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O que fazer para ajudar uma pessoa com Transtorno Bipolar?

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Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras



É frequente ouvirmos pessoas reclamando do dia, de como acordaram com o pé esquerdo, e comentarem do seu mau humor – isso é bem comum e pode acontecer com qualquer um. Geralmente não há nenhum problema em mencionar isso, pois é algo passageiro – “amanhã é outro dia”, costumamos dizer.

O que não é falado, e muitas vezes passa despercebido, é que existem pessoas que não se sentem tão confortáveis para falar do seu humor, porque ao contrário da grande maioria, para eles amanhã não será um novo dia, não será tranquilo e não irão se sentir melhor. Na sociedade do “agora”, o que não é notícia não se faz ouvir. Quem sofre com o Transtorno Bipolar geralmente não é ouvido, e quem não é ouvido, não é compreendido.

Por essa razão, os dias simbólicos existem. São períodos em que pessoas de todo o mundo se juntam para ouvir e oferecer suporte àqueles que não conseguem se manifestar. É como se o irmão mais velho aparecesse para defender o mais novo, e protegê-lo do resto do mundo.

O Dia Mundial do Transtorno Afetivo Bipolar nasceu em 2014, de forma a assinalar um dia em que se procura desfazer mitos acerca da condição. Em 30 de Março de cada ano, data de nascimento do pintor holandês van Gogh (diagnosticado como possível portador da Bipolaridade já depois de morto), o objetivo é quebrar o tabu. Este ano, o Eu Sem Fronteiras se junta à comunidade de vozes e tenta ir mais a fundo para entender o que podemos fazer para ajudar a população que sofre com o distúrbio.

A palavra “bipolar” há muito vem sendo banalizada, usada como adjetivo para pessoas de temperamento forte e mau humoradas. Quando o chefe é autoritário, quando o marido ou esposa são difíceis de lidar, ou quando alguém muda frequentemente de ideia em relação à coisas específicas, todos são taxados de bipolares. O problema dessa banalização é que quando alguém realmente possui Transtorno Bipolar e precisa de suporte emocional, é alvo de piadas ou descaso.

Transtorno Bipolar

O que não fazer:

Não chame a pessoa de fresca. Você não sabe como é passar por um transtorno como esse.

Não sugira que é só se esforçar para se sentir melhor. O portador de Transtorno Bipolar não tem como controle. Se fosse tão fácil, ele já teria se curado, você não acha?

O Transtorno Bipolar é uma doença como qualquer outra, e deve ser tratada junto a um médico especializado, portanto, não tente convencer a pessoa de que “isso passa”

“Olhe para o lado positivo”. Não, não e não! Não tente achar desculpas para tentar diminuir a gravidade da situação. Isso só faz com que a pessoa se retraia e se isole mais ainda.

Não aja como se seu amigo ou conhecido fosse louco. Muito menos diga para ele(a) parar de agir como louco(a). Bipolaridade não é loucura!!

Não ignore uma pessoa que venha lhe procurar para pedir ajuda! Ela pode estar precisando de um suporte emocional e muitas vezes uma simples conversa pode fazer uma grande diferença. Pense que você pode estar ajudando alguém a não fazer nenhuma besteira!

O que fazer:

Garanta que a pessoa saiba que você está disponível para ajudar, mesmo que você não saiba como. Às vezes somente conversar ajuda um monte!

Mostre compreensão e respeito. Independente do que o seu próximo estiver sentindo, ou como está se comportando, não julgue! Tente compreender e respeitar a história de cada um.

Tenha paciência. Interagir com um portador de Transtorno Bipolar pode exigir muita paciência, pois a pessoa pode apresentar irritabilidade e raiva sem motivo, e precisamos saber entender que isso tudo é culpa da doença.

Pratique a empatia! Tente se colocar no lugar do outro e agir da mesma forma que você gostaria que agissem com você.

Se informe! O conhecimento é essencial. Tente pesquisar sobre o assunto e converse com a pessoa que possui bipolaridade para entender mais. Os sintomas do Transtorno Bipolar variam de pessoa para pessoa, e não podem ser generalizados.

Acima de tudo, enfatize a importância de se procurar um médico. Ir a um psiquiatra não pode ser motivo de vergonha. Muito menos deve-se pensar que o problema não é tão grave, e que pode se virar sozinho. Às vezes estamos tão acostumados com os sentimentos ruins, que não percebemos que isso não é normal. Não precisamos carregar o mundo em nossas costas. Há sempre alguém disponível para ajudar!

A família é importantíssima para quem convive com o Transtorno Bipolar, e é a base para que o portador se sinta capaz de vencer a doença. O apoio, o carinho e a compreensão são indispensáveis, pois em certos casos a doença pode ser tão incapacitante, que dificulta até a realização de simples tarefas do dia-a-dia. O apoio no tratamento é também necessário. Uma das mais eficazes soluções para a bipolaridade é o tratamento com medicação – e ela deve ser levada a sério, caso contrário não terá efeito nenhum. O fato de que a doença pode afetar a capacidade de concentração do portador, contribui para o perigo do não seguimento da prescrição médica. A família deve estar presente nestes casos, para garantir que a medicação não seja interrompida e os sintomas se agravem.

Os familiares de um portador de Transtorno bipolar podem auxiliar a manter um controle da medicação por meio de aplicativos e outras ferramentas como alarmes para cada remédio. Pesquisando por opções do tipo, encontrei diversos aplicativos fáceis de usar. Vou citar um dos primeiros resultados apenas, um aplicativo recente, gratuito e disponível na Play Store e na AppStore, o MyTherapy, que tem algumas funções interessantes: É possível controlar os horários dos remédios, registrar mudanças de humor, sintomas físicos e também efeitos colaterais da medicação. Ele guarda um histórico de todos os registros e pode ser impresso para ser levado ao médico/psiquiatra. Por último, mas não menos importante, ele não divulga nenhum dado pessoal para ninguém. Assim a privacidade da pessoa é mantida

Fonte: MyTherapy

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