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Vida após a morte: a série da Netflix que fala sobre o que vem depois da vida

Borboleta pousada em um dedo que toca a mão de um espírito
Reprodução / Netflix
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Qual é a concepção que você tem sobre a morte? Para você, ela representa o fim? Como lidar com ela? Essas questões permeiam a experiência humana na Terra ao longo das épocas. E sendo um assunto tão instigante, a série do tipo documentário “Vida Após a Morte” (Surviving Death) da Netflix se tornou um grande sucesso na programação.

Baseada no livro homônimo da jornalista Leslie Kean, a série tem seis episódios que tratam do assunto com fidedignidade, apresentando casos reais e opiniões de representantes da Ciência, para mostrar, de forma ordenada, visões mais céticas e outras sobrenaturais.

Assim, o primeiro episódio dessa série aborda a “Experiência de Quase-Morte”, com relatos de pessoas que vivenciaram a experiência da vida fora do corpo físico. Os dois episódios seguintes tratam da comunicação com os mortos pela intermediação de médiuns, com filmagem de sessões e evidências de estudos centenários de pesquisadores para descobrir se há consciência após a morte do cérebro e de que forma ela se manifesta. Além disso, aborda um assunto que fez parte de filmes de fantasmas e assombrações que é o ectoplasma.

O quarto episódio é um dos mais interessantes, pois aborda a comunicação dos mortos com os vivos por meio de sinais, como aparição visual, voz, o cheiro da pessoa falecida, um toque ou um carinho, o que leva os mais céticos a acreditar no invisível.

O quinto episódio, “Vendo Gente Morta”, traz informações sobre como é possível registrar as aparições ou os sinais de pessoas mortas e sobre o empenho em tratar do assunto com absoluta veracidade. No sexto e no último episódios, a série “Vida Após a Morte” apresenta um dos temas mais polêmicos sobre o assunto, que é a reencarnação, com relatos de pessoas que afirmam se lembrar de vidas passadas e estudiosos desse fenômeno buscando comprová-lo de alguma forma.

Uma mão em frente à algumas árvores
Aarón Blanco Tejedor / Unsplash

Além disso, sem causar assombro ou terror, os assuntos são abordados com sensibilidade e proporcionam reflexão ao telespectador que, ao conhecer vários pontos de vista, compreende o fato de que saber lidar com a morte é um dos maiores desafios do ser humano. Então, conheça mais sobre esse assunto a seguir.

Todas as pessoas na face da Terra terão que lidar com a morte em algum momento da vida e se deparar com a própria, muito embora seja comum sequer falar do assunto. Há quem acredite que a morte do corpo e do cérebro represente o fim também da consciência e, portanto, o encerramento da existência. Outros, contudo, acreditam na vida além da morte que pode ser observada por meio das manifestações paranormais.

Aliás, as manifestações paranormais mostradas no desenrolar dos episódios da série são tratadas de forma bastante realista, com exemplos de pessoas céticas que acreditavam na vida após a morte apenas como uma abstração alheia e para as quais só a experiência de quase morte ou de receber algum sinal de um ente querido pôde mudar esse conceito. Ademais, estudos muito sérios vêm tentando explicar pela ciência o que são os fenômenos paranormais e como eles influenciam as pessoas a lidarem com a morte.

Quanto aos sinais, embora não explicáveis pela razão ou pela ciência, muitos acreditam neles como uma forma de comunicação entre aqueles que deixaram essa vida, mas não morreram de fato. Não é incomum, contudo, descobrir nos noticiários o charlatanismo e o abuso sofrido por pessoas que tentam lidar com o luto.

Imagem em preto e branco de uma mão sobre o vidro de uma janela
Kristina Tripkovic / Unsplash

Aliás, a experiência de comunicação com um ente querido falecido é capaz de modificar a forma como se lida com a separação. Muitas pessoas, principalmente por conceitos culturais e sociais sobre a morte, não a encaram de forma natural. Alguns vivenciam a depressão, a perda de objetivos, uma tristeza profunda e não conseguem elaborar o “seguir a vida”.

