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Coisas que você precisa saber sobre os assexuados

Cubos de madeira com os escritos "asexual" vistos de cima.
lightfieldstudios / 123rf
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

No final dos anos 1940, um biólogo chamado Alfred Kinsey desenvolveu a Escala Kinsey, que avalia o comportamento sexual de um indivíduo, classificando-o como heterossexual, bissexual, homossexual ou assexual. Naquela época, ele identificou que aproximadamente 1% da população mundial não tem interesse em sexo, sendo assim considerado assexual.

Décadas depois, em 2018, o Programa de Estudo da Sexualidade, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, apontou que esse índice é ainda maior. No Brasil, foco do estudo, 7,7% das mulheres e 2,5% dos homens, de 18 a 80 anos de idade, não se interessam por sexo.

Esses dados mostram que as pessoas que não se interessam por sexo estão presentes na sociedade e precisam ser compreendidas. Você achava que todas as pessoas gostavam de sexo? Você se enganou! Aprenda mais sobre os assexuais, a seguir, e se atualize!

Assexuados ou assexuais?

Como a assexualidade ainda é um tabu na sociedade, muitas pessoas cometem equívocos ao falar sobre ela. Muitos usam a palavra “assexuados” para falar sobre os indivíduos assexuais, mas essa classificação está incorreta.

Nos Estados Unidos da América, os primeiros textos sobre essa questão traziam o termo “asexual”, em inglês. Ele foi traduzido para o português como “assexuado”, ou “assexuados”, no plural.

Porém, em português, “assexuado” significa também um organismo desprovido de órgãos sexuais, que se reproduz por meio da repartição do próprio corpo, o que não é o caso de pessoas assexuais.

Bandeira da assexualidade.
Foto: Reprodução

A expressão “assexuados” já foi utilizada, mas não é correto continuar usando-a. Seria o mesmo que dizer que uma pessoa é “heterossexuada”, “homossexuada” ou “bissexuada”. Se assexual é uma orientação sexual, ela deve ser nomeada como todas as outras.

Assexualidade não é celibato

O conceito de celibato classifica as pessoas que escolhem ser solteiras. É comum que padres de igrejas católicas o pratiquem, por exemplo, para que se dediquem somente à religião. Por outro lado, a assexualidade é uma orientação sexual que caracteriza as pessoas que não sentem atração sexual por outras, ou não se interessam por sexo. Ser assexual não é uma escolha, como é o caso do celibato.

Ou seja, o celibato não é um sinônimo de assexualidade e vice-versa. Um padre pode escolher não se envolver romântica e sexualmente com outra pessoa, ainda que ele sinta atração sexual por pessoas do mesmo sexo e/ou do sexo oposto. Ao mesmo tempo, uma pessoa assexual pode se envolver romanticamente com alguém, deixando de ser solteira.

Mulher branca segurando pedaço de papel branco sobre os olhos.
Sharon McCutcheon / Unsplash

O que define a assexualidade não é ausência de laços românticos com outras pessoas, ou a escolha de não manter relações sexuais. Uma pessoa assexual não sente vontade de praticar sexo com outra pessoa, nem se interessa por essa atividade. Mas há uma exceção a ser considerada. Entenda!

Masturbação e assexualidade

A masturbação é o ato de provocar prazer em si a partir do estímulo dos próprios órgãos sexuais. Em geral, ela é praticada por pessoas que sentem atração sexual por outras, mas isso não é uma regra. Pessoas assexuais podem praticar masturbação, mas de um jeito diferente do que a maioria das pessoas conhece.

A masturbação para uma pessoa assexual não é focada em imaginar outra pessoa durante o ato. É uma forma de expressar um sentimento de desejo sem que haja um sujeito desejado. Assim, o estímulo dos órgãos sexuais pode provocar uma sensação de prazer e um alívio, ainda que não haja interesse sexual em outras pessoas.

A prática da masturbação por pessoas assexuais também não é uma regra. Embora esse seja o caso de algumas pessoas, não representa a comunidade como um todo. Há assexuais que podem não se interessar por masturbação, mesmo que não haja o pensamento em outra pessoa, e não há qualquer problema nisso.

Subclassificações da assexualidade

Pedaço de papel com a sigla "LGBTQIA" nas cores do arco-íris.
Sharon McCutcheon / Unsplash

A Rede de Educação e Visibilidade Assexual – AVEN (Asexual Visibility and Education Network) elaborou subclassificações para a assexualidade para facilitar a compreensão sobre essa orientação assexual e para que mais pessoas pudessem compreender como elas se classificam nessa comunidade. As principais subclassificações são:

1) Romântico

Uma pessoa assexual romântica é aquela que sente vontade de se envolver romanticamente com alguém, ainda que não sinta atração sexual pela outra pessoa. Ela pode se apaixonar e namorar ou se casar com alguém do sexo oposto, sendo heterorromântica; com alguém do mesmo sexo, sendo homorromântica; ou com pessoas de ambos os sexos, sendo birromântica.

