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O que tem de tão atraente nas drogas?

Substâncias químicas sobre superfície de madeira.
Alexander Alexeev / 123RF

Acompanho terapeuticamente algumas pessoas que usam drogas lícitas ou ilícitas e sempre questiono esse comportamento. Algumas pessoas dizem que relaxam com o uso de determinada substância, outras que gostam de se sentir dormentes física e mentalmente. Além disso, há as que só desejam se entregar ao momento e não pensar na vida. Ou seja, parece uma boa saída para quem se sente estressado, sobrecarregado mentalmente ou com medo de enfrentar a vida. Ademais, há as que já estão tão acostumadas ao uso que nem se questionam por que o fazem ou por que deveriam parar de fazê-lo.

Acontece que todos passamos por momentos de estresse e medo, mas nem todos recorremos ao uso de substâncias entorpecentes para adiar o problema. O que difere uma pessoa da outra? Muitas coisas. A história de vida, a saúde psíquica, a personalidade, o tipo de enfrentamento mais usado diante de situações desafiadoras. Por exemplo, nesse último caso, a pessoa pode se habituar ao encolhimento diante dos problemas, não reagindo, sentindo-se incapaz de resolver a situação e alimentando a culpa. Além dessa atitude, ela pode responder com violência e transferir a responsabilidade do conflito ao outro. Há os que nunca pedem ajuda e ficam sobrecarregados, chegando ao limite da sanidade e buscando conforto nas substâncias, na maioria dos casos, na bebida alcoólica.

Em todas as situações relatadas, há um traço de depressão, ansiedade e insatisfação com a vida. E esses sentimentos, que levam a comportamentos que dificultam a comunicação, afastam as pessoas próximas, as quais poderiam auxiliar com apoio e convívio saudáveis. O contato interpessoal mais íntimo já se encontra prejudicado por esse motivo, restando para essas pessoas a interação social motivada pelo uso das drogas, pois, com esses parceiros, não se sentem julgados tampouco com a obrigação de mudar seu comportamento.

O que se pode perceber é que ocorre um fechamento emocional, resultante do modo de vida escolhido pela pessoa e o fato de que os traços de egoísmo também se acentuam devido a esse isolamento. A vida vai ficando difícil para a própria pessoa e para quem está perto. É claro que ninguém planeja se tornar um dependente químico, mas pode cair nessa situação caso não tenha os cuidados necessários para ter uma vida mais alegre e interativa. A saúde é resultado de um conjunto de comportamentos. O indivíduo precisa saber em que estágio desse processo se encontra para adequar suas escolhas ao seu desejo de ficar bem.

Homem apoia o corpo sobre uma mesa. Seu rosto está sobre os próprios braços e ele tem o semblante entristecido.
Andrew Neel / Pexels

A dificuldade para sair de uma situação de dependência química se apresenta nos padrões mentais alimentados pelas escolhas feitas dia após dia. Um padrão comportamental não nasce de uma hora para outra, pois ele é construído pelos pensamentos e sentimentos vividos diariamente. Se alguém só se lembra de momentos tristes da vida, fica remoendo atitudes que deveria ter tido em determinada situação ou mesmo pensando que algo de ruim está prestes a acontecer, o espaço mental estará sempre coberto de conflitos sem solução. Com isso, a criatividade desaparece e, com ela, as possíveis respostas para os acontecimentos da vida presente. É assim que funciona. Nosso cérebro é um computador, por isso precisa ser alimentado de informações corretas.

Depressão é uma doença e tem tratamento, com resultados muito eficazes. Ansiedade, como transtorno ou traço de personalidade, também tem tratamento, que melhora muito a vida do indivíduo, devolvendo-lhe a paz e permitindo que experimente a segurança novamente. Insatisfação com a vida pode ser uma experiência que auxilia a pessoa a melhorar algo de que ela não gosta ou pode ser uma questão emocional grave, que necessita de psicoterapia para que se promovam ajustes no modo de pensar e de agir, a fim de que se descubra a melhor forma de encarar as experiências sem se sentir dominado por elas.

O questionamento inicial pode ser usado individualmente, pois é sempre útil que nos perguntemos até que ponto estamos levando nossa vida quando desejamos usar drogas. Onde está o meu foco? O que me alegra? Quais são as pessoas com as quais posso contar? Por que prefiro me refugiar nas substâncias químicas? Sinto-me assim tão incapaz de cuidar de mim mesmo e de enfrentar meus fantasmas? Até quando vai deixar de lado aqueles que se importam com você?

Outros já passaram por esses questionamentos e conseguiram respostas favoráveis para si mesmos. Sendo assim, tudo é possível quando se quer de verdade.

Meu contato telefônico é 61-996722267 com a informação sobre atendimento on-line.

Sobre o autor

Leila de Sousa Aranha

Sou psicóloga clínica, formada em Jornalismo e com Mestrado em Psicopatologia e Saúde, com o tema de pesquisa sobre o Perdão Interpessoal.
Atendo pessoas de todas as idades em consultório particular há 15 anos e gosto muito do ser humano, de acompanhar o seu desenvolvimento e auxiliar a melhor lidar com as situações de sua etapa de vida.

Sou divorciada e mãe de duas mulheres de 31 e 27 anos. Gosto de arte marcial e treino Aikido. Sou vegetariana, aprecio a natureza e os animais e gosto de encontrar meus amigos com frequência.

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