Nesse sentido, o contato com o paranormal e com a comunicação de quem morreu pode proporcionar o impacto benéfico do consolo no luto, ou seja, é uma maneira de entender que as pessoas queridas que morreram, de alguma forma, vivem, estão felizes, saudáveis e aceitaram essa “passagem”. Essa conexão espiritual suscita esperança e bem-estar nos vivos e leva ao seguinte questionamento:

O que pode mudar se descobrirmos o que realmente vem depois?

O primeiro episódio da série, “A Vida Após a Morte”, é o relato dos ressuscitados, daquelas pessoas que passaram pela Experiência de Quase-Morte (EQM) ou de morte iminente, com projeção da consciência (projeção astral, emancipação da alma, experiência do túnel ou desdobramento espiritual), quando as funções físicas e cerebrais pararam e, de alguma forma, a consciência se expandiu e percebeu o que existe além da morte. É uma experiência subjetiva e difícil de ser confirmada cientificamente.

Apesar disso, os espiritualistas e os parapsicólogos acreditam que sejam provas de que a mente extrapola os limites do cérebro e que a consciência (espírito) não morre. Um dos relatos mais antigos de EQM faz parte da obra de Platão, no Livro X, de “A República”.

Há estudos centenários sobre o assunto, porque muitos cientistas alegam que a falta de oxigenação no cérebro durante o estado de perda da consciência traz esse tipo de “alucinação”. As experiências de quase-morte relatadas, porém, parecem bastante organizadas e a ciência já sabe que, na falta de oxigenação, o cérebro não fica organizado e consistente.

Desse modo, dois nomes da Ciência, o físico, matemático e filósofo Sir Roger Penrose (Universidade de Oxford) e o médico anestesiologista Stuart Hameroff (Universidade do Arizona) defenderam que a “alma quântica” deixa o sistema nervoso e entra no cosmos quando da EQM, indo para planos mais profundos e fora do cérebro, na ampla geometria espaço-tempo.

Resultado de uma ressonância magnética que representa os estudos da mente humana
Divulgação / Netflix

Do ponto de vista dos efeitos que a experiência com o sobrenatural causa, inclusive em relação às pessoas que passaram pela experiência de quase-morte, há relatos delas de não terem mais medo de morrer, mas, sim, sentimentos de bondade e de amor ao próximo e desejo de ajudar aos outros e de desenvolver a espiritualidade. Elas reavaliaram seus valores, as prioridades e se tornaram mais confiantes e serenas.

Do mesmo modo, pessoas que conseguiram ter comunicação com pessoas queridas que faleceram, que tiveram sinais ou que vivem próximas de pessoas que relatam sobre suas vidas passadas, vivenciam uma mudança de pensamento em relação à maneira de enxergar a vida e de se relacionar, mesmo tendo anteriormente uma visão mais materialista sobre a existência.

Dessa forma, saber o que vem depois da morte pode mudar a relação que temos com a vida e com as pessoas com as quais nos relacionamos e pode gerar um conceito ampliado sobre a espiritualidade e sobre o ser humano em relação ao universo. Além disso, pode motivar novas hipóteses para a descoberta científica e elucidar mistérios físico-quânticos.

Por que tememos a morte?

Temer a morte tem relação com conceitos socioculturais, os quais são atribuídos a ela e aprendidos por uma determinada sociedade. Um exemplo disso é a diferença entre a forma como encaramos a morte e como ela é entendida pelos mexicanos. O ser humano, entretanto, teme o desconhecido e não deseja se desprender daquilo que conhece, do que conquistou, das pessoas com as quais se relaciona, afinal é naturalmente gregário e se reconhece num contexto e no pertencimento de seu círculo social.

Além disso, há um conceito que abrange a naturalidade da morte, onde os mais velhos são aqueles que morrem primeiro, fazendo com que tudo o que seja diferente disso, traga mais temeridade e não aceitação. Há um impacto bastante grande dessa ideia sobre o significado da vida e sobre a forma de se lidar com o luto.

