Autoconhecimento

Os meus porquês

Um homem com a mão no queixo. Ao fundo, várias ilustrações com símbolos de interrogação.
stunningart / 123rf
Escrito por Luis Lemos

A arte do questionamento é milenar. Surgiu com o povo grego quando o mundo natural já não dava conta de explicar a realidade, originando, daí, a Filosofia. Em poucas palavras: a Filosofia é a arte do questionamento.

Os gregos eram ensinados, desde criança, a fazer perguntas. Eles sabiam que somente o questionamento leva à verdade. Por isso, Sócrates dizia: “O homem sábio pergunta, o ignorante responde”.

Seguindo essa sabedoria socrática, eis aqui os meus porquês: em dias difíceis, como estes que estamos vivendo agora, onde você encontra conforto? Na comida? Na fé? Na família? Nos estudos? Nas drogas? Sem querer ser reducionista, eu acredito que a Arte, isto é, a Beleza, oferece ao ser humano prazeres que transcendem a dureza do cotidiano.

Uma mulher de cabelos trançados colocando sua mão sob o queixo em gesto de dúvida.
Robin Higgins / Pixabay / Eu Sem Fronteiras

Gosto de pensar também que a Beleza não é natural, mas um processo de dedicação contínua. No futebol de campo, será que uma bela jogada surge naturalmente, sem treinamento? Não! A Beleza exige luta, dedicação, empenho. Exige perfeição moral.

Há muito tempo, queria ler o romance “Olhai os Lírios do Campo”, de Erico Verissimo, mas não encontrava tempo. Não é que, neste período de pandemia, eu consegui desfrutar esse prazer literário?

Na verdade, tudo depende do que fazemos com o pouco ou o muito tempo que temos. Tudo depende de nossas escolhas, de nossa dedicação, do que fazemos com gosto, com amor, com carinho; tudo depende dos nossos porquês.

Por que você não reserva um tempo para você mesmo? Por que você passa tanto tempo online em vez de conversar com as pessoas reais? Por que você não reage a tantas injustiças? Por que você acredita tanto em fake news?

Uma mulher de casaco verde sentando próxima à borda de um rio.
Keenan Constance / Pexels / Eu Sem Fronteiras

Por que você continua acreditando no futuro e se esquece do presente? Por que você vive esperando um “salvador da pátria”? Por que você acredita no discurso político e contesta as evidências da ciência?

Por que a dúvida não faz parte da sua vida? Por que você se diz cristão, mas esquece de ser solidário? Por que o ser humano está perdendo a humanidade? Por quê? Por quê?

Por que, muitas vezes, agimos como fariseus? Você sabe o que é um fariseu? Fariseus são pessoas que são hipócritas, completamente falsas e encenam tudo que fazem, enquanto fingem ser boas, gentis e positivas.

Somos ou não somos fariseus? Se não buscamos a verdade, se não questionamos, se continuamos acreditando em políticos corruptos, se não entendemos a verdade, então é isto que somos de fato: fariseus!

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Ou você acha que eu estou sendo deselegante chamar você de fariseu? Prove-me o contrário! Por fim, estes são os meus porquês. Identificou-se com algum destes meus porquês? Qual é a sua opinião? Deixe-nos um comentário no final do texto. Seu comentário é muito importante para o nosso trabalho. Grato.

Sobre o autor

Luis Lemos

Filósofo, professor universitário e escritor, autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016); Jesus e Ajuricaba na terra das Amazonas - Histórias do universo amazônico (2019).

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