2) Arromântico

A pessoa que é assexual arromântica, diferentemente da assexual romântica, não sente vontade de se envolver romanticamente com alguém, além de não sentir desejo sexual. Essa pessoa não tem interesse de namorar ou de se casar com alguém, além de não se apaixonar.

3) Lithromântico

Quem é assexual lithromântico pode se apaixonar por uma pessoa, mas não tem o desejo de concretizar essa paixão com um relacionamento ou com um ato sexual. É uma relação platônica, por assim dizer, já que não haverá contato entre as duas ou mais pessoas.

4) Gray-a

Uma pessoa assexual gray-a é aquela que pode vir a sentir desejo sexual em situações muito específicas. Esse interesse por sexo, que pode ser repentino, não desqualifica uma pessoa como assexual, de acordo com essa classificação. É apenas uma forma diferente de manifestar a orientação sexual.

Bandeira assexual com marcas de mãos em tinta preta.
Mikhail Tsikhanovich / 123rf

5) Demirromântico

O demirromântico é mais conhecido como demissexual, sendo caracterizado como uma pessoa que é capaz de sentir atração sexual por alguém, desde que tenha sentimentos românticos por ele antes disso. Ou seja, a pessoa só quererá se envolver fisicamente com outra se for apaixonada por ela.

O que é uma pessoa arromântica?

Como apresentado anteriormente, uma pessoa arromântica se enquadra na comunidade assexual e não sente desejo de se envolver romanticamente com uma pessoa. Não há interesse por sexo ou por um relacionamento amoroso, como um namoro ou um casamento.

Ainda assim, essa pessoa pode desenvolver laços afetivos com familiares e amigos. A falta de interesse romântico ou sexual não é um indicativo de que essa pessoa é incapaz de construir fortes laços de amizade, por exemplo.

Relacionamentos amorosos para assexuais

Considerando-se as subclassificações das pessoas assexuais, é possível compreender que uma pessoa assexual pode se envolver romanticamente com outra pessoa. No caso de uma pessoa gray-a ou demissexual, é possível até mesmo se envolver sexualmente com alguém.

É importante considerar que o relacionamento amoroso sem sexo não está necessariamente atrelado à assexualidade. Então, ao mesmo tempo em que uma pessoa pode se envolver romanticamente com outra, sendo assexual, ela também pode querer um relacionamento amoroso com relações sexuais, ou ainda pode não querer se envolver romanticamente ou sexualmente.

Não há uma forma de generalizar todas as pessoas que são assexuais. É preciso conhecer cada uma delas para entender como elas se definem, em que acreditam e o que sentem. E lembre-se de que a assexualidade não é uma opção ou uma escolha, é uma orientação sexual, assim como a heterossexualidade, a bissexualidade e a homossexualidade.

A felicidade e a assexualidade

Para as pessoas que são sexuais, pode ser difícil imaginar que uma vida sem sexo ou sem um relacionamento amoroso pode ser feliz. Essa é uma ideia preconcebida de que a própria forma de viver a vida é sempre a única possível, mas a verdade é que a felicidade se manifesta de inúmeros jeitos.

Uma pessoa assexual pode ser feliz como nasceu, sem se envolver sexualmente ou romanticamente com alguém, ou fazendo isso, dependendo de como se classifica. Uma pessoa assexual pode até mesmo se envolver romanticamente com uma pessoa sexual, porque o sexo nem sempre é o principal pilar de um relacionamento.

É preciso compreender a sexualidade como um dos elementos que constituem uma vida, e não como a vida inteira. Existem muitas outras questões que interferem na existência de uma pessoa e que afetam a forma como ela se sente, sendo que a sexualidade é só uma delas.

Palavra "Asexuality" escrita em giz numa lousa.
alexmia / 123rf

Sendo assim, uma pessoa assexual pode ser feliz, assim como uma pessoa heterossexual, bissexual ou homossexual. É claro que há fatores que podem tornar uma pessoa triste, mas o fato de ela ser assexual não é uma sentença de infelicidade.

Para discutir sobre o tema

A Rede de Educação e Visibilidade Assexual – AVEN (Asexual Visibility and Education Network), citada anteriormente, foi criada em 2001 pelo estadunidense David Jay. Até os dias atuais, ela é o principal fórum de discussão na internet sobre assexualidade. Se você se interessa por esse assunto ou se identifica com essa orientação sexual, aprenda mais sobre ela!

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