Autoconhecimento Relacionamentos Sagrado Feminino

O empoderamento da mulher desempodera o “Adão Barba Azul” – (Parte 2)

Deva Layo
Escrito por Deva Layo

– II Parte –

Leia a 1º parte aqui.

Anteriormente…

“Por isso, é muito importante que entendamos o que é o patriarcado nos dias atuais. Quando se fala em patriarcado, estamos nos referindo a um conjunto de práticas que foi instituído há milênios atrás, cujos perpetuadores se mantêm na ignorância, e estão interessados em manter as mulheres sob o domínio dos homens, porque acreditam que os homens são de fato superiores. Assim, não se trata de um grupo de homens conspiradores como pode aparentar, mas um paradigma cultural que é introduzido nas pessoas através de todas as nossas redes de relacionamentos: família, escola, religião e instituições. Esse paradigma é expansivo, agressivo, subliminar e milenar, funciona como o sistema onde que nascemos, desfavorecendo homens e mulheres em todas as esferas sociais. Logo, os homens também são vítimas deste patriarcado.”

Na primeira parte deste artigo, evocamos uma comparação entre o mítico Adão e o conto francês do Barba Azul, unindo um aspecto do Sagrado Feminino através da lenda hebraica de Lilith, a primeira esposa de Adão a conquistar sua independência, e consideramos algumas táticas masculinas de desempoderamento da mulher, como a persuasão, a comunicação divertida e a influência sedutora. Nesta segunda parte, consideraremos a pressão emocional sofrida pela grande maioria das mulheres, a cumplicidade negativa e a coalizão.

É importante reforçar que a ideia aqui não é fomentar a guerra dos sexos, tampouco as teorias da conspiração, mas elucidar a respeito das amarras sutis do patriarcado, que prendem não apenas as mulheres, mas também os homens, perpetuando a teia de sofrimento que tenta manter a ambos na prisão psicológica dos relacionamentos.

Lilith como o arquétipo feminino da liberdade desconstrói em nosso inconsciente essas estruturas geradas pelas armadilhas ideológicas e ilusões afetivas, assim, peço que, sejamos ponderados e lúcidos para perceber que nem sempre as nossas relações são pautadas nas realidades descritas neste texto. Então, não nos insuflemos de raiva ou criemos contendas em nossas relações, priorizemos a harmonia e a consciência sobre como administrar os nossos comportamentos nas questões de gênero e se necessário, busquemos por auxílio terapêutico.

Táticas Masculinas de Desempoderamento

– A Tática da Pressão Emocional –

Um homem com tendências machistas comportamentais pode partir do princípio de que a mulher tem que seguir “o seu” homem, tendo dificuldades em aceitar que ambos possam ter equidade na relação. Geralmente, isso denota um certo medo de que sua companheira seja independente e não precise dele tanto assim.

Além dessa postura revelar uma certa imaturidade e um complexo de inferioridade de natureza competitiva, este homem, para compensar essas falhas pessoais em si mesmo perante os outros, tende a apresentar-se como um “vencedor”, seja porque vive a ilusão de que “possui sua mulher” e/ou porque “a conquistou” como um prêmio, muitas vezes tirando vantagem disso sem o menor constrangimento. Desta forma ele oferece “boas indicações” de si mesmo, porém com um comportamento que desagrada os demais e lhes causa constrangimento, literalmente “forçando a barra” para que as pessoas comprem essa falsa imagem empoderada dele enquanto diminui a imagem da companheira de jornada.

Esse comportamento depreciador é um perigo para a autoimagem feminina.

Evocando um aspecto arquetípico de Lilith, presente em nosso inconsciente, percebemos que uma “indicação aparentemente positiva” às custas de alguém que é diminuído através desta, é um forte artifício da persuasão negativa, pois dentro da neurose masculina, existe um aspecto da vergonha do poder feminino, que é considerado inferior, crendo equivocadamente que “se eu admirar a posição dela serei apenas sua sombra”, quando na verdade deveria se orgulhar da mulher porque ele é quem foi escolhido para apoiá-la. Esse comportamento depreciador é um perigo para a autoimagem feminina, como também para sua referência no coletivo, caso a mulher se deixe intoxicar por essas menções.

