Comportamento Psicologia Saúde Mental Setembro Amarelo Toda forma de amor

Setembro Amarelo: Saúde mental da comunidade LGBTQI+

Rosto de uma mulher olhando para o alto. As cores da bandeira LGBTQIA+ estão refletidas em seu rosto
Barcelos_fotos / Pexels / Canva
Escrito por Eu Sem Fronteiras

O Setembro Amarelo é uma campanha nacional de prevenção ao suicídio, que acontece no Brasil desde 2014. Por meio dessa data, é possível informar a população sobre a importância de cuidar da própria saúde mental, de forma a enfrentar os problemas da vida com a certeza de que tudo pode ficar bem.

Embora a saúde mental tenha se tornado um tópico cada vez mais importante nas discussões da sociedade, ainda há muito a aprender sobre isso. Muitas vezes, não olhamos com atenção para as pessoas que mais precisam de ajuda, que são aquelas que a comunidade oprime diariamente.

Fazer parte de uma minoria social é o que torna a população LGBTQIA+ tão vulnerável a problemas de ordem mental. A todo momento, a existência dessas pessoas é questionada, e os sentimentos delas são invalidados. Será que o Setembro Amarelo está chegando até esse grupo tão relevante na sociedade?

Quem são as pessoas LGBTQIA+?

As pessoas LGBTQIA+ são aquelas que não se identificam com as convenções de gênero e de sexualidade da sociedade. Alguns indivíduos se sentem pertencentes ao gênero que lhes foi atribuído ao nascer, por exemplo, e sentem atração pelo sexo oposto, mas isso não é e não deveria ser uma regra.

No entanto, em um contexto heteronormativo, patriarcal e excludente, todas as pessoas que querem se expressar e amar de maneiras diferentes das tradicionais são alvo de violência. E essa violência pode se manifestar por palavras, gestos, falta de oportunidades e uma tentativa de removê-las de uma comunidade.

Felizmente essa realidade está se transformando cada dia mais. O primeiro passo para garantir que vivamos em uma comunidade mais diversa, respeitosa e compreensiva é aprender sobre essa parte fundamental da população.

Casal gay segurando a bandeira LGBTQIA+. Um deles está beijando o parceiro no rosto
Nicolas Menijes / Canva

Então, se você ainda não sabe quem são as pessoas LGBTQIA+, iremos te explicar. Para começar, é preciso compreender a diferença entre sexualidade e identidade de gênero. Enquanto a sexualidade é a maneira de amar de uma pessoa, ou seja, por quem ela se atrai, a identidade de gênero é a essência de uma pessoa, como ela se identifica.

Dentro da sexualidade de uma pessoa, é possível ser homossexual, bissexual, assexual ou heterossexual, por exemplo, entre muitas possibilidades. Isso porque não existem regras ou limites quanto a quem pode despertar desejo em nós, e todas as maneiras de atração e de amor devem ser igualmente respeitadas.

Por outro lado, quando falamos em identidade de gênero, nos referimos à maneira de uma pessoa expressar a própria subjetividade. Ela pode uma mulher cis, uma mulher trans, um homem cis, um homem trans, uma pessoa não binária, entre outros.

Uma pessoa cisgênero é aquela que que se identifica com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer. Ou seja, uma pessoa que foi considerada mulher ao nascer e que se sente como uma mulher, ou um indivíduo que foi considerado homem ao nascer e se sente como homem.

Além disso, uma pessoa não binária é aquela que não se encaixa na binariedade de gênero socialmente imposta, ou seja, no gênero feminino ou no gênero masculino. Logo, uma pessoa não-binária se sente mais confortável expressando a própria individualidade sem limitações e padrões. Ela não pode ser definida como um homem ou como uma mulher, porque flutua entre esses dois gêneros.

Inclusive, é importante ressaltar que a não binariedade está dentro da transgeneridade. O motivo disso é que a palavra “transgênero” é um “termo-guarda-chuva”, que abriga em si todas as formas de expressão de gênero que são diferentes das atribuídas a um indivíduo quando ele nasceu.

