Autoconhecimento

O Ser e o nada

Refletir sobre o Ser é um exercício que devemos fazer enquanto sociedade e enquanto indivíduos. No artigo a seguir, você vai entender como a sua essência pode viver meio às normas e em meio ao nada. Use seus conhecimentos em filosofia para explorar os detalhes sobre o tema reflexivo que apresentamos.

O ser humano atualmente não vive em harmonia com a natureza, como nos primórdios de sua existência. Muitos mitos antigos, incluindo o da Expulsão do Paraíso, refletem uma profunda separação entre o ser humano e o Todo, como se fôssemos verdadeiramente expulsos da Casa do Pai. Essa divisão é marcada pelo desenvolvimento do Ego ou, como os cientistas afirmam, pelo surgimento do neocórtex – uma área do cérebro responsável pela capacidade de raciocínio.

Desde então, deixamos de viver de forma integrada e nos tornamos seres duais, passando a experimentar dores e dificuldades para nos adaptarmos a normas e regras que se tornaram necessárias para nossa sobrevivência.

Deixamos de ser naturais e nos tornamos “normais”.

O “homem normal” é aquele que vive em um ambiente artificial, regido por modelos e obrigações, totalmente inconsciente de sua natureza espiritual, guiado por preocupações, medos e obsessões, escravo de sua própria ignorância e manipulado por sistemas que o cercam. Jean Yves Leloup nos ensina que “normal” é aquele que segue as normas.

Como consolo para esse homem, há em sua essência um outro ser, com uma consciência poderosa, incontaminada e indestrutível, aquele que chamaremos de “Homem Natural”. Trata-se simplesmente da Centelha Divina, o Self, o Observador, que se manifesta por meio da intuição, dos insights, dos sonhos, aquela voz interior que nos guia para tomar as melhores decisões, muitas vezes negligenciada e desprezada pela razão (ego).

Essa voz é o nosso Cristo Pessoal, nosso Eu Superior, a instância que observa e espera o desdobramento dos conflitos psicológicos nos quais nos envolvemos para um dia poder manifestar-se em toda a sua plenitude.

Homem olhando para máscara de teatro
DmitriyAnaniev / DepositPhotos

O Homem Natural está conectado com o Todo, enquanto o homem normal está conectado com o mundo material.

Esse homem, aprisionado pelo mundo, vive em luta contra o passado, travando batalhas contra culpas, arrependimentos, remorsos, frustrações, desejos e indignidades, ou seja, contra todos os registros afetivos e emocionais criados por suas experiências mundanas. Enquanto isso, o Homem Natural representa a Consciência, enquanto o homem normal é dominado pelo medo.

O Homem Natural, embora a grande maioria da humanidade não perceba, está sentado no trono do nosso Ser, observando e determinando os meios para expandir a consciência. É por meio dessa expansão que o homem normal, que vive na escuridão, pode parar de criar problemas para si mesmo e se render, prostrando-se diante do Grande Imperador da alma: seu verdadeiro Eu.

Para isso, o Homem Natural, esse Imperador, não abre mão da força, da violência e da impiedade, pois sabe que é através do sofrimento que as ilusões criadas pelo homem normal podem ser dissolvidas.

Por meio da meditação, da oração, dos mantras e assim por diante, o homem normal enfraquece, e o Homem Natural se manifesta.

O homem normal é representado, por exemplo, por Zaqueu, o publicano que subiu na árvore para se colocar acima dos outros homens, talvez uma clara representação do orgulho e da vaidade comumente utilizados pelo homem normal para se elevar acima dos demais.

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O Homem Natural é representado por Jesus, que pediu para que Zaqueu descesse, diminuísse o tamanho dessa personalidade egocêntrica criada e se colocasse no mesmo nível do Espírito.

O resultado é a afirmação de que a Salvação entrou naquela casa, ou seja, naquele Ser.

Sobre o autor

Paulo Tavarez

Instrutor de yoga, pedagogo, escritor, palestrante, terapeuta holístico e compositor. Toda a minha vida tem sido dedicada à construção de um mundo melhor.

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