Convivendo

O que são linguagem neutra e pronome neutro?

Uma mão com um giz escrevendo em uma lousa. Na lousa, um ponto de interrogação ao centro; à esquerda, "todes" e "bem-vindx" grafados. À direita "elu" grafado.
NEOSiAM 2020 de Pexels / Icons8 / Canva / Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Se você zapeia pelas redes sociais, certamente já deve ter dado de cara com pronomes como “elxs”, “el@s”, “iles” ou “elus”. Ou você ficou sabendo disso recentemente, não tem a menor ideia do que se trata e está buscando entender? Seja qual for o caso, preparamos um artigo com a intenção de explicar o que é esse tal pronome neutro, qual é a proposta da linguagem neutra e como lidar com ela.

É importante lembrar que este texto não tem como objetivo defender ou repudiar a proposta de linguagem e pronome neutro. Isso caberá a você, depois de ler e entender sobre o assunto.

Tempos de progresso

Antes de explicar o que é linguagem neutra e pronome neutro, cabe uma contextualização. Os tempos modernos, em que quase todos temos acesso à internet e às redes sociais, vêm dando voz e espaço para pessoas que, nas décadas passadas, não encontravam nos meios de publicação tradicionais uma oportunidade de se expressar e divulgar suas ideias.

Ainda que pessoas trans, por exemplo, existam desde que o mundo é mundo, foi só agora, com o advento das plataformas que permitem a qualquer um publicar, que elas puderam começar a se expressar livremente e também se conectar a outras pessoas com situação e interesses afins.

7 dados com as letras L G B T Q I A. À direita, pedaços retangulares representando as cores LGBTQIA+, roxo, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho.
hyejin kang / Getty Images / Canva / Eu Sem Fronteiras

Em meio a esses diálogos e compartilhamentos, muitas novidades vêm sendo discutidas quando o assunto é LGBTQIA+. E uma delas é a linguagem neutra, que tem como objetivo transformar o nosso idioma e a nossa comunicação, com o objetivo de torná-los mais inclusivos e tolerantes.

O que é linguagem inclusiva?

Já há alguns anos, vem sendo discutido um conceito chamado de linguagem inclusiva. O objetivo desse modelo de comunicação é comunicar sem que nenhum grupo se sinta excluído ou invisibilizado, mas também sem alterar as estruturas do idioma, apenas aproveitando-se das ferramentas e palavras que ele oferece.

Bons exemplos disso são frases como “bom dia a todos e todas” ou “feliz Dia do Médico e da Médica”, em vez de “bom dia a todos” ou “feliz Dia do Médico”. Em nosso idioma, é comum que, quando tratamos de coletivo, optemos pelas palavras masculinas, então “todos e todas” viram apenas “todos” e “pais e mães” viram apenas “pais”, apenas para citar um exemplo. O intuito da linguagem inclusiva, portanto, é fazer com que tanto homens quanto mulheres sejam incluídos, evitando substantivos, pronomes e adjetivos que incluam somente o gênero masculino.

O que é linguagem neutra?

Mais recentemente, novas discussões vêm surgindo a respeito da necessidade de incluir em comunicações as pessoas não-binárias, isto é, que não se identificam plenamente com o gênero masculino nem com o gênero feminino — e há entre esses dois gêneros muitas variações, como agênero (ausência completa de identificação com gêneros), pangênero (viver todos os gêneros possíveis e acessíveis, sem definições), bigênero (identificação com os gêneros masculino e feminino), dentre muitas outras.

Se, por exemplo, há pessoas que não se identificam com o gênero masculino ou feminino ou que têm outra identidade que fuja desse padrão binário, dizer apenas “bom dia a todos e todas” deixa de inclui-las, certo?

Pequenas peças retangulares dispostas sobre um fundo azul. Todas são brancas, mas entre elas uma vermelha se destaca, se inclinando.
Tetiana Kulchytska / Canva / Eu Sem Fronteiras

Por isso é que alternativas que não respeitam as normas cultas da Língua Portuguesa, que é um idioma que exige os gêneros masculino e feminino em sua comunicação formal, vêm sendo utilizadas como alternativas possíveis entre aqueles que são transgênero e não se identificam com os pronomes, substantivos e adjetivos com terminações masculina ou feminina.