Consciente da diferença entre sexualidade e identidade de gênero, assim, compreenda as diferenças entre cada sigla que nomeia a comunidade LGBTQIA+:

  • L – lésbicas: mulheres (cis ou trans) que sentem atração por mulheres (cis ou trans)
  • G – gays: homens (cis ou trans) que sentem atração por homens (cis ou trans)
  • B – bissexuais: pessoas (cis ou trans) que sentem atração por pessoas (cis ou trans)
  • T – transexuais e travestis: pessoas que não se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer
  • Q – queer: pessoas que transitam entre os gêneros feminino e masculino ou que não se identificam com nenhum deles, sendo não binárias
  • I – intersexo: pessoas cujo desenvolvimento corporal não é associado ao gênero feminino nem ao gênero masculino
  • A – assexuais: pessoas que não sentem atração física e/ou emocional por outras pessoas
  • + : outras formas de expressão da sexualidade e da identidade de gênero

Por que a saúde mental é importante?

A manutenção da saúde mental é importante para todas as pessoas. Entretanto muitas das campanhas do Setembro Amarelo, bem como a conscientização da sociedade, ainda não se atentam às pessoas LGBTQIA+, que enfrentam uma série de preconceitos que podem desencadear em doenças mentais.

Mulher com os olhos fechados e mãos na cabeça
Boggy22 / Getty Images Pro / Canva

Dessa maneira, é fundamental lançar luz sobre cada camada da sociedade que pode desenvolver esse tipo de condição, de forma a acolher esses grupos e ajudá-los a ter uma vida mais plena e feliz. Isso porque, sem uma boa saúde mental, uma pessoa pode enfrentar problemas para executar tarefas diárias, expressar-se e relacionar-se com os outros.

Acima de tudo, é necessário se informar sobre a saúde mental das pessoas LGBTQIA+, para evitar reproduzir os estereótipos que causam tanta dor a esse grupo de indivíduos. Será que você está fazendo a sua parte para garantir a boa saúde mental de pessoas LGBTQIA+? Ou você nunca havia parado para pensar nisso?

Pessoas LGBTQIA+ na sociedade

Não é possível definir com exatidão os fatores que levam uma pessoa a desencadear problemas na saúde mental. No entanto, existem algumas sensações que podem ser provocadas em alguém por uma sociedade preconceituosa e que se relacionam diretamente com prejuízos na saúde mental de alguém.

Com os tópicos que preparamos a seguir, observe como as pessoas LGBTQIA+ são alvo de diferentes tipos de violência, que podem culminar em baixa autoestima, depressão, ansiedade e no desejo de deixar de existir. Quando uma pessoa não se sente bem recebida em um lugar, como ela se sentirá bem sobre quem é?

1) Ausência de representatividade positiva

Em novelas, programas de televisão, filmes e seriados, as pessoas LGBTQIA+ estão presentes. Porém muitas das representações delas não são positivas, tendendo a estereótipos construídos com base em preconceitos. Quantas vezes uma travesti já foi utilizada na televisão brasileira para provocar risadas debochadas, por exemplo?

Além disso, o grupo LGBTQIA+ é muito sexualizado. Então é como se eles não pudessem ter relacionamentos amorosos nas telas, resumindo-os a laços apenas carnais ou a um conceito de promiscuidade, muito atrelado a essa comunidade. Esse tipo de representatividade também é negativo.

Duas mulheres deitadas em uma cama, dormindo
Blanscape / Getty Images Pro / Canva

Uma representatividade verdadeira e respeitosa com as pessoas LGBTQIA+ seria apresentá-las trabalhando, vivendo, amando, errando, acertando. É essencial mostrar que essas pessoas são humanas, com desejos, angústias e medos. Inclusive são pessoas que podem sofrer problemas de saúde mental.

