Convivendo

Perdoai os ódios de cada dia

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Antigamente, era de se lamentar o fato do brasileiro não gostar de política. Um velho ditado popular  dizia que existem três coisas que não se discute: futebol, religião e política. Pelo menos na questão do futebol, as discussões sempre dominaram, principalmente guiadas pelas brincadeiras clubísticas. Já na política, o brasileiro nunca foi muito chegado, mas isso tem mudado de uns tempos para cá. O que deveria ser bom, em tese, na verdade tem uma outra face bastante preocupante.

É ótimo as pessoas mostrarem interesse na política ao defenderem pontos de vista, indicando o que é melhor ou pior para o país. O que preocupa em meio a esses debates é que as opiniões estão sendo confundidas com discursos de ódio. “Eu gosto do Palmeiras porque é o meu time, portanto eu odeio o Corinthians e tudo o que o meu time fizer será melhor indiscutivelmente”. A essência desse tipo de pensamento é do torcedor, pois é movida pela paixão. Na política, esse tipo de discurso vinculado a um candidato ou determinado partido está ficando cada vez mais comum, muito provavelmente graças a internet.

shutterstock_224022811Como disse o historiador Leandro Karnal, são invejáveis aqueles que conseguem vincular todo o mal e a corrupção para um único determinado partido político. Afinal, tirando-o do poder, todos os problemas estarão resolvidos. Baseados nessa ilusão, os discursos de ódio são bradados por todos os cantos, tanto por aqueles que se julgam de direita ou da esquerda ideológica. A autocrítica não existe mais. Busca-se defender com um milhão de argumentos o partido para o qual essas pessoas torcem, ignorando as denúncias de corrupção apontadas pelo próximo e contra-atacando o partido rival com outras irregularidades cometidas. O debate deixa de ser um campo para trocar-se ideias, mas sim para disputa de quem argumenta melhor. Vale mentir, só não vale perder. Concordar com o argumento do outro é como aceitar uma derrota, e isso jamais pode acontecer. Falar de política está cada vez mais igual a falar de futebol, até mesmo nos podres que permeia ambos os campos de interesse.

Engana-se quem pensa que isso está só na política. No trânsito, na escola, em casa, no trabalho e em todos os lugares. As pessoas se odeiam e fazem cada vez menos esforço em tolerar aquilo do outro que as incomoda. Muitas verdades são ditas em formas de brincadeira, como menciona o filósofo Mário Sérgio Cortella em uma de suas palestras: quando uma pessoa diz o que faria se ganhasse na loteria, ela afirma que iria “sumir”. O desejo do sumir, de não ter que lidar com outras pessoas é cada vez mais comum.

Crescemos ouvindo que o amor move as pessoas, mas cada vez mais vemos o ódio sendo alimentado e motivando de diversas ações.
Por ódio, as pessoas prejudicam umas as outras. Existem os ódios que são racionais, afinal você odeia algo por algum motivo. Mas há também circunstâncias em que não há explicação. “Não fui com a cara dele(a)”, quantas vezes já não ouvimos essa resposta ao perguntar o porquê de tanto ódio contra um indivíduo? Adversário é confundido com inimigo. Não basta vencer, mas é preciso também humilhar e, em alguns casos extremos, até mesmo eliminar. Existe uma palavra em alemão denominada Schadenfreude, que significa prazer obtido dos problemas dos outros. É a palavra que dá significado ao sentimento descrito no dito popular “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.

As relações humanas estão sendo cada vez mais pautadas por outro dito popular: “olho por olho, dente por dente”. E, para terminar, utilizando mais um grande pensador, Mahatma Gandhi: “olho por olho e dente por dente, assim o mundo terminará cego e careca”.


  • Texto escrito por Diego Rennan da Equipe Eu Sem Fronteiras

 

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