Então surgem maneiras novas de escrever palavras, como “amigxs”, tod@s” e “todes”, por exemplo, que substituem as terminações “a” e “o”, normalmente associadas ao gênero feminino e masculino, respectivamente, por alternativas que incluam aqueles que são transgênero.

O que é pronome neutro?

Um dos principais assuntos quando falamos de linguagem neutra é o pronome neutro, que tem movimentado discussões nas redes sociais e na vida fora das telas, até mesmo entre pessoas que não são LGBTQIA+.

O pronome neutro nada mais é do que o uso de pronomes alternativos e que fujam das regras da norma culta da língua portuguesa para incluir pessoas não-binárias. Em vez, por exemplo, de “ele/ela” ou “dele/dela”, usa-se “elu” ou “ile” e “delu”.

É importante dizer que, por ainda ser um tema novo e que gera debates, inclusive a respeito de sua viabilidade no idioma, não há regras para o uso de pronomes e de linguagem neutra, então enquanto algumas pessoas prefere escrever “elu”, outras prefere “elx” ou “el@”.

E como fica a Língua Portuguesa?

O português, como outros idiomas derivados do latim, como o espanhol, tem marcações de gênero em quase todas as suas palavras. “Mesa” é um substantivo feminino. “Amuado”, um adjetivo masculino, e assim por diante. Apenas para mostrar as diferenças dos idiomas, em inglês, “table” (mesa) e “sad” (triste) são palavras sem gênero nenhum: “sad boy” e “sad girl” (garoto triste e garota triste) escrevem-se sem alteração de gênero no adjetivo.

Um marcador de texto rosa sublinhando a palavra "Portuguese".
Devonyu de Getty Images / Canva / Eu Sem Fronteiras

Há quem defenda que o nosso idioma não permite flexibilizações como a linguagem neutra justamente porque está em sua estrutura a diferenciação entre gênero masculino e feminino e, para implementar algo assim, seria preciso reeducar toda a população ou esperar que essa mudança fosse algo espontâneo, como a mudança, no século XIV, de “vosmecê” para “você”, que aconteceu naturalmente entre as pessoas.

Já aqueles que defendem o uso da comunicação inclusiva defendem que o modo como nos expressamos transparece os nossos valores e as nossas crenças, então manter uma comunicação que inclua somente dois gêneros possíveis e que tenha coletivos que flexionem sempre para o gênero masculino mostra uma sociedade pouco preocupada com as necessidades e os desejos dos transgêneros e que se mantém patriarcal, colocando o homem acima da mulher. Para eles, a língua precisa se dobrar à realidade e se adaptar, em vez de limitar.

Outros exemplos de linguagem neutra

Além do uso de pronomes neutros e da tentativa de inclusão de todos os gêneros na comunicação, outras ideias são defendidas por aqueles que advogam por uma linguagem mais inclusiva. Confira algumas delas:

Você também pode gostar

• Em vez de usar substantivos masculinos quando o assunto for coletivos, buscar palavras coletivas que demonstrem diversidade. Ex.: “a juventude”, em vez de “os jovens”, “a diretoria”, em vez de “os diretores”;

• Quando possível, identificar instituições e grupos com substantivos inclusivos, em vez de coletivos masculinos. Ex.: “a policial”, em vez de “os policiais”, “a classe trabalhadora”, em vez de “os trabalhadores”.

Agora que você entendeu o que é linguagem e pronome neutro, o que você acha dessa ideia? Na sua opinião, devemos tentar fazer essa tentativa de inclusão em nossa comunicação ou é preciso manter-se inflexível quanto às regras já estabelecidas no nosso idioma? Compartilhe a sua opinião conosco!

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para colunistas@eusemfronteiras.com.br