2) Recusas no mercado de trabalho

O mercado de trabalho, que é uma forma de sobreviver na sociedade capitalista, também não é tão receptivo às pessoas LGBTQIA+. Ainda que a sexualidade e/ou a identidade de gênero de uma pessoa não determine a eficiência dela para fazer uma atividade, muitas empresas ainda são tomadas por preconceitos.

Até mesmo as instituições que contratam pessoas LGBTQIA+ estão sujeitas a falhas. Afinal, muitos funcionários não são respeitosos, e fazem comentários maldosos sobre aqueles que são diferentes deles. Infelizmente os alvos das ofensas nem sempre se sentem acolhidos pela empresa para denunciar esse tipo de comportamento.

Por esse motivo, é importante não só incluir as pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho, mas também educar os outros indivíduos, mostrando que elas são dignas de fazer quaisquer atividades que eles também fazem, merecendo respeito como todas as pessoas. Assim, é possível proteger a saúde mental de quem está apenas tentando trabalhar.

3) Sentimento de rejeição

O sentimento de rejeição é um dos mais marcantes para a comunidade LGBTQIA+. Ele pode se desenvolver a partir de comentários e violências praticados pela própria família, que se sente no direito de dizer como eles deveriam amar, ser ou existir.

Mas, mesmo quando uma família é acolhedora, o perigo ainda existe nas ruas. Os olhares, os comentários e até as agressões físicas podem atingir pessoas LGBTQIA+ a qualquer momento, como se elas não fossem bem-vindas no mundo, tendo que se encaixar em um padrão que não lhes pertence.

Homem e mulheres em uma passeata segurando placas, pedindo respeito e proteção aos direitos LGBTQIA+
Motortion / Getty Images / Canva

Se todos dizem que uma pessoa não é querida, que ela deve deixar de existir, como ficará a saúde mental dela? Ela não terá motivos para continuar sendo quem ela é, para manifestar como se sente ou para demonstrar quem ama. Ela tem a própria individualidade limitada e cerceada. E isso pode desencadear desde depressão até estresse pós-traumático, no caso de quem sofre agressões em decorrência disso.

LGBTQIA+ e saúde mental

Levando em consideração a dura realidade que as pessoas LGBTQIA+ ainda enfrentam no Brasil e no mundo, nós precisamos, na condição de sociedade, transformar mentalidades. Além de conscientizar a população sobre as inúmeras maneiras de existir e de amar, é fundamental acolher aqueles que têm a coragem de ser quem são.

Uma pessoa LGBTQIA+ não deveria sentir medo de existir, trabalhar, andar pela rua, ter um encontro, usar a roupa de que gosta, falar do jeito que prefere. Ela não deveria sentir que é um problema para a sociedade e que não deveria estar entre nós. Nenhuma pessoa deve se sentir assim.

Dessa maneira, a campanha do Setembro Amarelo deve se estender a todos os grupos que compõem a comunidade, sobretudo aqueles que estão mais vulneráveis. Ao fazer isso, mostramos às pessoas LGBTQIA+ que elas são importantes, que a existência delas importa.

Você também pode gostar:

Então, durante o Setembro Amarelo e em todos os outros meses, faça a sua parte. Ouça o que as pessoas LGBTQIA+ têm a dizer, acompanhe-as nas redes sociais e leia o que escrevem. Apoie o trabalho delas, pagando por aquilo que elas produzem, se for possível. Ofereça o seu abraço e a sua escuta a quem precisa lidar com tratamentos tão desumanos e desrespeitosos.

Com base em cada informação apresentada, conclui-se que o Setembro Amarelo é uma campanha ampla, que deve atender a todos os públicos. Como as pessoas LGBTQIA+ estão sujeitas a preconceitos e violências diariamente, precisamos nos esforçar ainda mais para acolhê-las. Comece a movimentar seus amigos e seus familiares para fortalecer esse grupo vital para a sociedade!

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para colunistas@eusemfronteiras.com.br