protected](48) 98845-3261@vanessamilisvanessamilis.com.br@VanessaMilislinkedin.com/in/vanessamilisvanessamilisoficial

    Vanessa Milis é consultora de liderança, autora e criadora da metodologia Essential Canvas®. Durante 15 anos, ajudou empresas a desenvolver lideranças e culturas. Mas uma verdade a perseguia: o maior desperdício do mercado não é falta de talento — é talento que ninguém vê.

    Sua própria vida se tornou seu maior professor. Através de perdas devastadoras, conversões profundas e descobertas de dons e competências forjadas na dor, ela compreendeu que a liderança verdadeira não começa no organograma. Começa no autoconhecimento.

    Hoje, ela tece duas narrativas: a expertise em cultura organizacional e a jornada pessoal de transformação. No livro "Quando Perder é Vencer" e na plataforma VALUEE, ela guia líderes, consultores e profissionais a transformar conhecimento invisível em autoridade reconhecida — começando por dentro.