Educação dos filhos

Pais permissivos, filhos abusivos.

Mãe e filho com as cabeças encostadas com rosto de triste
Silvia Malamud
Escrito por Silvia Malamud

Antigamente, mas em um tempo não muito distante, filhos saíam de casa mais cedo porque se casavam mais jovens ou porque haviam chegado a uma idade em que moralmente percebiam que deveriam partir ou contribuir financeiramente em casa. Fosse o que fosse, faziam de tudo para se manterem. Costumavam também reconhecer todas as atitudes e esforços dos pais.

Mãe carregando filho no colo

A grande maioria dos genitores não mediu esforços pela educação de suas crias, não como uma obrigação, mas imbuídos de atos de amor que muitas vezes aconteciam dentro de contextos bastante difíceis.

Tenho pacientes mais velhos que se recordam de terem oferecido parte de seus primeiros salários aos seus pais, como gratidão. Outro paciente, logo que se viu mais abonado, comprou um carro novo para o seu pai, pois o mesmo não teria condições de trocar o que tinha e que estava bastante desgastado. Filhos reconheciam muitos sacrifícios que os pais faziam em nome de dar o melhor a eles e constantemente exerciam atos de gratidão, afinal estavam ficando mais velhos e mereciam mais atenção e conforto. Esses novos adultos sabiam que possuíam a juventude e toda uma vida pela frente, então não eram egoístas e tinham a capacidade de enxergar o outro.

Pai e filho se abraçando na sala da casa

Jovens de hoje, quando questionados sobre abusos financeiros que podem estar cometendo em relação aos pais, ainda ousam dizer que não pediram para nascer e que é obrigação dos mesmos cuidar deles, independentemente da idade.

Pais da atualidade tornaram-se eternos devedores de filhos, que, neste aspecto, infelizmente estão bastante infantilizados, para não dizer adoecidos. Mesmo aqueles que não falam abertamente comportam-se como se fosse obrigação dos pais mantê-los numa idade em que seria vergonhoso não se bancarem. Estes jovens, inclusive, poderiam passar algumas dificuldades, como muitos dos pais passaram no início das suas vidas e sobreviveram.

Notem que não estou abordando neste tema filhos sindrômicos, mas filhos “comuns” e da nossa atualidade, mas que ao meu ver também se encontram bastante adoecidos, com a doença do narcisismo exagerado somado a um egoísmo infinito. A maioria destes racionaliza causas e deveres dos pais em nome de si, esquecendo-se de onde vieram e dos esforços que foram feitos para criá-los. Acham que tudo veio pronto. No celular abre-se uma tela e de imediato pode surgir uma imagem do outro lado do planeta. Ao que parece, as suas demandas emocionais cegamente se rebelam para este tipo de imediatismo afetivo, o que é totalmente impossível.

Mulher sentada no chão do quarto encostada na cama

E por que os pais de hoje não se rebelam? Será que temem a ameaça da perda do amor e o mau humor de seus filhos? Será que estes filhos, totalmente inconscientes, estariam funcionando de modo perverso para com os seus genitores, como os tais narcisistas perversos do século XXI?

Pais da nossa atualidade, ao temerem este tipo de confronto, tornam-se reféns dos seus filhos, então o que era permissividade e amor transforma-se em terror, devoção cega e medo.

Você também pode gostar

Como fazer com que estes filhos adultos se tornem adultos num sentido maior? Será que a vida, por si só, fará este serviço? Às vezes sim, mas enquanto isso o tempo está passando, os pais estão envelhecendo e muitos adoecendo por causa dos sentimentos de impotência e tristeza.

Desejo que este breve artigo possa ajudar no despertar de ambas as partes e que novos e melhores cenários possam ser redesenhados a partir do ganho de consciência.

Que possamos viver com mais empatia, reconhecimento e gratidão.

Quanto mais despertos, melhor!

Sobre o autor

Silvia Malamud

Silvia Malamud

- Psicologa
- Especialista em temas relacionados ao Abuso Emociona com narcisistas perversos em relacionamentos afetivos, familiares, mãe/pai filhos, escolares, sociais e de trabalho.
– Especialista em Terapia Individual, Casal e Família /Sedes
- Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
- Terapeuta Certificada em Brainspotting - David Grand/ EUA
- Terapia de Abordagem Direta a Memórias do Inconsciente.

EMDR e Brainspotting são terapias de reprocessamento cerebral que visam libertar a pessoa do mal estar causado devido à experiências difíceis de vida, vícios, traumas, depressões, lutos e tudo o mais que é perturbador e que seja uma questão para que a pessoa queria mudar. Este processo terapêutico, por alterar ondas cerebrais viciadas num mesmo tipo de funcionamento, abre espaço para que a vida mude como um todo, de modo muito melhor, surpreendente e inimaginável anteriormente.

Mais sobre Silvia Malamud: Além de psicóloga Clínica, é também formada em Artes plásticas- Terapia Breve - Terapia de Casais e Família pelo Sedes Sapientiai. Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA e em Brainspotting David Grand/EUA. Desenvolveu-se em estudos e práticas em Xamanismo, Física Quântica, Bodymirror. Participou e se desenvolveu em metodologias de acesso direto ao inconsciente, Hipnose, Mindskape, Breakthrough e outras. Desenvolveu trabalho como psicóloga Assistente no Iasmpe, Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, com pesquisa sobre o ambiente emocional de residentes durante o período de suas residências, de 2009 até 2013. Participou do grupo de atendimentos de casais do NAPC de 2007 à 2008. Autora dos Livros "Projeto Secreto Universos", uma visão que vai além da realidade comum e Sequestradores de Almas, sobre abuso emocional que podemos estar vivendo, sem ao menos saber, sobre como despertar e como se proteger.

· Conhecimento terapêutico: Cenários e imagens: Já presenciei diversos pacientes fazerem "viagens" às vidas anteriores, paralelas, sonhos e mesmo se reinventarem em cenas reais ocorridas ou não. Vi-os saindo do túnel do reprocessamento, totalmente mudados e transformados, inclusive em suas linhas de tempo. Para mim, fica uma pergunta de física quântica... O que acontece com a rede de memória da pessoa se a matriz do acontecimento muda totalmente não o afetando mais? A linha do tempo e todos os significados emocionais transformam-se simultaneamente. Todos os eventos difíceis que a pessoa teve em relação ao tema ao longo da vida perdem o sentido e até parece que nem existiram, embora se saiba. A pergunta que fica é: O que é o tempo quando podemos nos transformar e nos auto-superarmos nesta amplitude?

· Coexistimos em inúmeras camadas de realidades que são atemporais. Por exemplo, o seu “eu” criança pode estar existindo e atuando em você até hoje... Outros aspectos desconhecidos também podem estar, sem que você suspeite.

Silvia Malamud
Psicóloga clinica Especialista em Terapias Breves individual, casal e
família/Sedes - CRP: 06-66624
Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
Terapeuta Certificada em Brainspotting – David Grand PhD/EUA.
Terapia de Abordagem Direta a Memórias do Inconsciente.
email.: [email protected]