Budismo Espiritualidade

Precisamos falar sobre a morte

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Nós já falamos essas frases ou já ouvimos de amigos e parentes em algum momento de nossa vida. Soa até natural, tamanha as vezes que já ouvimos essas e outras frases. Mas precisamos tratar essa questão, por vezes complicada, com mais naturalidade.

Nós não viemos a esse mundo sem motivo algum. Todos nascemos com uma missão a cumprir, um objetivo a ser realizado que somente nós descobrimos ao longo de nossa jornada. E a morte nada mais é que a conclusão dessa jornada. A dor da perda é natural, uma vez que nos afeiçoamos às pessoas e a saudade será um fato, porém o que precisamos procurar entender é que nosso tempo é limitado. Nosso corpo, hora ou outra ficará cada vez mais gasto, e então morreremos. O mais importante são as ações que realizamos enquanto vivos, quantas conquistas, quanto amor e bondade deixamos para as pessoas.

Normalmente a visão da morte das religiões ocidentais explica que quando morremos, vamos para outro plano existencial, o chamado céu ou o inferno. Por outro lado, religiões orientais como o Budismo defende a visão de que a morte é a próxima etapa da missão. O corpo que habita a vida tem sua “data de validade”, no entanto a vida é infinita.

A experiência de perder um ente querido nos impulsiona a obter uma compreensão mais profunda da vida. Jossei Toda, o segundo presidente da Soka Gakkai, costumava falar sobre a profunda tristeza que sentiu quando perdeu sua filha. Ela havia falecido alguns anos antes de ele ter se convertido ao budismo. Ele se recordava de como havia chorado durante toda a noite segurando aquele corpo frio em seus braços:

O dia em que minha filha morreu foi o dia mais triste da minha vida. Pensei comigo mesmo: ‘E se minha esposa morrer?’ Aquilo me fez derramar lágrimas. Então, ela realmente faleceu. Mais tarde, pensei o que faria se minha mãe morresse. Com certeza, eu era muito apegado à minha mãe. Refletindo mais profundamente sobre os acontecimentos, estremeci ao pensar sobre minha própria morte.

Enquanto estive preso durante a guerra, dediquei algum tempo à leitura do Sutra de Lótus, e um dia, subitamente, obtive a compreensão. Finalmente havia encontrado a resposta. Levei mais de vinte anos para solucionar a questão da morte. Eu havia derramado lágrimas durante uma noite inteira por causa da morte de minha filha, estremeci ao presenciar a morte de minha esposa e ao pensar que eu, também, iria morrer. Foi por eu ter sido capaz de, finalmente, solucionar esse mistério que me tornei o presidente da Soka Gakkai.

Para os seres humanos, o medo da morte é natural. Até o presidente Toda se abalou diante da morte. É impossível alguém não ter estremecido diante da morte, ou ser completamente indiferente à vida ou à morte. O único caminho é se esforçar arduamente a fim de desenvolver esse estado inabalável de vida.

Todos temem e se entristecem ante a morte. Isso é natural. No entanto, quando nos esforçamos para superar a dor e a tristeza causadas pela morte, tornamo-nos mais conscientes da dignidade da vida e desenvolvemos o sentimento de compartilhar os sofrimentos de outros como se fossem nossos próprios sofrimentos.

Esse pensamento nos traz conforto ao sabermos que nossa missão é grandiosa enquanto vivos e que o mais importante é o que deixamos de legado para as pessoas.

Portanto, viva cada dia como se fosse o último, com o sentimento repleto de gratidão e determinação, aprendemos que a morte é somente um breve descanso.


  • Escrito por Bruno Melo da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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