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A orientação sexual pode mudar ao longo da vida?

Um homem sendo maquiado.
Sharon McCutcheon / Pexels
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Se você leu o título desse artigo e está em busca de uma resposta simples, a resposta é “sim, a orientação sexual pode mudar ao longo da vida”. Ainda que seja possível responder a essa pergunta de maneira assim tão reduzida, esse é um tema complexo e que precisa de algum contexto e de algumas explicações para ser exposto em sua totalidade.

Por isso preparamos este artigo para explicar de que forma a mudança de orientação sexual pode acontecer e, é claro, explicar algumas coisas mais simples, como o que é orientação sexual, que é o nosso ponto de partida. Confira!

O que é orientação sexual?

Ainda que essa pergunta possa parecer óbvia demais para algumas pessoas, especialmente para aquelas que são LGBTQIA+, a verdade é que esses temas ainda são novidades para muitas pessoas, que tendem a confundir sexo, gênero e orientação sexual. Dessa forma, aqui vão algumas explicações:

Um boneco que sinaliza o sexo feminino e, à direita, um que simboliza o sexo masculino.
Magda Ehlers / Pexels

De maneira resumida, sexo é o sexo biológico com o qual nascemos, definido pelo nosso órgão genital e sistema reprodutor (pênis e próstata, para homem; vagina e útero, para mulher). O gênero, por sua vez, é uma construção social que depende da maneira como cada pessoa se vê; uma pessoa que nasceu homem pode se identificar com o gênero feminino, e vice-versa. E essa identificação depende de fatores como aparência física, comportamento, moda, personalidade, entre muitos outros motivos.

Já a orientação sexual, que é o nosso foco aqui, diz respeito ao tipo de pessoa que atrai alguém. As orientações sexuais mais “tradicionais” são: heterossexual (sentir atração por pessoas do sexo/gênero oposto), homossexual (sentir atração por pessoas do mesmo sexo/gênero) e bissexual (sentir atração por pessoas de ambos os sexos/gêneros).

Só existem 3 orientações sexuais?

Não. A diversidade é muito grande e, provavelmente, infinita. Já se foi o tempo em que a sexualidade e a atração sexual, física e romântica, era resumida entre hétero, homo ou bi, porque vivemos tempos em que as pessoas finalmente têm entendido que é possível manifestar seu desejo de maneiras diferentes. Confira algumas orientações sexuais diferentes das três já apresentadas:

Um plano de fundo com as cores do movimento LGBTQIA+. Se sobrepondo, dados com cada uma das letras do LGBTQIA+.
freepik / freepik

Assexual (não sente atração sexual/romântica nenhuma ou apenas em situações ou momentos específicos);

Pansexual (sente atração independentemente de gênero);

Demisexual (sente atração sexual somente após criar vínculos emocionais);

Placiossexual (sente desejo de performar atos sexuais em alguém, mas pouco ou nenhum de recebê-los);

Litossexual (sente atração somente por pessoas que não demonstrem interesse; se passam a demonstrar, a atração desaparece);

• Entre muitos outros.

Afinal, a orientação sexual pode mudar?

Sim! Absolutamente, sim. A propósito, você pode até mesmo conhecer ou ter ouvido falar sobre alguém que viveu um casamento ou diversos relacionamentos heterossexuais por anos e, em algum momento da vida, começou a se relacionar com pessoas do mesmo sexo. Ou o contrário: alguém que sempre se relacionou com pessoas do mesmo sexo, mas em algum momento começou a se relacionar com alguém do sexo oposto.

Semblantes masculinos maquiados.
Anna Shvets / Pexels

As definições citadas anteriormente são apenas teóricas e servem como rótulos para que possamos entender a orientação sexual das pessoas, mas a verdade é que ela é fluida e bastante mutável ao longo da vida, porque estamos sempre expostos a muitos estímulos, descobrimos novos desejos, frustramo-nos com outros, realizamos alguns, mudam-se os nossos padrões estéticos. Enfim, as variações são tantas e tão individuais que seria impossível dizer por que elas acontecem.

Muitas pessoas costumam lidar com a orientação sexual como um carimbo definitivo, algo permanente, mas é preciso se permitir desconstruir essa ideia. Sim, uma pessoa pode passar a vida toda sentindo atração, por exemplo, por pessoas do sexo oposto e não conseguir se imaginar com pessoas do mesmo sexo, enquanto outras podem passar a vida sem conseguir dizer se são homo, bi, hétero ou qualquer outra definição possível. E tudo bem! Não existe certo ou errado quando falamos em sexualidade.

Errado é somente não se permitir explorar os seus desejos ou tentar impedir, constranger ou ser violento com quem está explorando.

Minha orientação sexual mudou ou está mudando, e agora?

Não há nenhum motivo para pânico. Não há nada de errado com você, nenhum problema, nenhum transtorno psicológico, doença ou mal de outro tipo. Você mudou ou está mudando, assim como muitas outras coisas mudaram na sua vida ao longo da sua caminhada.

Se você está assustado, curioso, preocupado ou algo do tipo com o que vem percebendo a respeito da sua sexualidade, a melhor opção é conversar com alguém que tenha sido preparado para lidar com situações como a sua. Ainda que existam psicólogos focados em questões de gênero e sexualidade, qualquer terapeuta pode ajudá-lo a passar por esse momento de exploração, descobertas e mudanças.

Duas mulheres negras dando as mãos, deitadas numa cama. Uma delas, a situada à direita, veste uma pulseira com as cores do movimento LGBTQIA+.
Monstera / Pexels

Caso você esteja em um relacionamento heterossexual, por exemplo, e esteja explorando a bissexualidade, a homossexualidade ou outra definição, lembre-se de agir com bastante cautela e ética com o seu parceiro ou a sua parceira. Tenha em mente que, antes de sair explorando sua sexualidade por aí, você deve respeito à pessoa que está dividindo a vida com você, então, sempre com diálogo e compreensão, pense a respeito do que é melhor fazer com o relacionamento.

Se, porém, você não está em um relacionamento com ninguém, que tal explorar as possibilidades e a sua sexualidade? Claro, faça tudo com segurança, não se coloque em situações desconfortáveis, agressivas ou incômodas e lembre-se: não é não. Você não é obrigado a fazer nada que não queira, mesmo que perceba só durante alguma situação que não gosta.

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Enfim, assim como muitas características da nossa personalidade se transformam ao longo da nossa caminhada da vida, a maneira como manifestamos nossos desejos e a atração física (sexual e romântica) que sentimos pode mudar e se transformar enquanto vivemos. O que você precisa ter em mente é: você é livre para explorar sua sexualidade como quiser, sem rótulos e amarras. Ah, e não se esqueça de procurar a ajuda de psicoterapia se estiver precisando conversar com alguém que vai se colocar à disposição para ouvi-lo e auxiliá-lo. Viva plenamente!

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