Autoconhecimento

Olhar e acolher para transformar

Mulher branca de costas num campo de girassóis.
DESIGNECOLOGIST / Unsplash
Escrito por Priscilla Herrerias

O corpo existe no presente e a respiração acontece no presente, por isso voltar nossa atenção ao corpo e ao ar que entra e sai de nossos pulmões nos leva a um estado meditativo, de presença e de escuta, em que pouco a pouco aceitamos a gravidade e deixamos ceder o peso do corpo para a mãe Terra.

Ao olharmos nosso corpo, estamos vendo nossa própria história: as experiências que vivemos ao longo de nossas vidas vão dando forma ao nosso corpo; o modo como tocamos o chão, o modo como respiramos, a flexibilidade de nosso pescoço, por exemplo, são resultados das diferentes experiências pelas quais passamos e o modo como lidamos com elas; assim, nosso corpo é nossa história viva.

E o corpo é sábio. Quando necessário, cria estratégias para que atravessemos tempestades, compensações para desajustes e se adequa aos desafios de nossa jornada. Por vezes, persegue nossa mente inquieta, para dar conta de tudo que acreditamos desejar, precisar, alcançar…

Por isso é preciso escutá-lo e, se não ouvirmos verdadeiramente os esforços do corpo, se não olharmos para as feridas que construíram certos padrões, vamos nos tornando seres rígidos, doloridos e tensos. Por vezes, a couraça criada para nos proteger de uma determinada situação acaba também ao longo do tempo por nos isolar. Ademais, protege-nos da tristeza e nos “protege” igualmente da alegria, impedindo que disfrutemos de uma vida plena.

Ombro de mulher branca com o rosto virado.
freestocks / Unsplash

Abrindo um espaço de escuta, podemos identificar esses padrões, essas tensões e esses bloqueios e deixarmos que se transformem. Nem sempre é um trabalho fácil, pois precisamos de coragem para os primeiros passos, visto que esse é um caminho do coração. Em minha prática, noto que é preciso acolher os incômodos, as tensões, as dores. É óbvio que conviver com a dor é algo extremamente desafiador, para não dizer enlouquecedor muitas vezes. Há, entretanto, um momento em que não resta outra saída a não ser para dentro.

Acolher a dor, as tensões e os incômodos significa não sermos juízes de nós mesmos, mas, sim, generosos em nossa escuta, compreendendo que a construção de tensões, de couraças e de compensações foram estratégias de sobrevivência desenvolvidas pela inteligência do corpo, as quais precisam ser olhadas com todo nosso amor.

Após acolhermos a dor em nós mesmos, podemos pouco a pouco relembrar o corpo de que não precisamos mais desses ajustes, de que nosso sistema está preparado para lidar com a situação de novas maneiras e que podemos transformar a rigidez em fluidez, retomando e abrindo novos espaços internos.

Você também pode gostar

Quando nos dispomos a escutar, é impressionante como o corpo tem tanto a nos dizer… como está tudo em nós, como temos o infinito dentro. Quando nos damos permissão para sentir, algo em nós se destampa e o rio volta a fluir e, sem esforço, a vida volta a ganhar colorido, há mais leveza, mais risos e mais espaço, tanto fora quanto dentro de nós.

Quando oferecemos amor, multiplicamos amor.

Podemos, portanto, começar a transformar a nós mesmos e o mundo.

Sobre o autor

Priscilla Herrerias

Sou formada em artes cênicas, pesquisadora das artes do corpo e do movimento. Seguindo esse caminho, comecei a me aproximar das terapias corporais. Sou formada em Myofascial Energetic Release (Liberação Miofascial Energética), uma terapia de toque profundo e consciente, pelo criador da técnica, Satyarthi Peloquin. Atualmente atendo em São Paulo, na Vila Mariana.

Contato:
Email: infinitodentro@gmail.com
Facebook: deepbodywork
Instagram: @infinitodentro