Lembremos que as Consciências Sistêmicas tanto do Feminino, quanto do Masculino apresentam-se como consortes, porque são complementos divinos uma da outra, atraídas uma pela outra, não porque foram “conquistadas” como prêmios ou às custas de uma necessidade temporária provinda de carências afetivas de natureza edipiana.

– A Tática da Reciprocidade: A Cumplicidade Negativa –

Considero essa tática uma das mais prejudiciais em uso, quando o comportamento de um homem é tomado por sua sombra – aquele aspecto arquetípico e gutural do inconsciente que se apresenta com qualidades negativadas de si mesmo.

Para homens de natureza adâmica (que apresentam as características arquetípicas da insegurança do mítico Adão), quando oferecem um “favorzinho”, uma preferencial ajuda à mulher, normalmente a fazem sentir-se em dívida e desejosa de ser gentil, afinal, “ele foi tão fofo”. E assim, conforme a companheira vai “deixando passar”, os disparates desrespeitosos aumentam, a mulher, no entanto, perdoa a “falta de modos” do companheiro, sua inconveniência desrespeitosa, agressividade e invasão, para evitar conflitos de natureza maior.

Este tipo de homem sabe que ser solícito desperta a vontade feminina de retribuir e, mais cedo ou mais tarde, sempre cobra as “dívidas” que acredita que o sexo oposto tem com ele. Porém, um homem inteligente jamais confundirá dívida com gratidão.

– A Tática da Coalizão e do Mimetismo –

Ao atravessar uma desarmonia emocional, um homem identificado com a sombra, pode colocar-se em uma posição de conluio com um lado bem negativo do patriarcado. Neste comportamento, ele sabe fazer “networking” captando os contatos femininos, as amigas, os familiares, colegas de trabalho – disfarçando, aliciando e seduzindo. Aqui, ele já cedeu a um tipo de neurose, e em alguns casos, acaba psicotizando a realidade que está bem longe da sua fantasiosa imaginação. A rede feminina, por sua vez, oferece a ele muitas informações sobre sua companheira, e com isso, nessa necessidade de espelhamento, ele acredita que está “empoderando a si mesmo” ao copiar ou apossar-se das criações ou atributos femininos, fazendo uso deles para aumentar seu poder: ele não “imita” os trejeitos femininos, afinal, ele é o “machão”, na verdade, ele mimetiza seus talentos em sua forma externa.

Uma certa observação nos é apresentada quando estudamos alguns outros mitos que espelham os abusos cometidos pelo Masculino no intercurso da história, como o da deusa Tiamat, assassinada por Marduk após uma conspiração: ele “reconstrói o universo” através das partes de Tiamat esquartejada. No raciocínio de Joseph Campbell, o universo continua sendo a própria Tiamat, uma vez que Marduk precisa das partes dela para construir o que havia destruído, pois ela era o próprio universo. A pergunta é: adiantou destruir Tiamat? Pela lógica comportamental masculina que segue a escola patriarcal, sim. Bom, de certa forma, arquetipicamente falando, isso acontece nos dias atuais, não é? No final, a mulher se sente roubada, pois no patriarcado, um servo pode ser um patrão disfarçado.

Que tal escolhermos melhor os nossos parceiros?

Sobre o autor

Deva Layo

Deva Layo

Deva Layo é empata psíquica, contatada & sensitiva com vasta formação no segmento holístico: Terapeuta Tântrica, Renascedora, ThetaHealer. Atua como terapeuta intuitiva, oráculo & conselheira metafísica; psicoterapeuta holística & analista junguiana. É também autora independente & compartilha experiências pela expansão da consciência planetária.

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