Sombra de duas pessoas
Reprodução / Netflix

Quando se acredita que há vida após a morte, há um conforto vindo do fato de que um dia todos vão se reencontrar em outro plano ou em outra dimensão. E, ao vivenciar uma experiência de comunicação com os espíritos dos mortos, há certa abertura para entender que há algo que pode extrapolar o corpo físico, isto é, há algo maior, uma dádiva, uma conexão espiritual.

Na série “A Vida Após a Morte”, há relatos de pais que perderam os filhos e encontraram a cura do luto e a paz no fato de receberem algum tipo de comunicação, quer por meio de médiuns, quer por sinais. Os mais céticos passaram por exercícios de expansão da mente para acalmar o criticismo e acessar o estado de consciência da meditação, mindfulness, visualização e música. Assim, os filhos teriam se comunicado com seus pais (mesmo os mais racionais) e lhes dado forças para seguir a vida.

Ainda sobre a comunicação dos mortos com os vivos, a série aborda a questão dos “fantasmas”. Culturalmente, a palavra “fantasma” assume vários e muitos significados pelo mundo. É uma das representações do cinema nos filmes de terror, que cria muitos mitos sobre o assunto, trazendo a ideia de espíritos que “sobrevivem” e ficam aqui depois da morte física ou se mantêm na memória de um determinado local para amedrontar.

Aliás, a crença em fantasmas existe há milhares de anos, com evidências encontradas na Mesopotâmia, na “Gravura Suméria do Submundo” de 3.500 anos a.C., no “Livro Egípcio dos Mortos”, de 1186 a.C. e no “Mural de Túmulos Egípcios”, de 1753 a.C. Logo, a temeridade da morte e/ou o seu enfrentamento são curiosidades antigas da humanidade.

Entretanto, enquanto há o medo da morte, também há pessoas que relataram antes de morrer terem visto ou até mesmo conversado com pessoas já falecidas, as quais teriam ido visitá-las; os chamados “fantasmas” ou os espíritos que ajudam a fazer a “passagem” deste mundo.

Olho castanho visualizando uma pessoa
Divulgação / Netflix

As experiências de fim de vida já foram descritas em várias culturas e em diferentes épocas. Os céticos costumam argumentar que isso corresponde ao fato de o cérebro estar morrendo ou sob efeito medicamentoso, porém os pesquisadores e os médicos, principalmente aqueles que trabalham com cuidados paliativos, alegam que o cérebro sem oxigênio, disfuncional e sob efeito de drogas fica perturbado, confuso e com respostas de medo. Já os relatos de pessoas que antes de morrerem viram e falaram com fantasmas são bastante estruturados, de alegria e de paz.

O mais importante é que há um nível de conforto associado ao fato de “ver” o ente querido falecido e ter seu apoio, o que parece proporcionar paz, conforme investigado no estudo sobre o assunto com mais de mil pacientes, apresentado sob o título “End-of-Life Dreams and Visions: A Longitudinal Study of Hospice Patients’ Experiences”, no Journal of Palliative Medicine, em 2014.

Em contrapartida, ao mesmo tempo em que, para aqueles que estão próximos da morte, receber essa visita é consolador e pode trazer serenidade, para os familiares que cuidam dessas pessoas, isso é um sinal de que elas partirão em breve, causando emoções diversas sobre a morte que terão que enfrentar.

Contudo, apesar de a maioria ter medo da morte, todos admitem que ela é a única certeza da vida e cada vez mais se busca entendê-la de modo a torná-la mais aceitável, mais compreendida e menos temida. E uma das formas de se conseguir isso é pela expansão da espiritualidade.

Não deveríamos aproveitar o momento do agora da melhor maneira possível?

É muito comum ouvir que a vida deve ser aproveitada ao máximo, com intensidade, com demonstrações constantes de afetividade, com atenção ao “aqui e agora”, o que é lógico e palpável, mas nem sempre real. As pessoas não conseguem se desvencilhar totalmente dos conceitos que vão sendo transmitidos pelas gerações e que vão compondo o modo de pensar, ser e agir e que diferem dessa ideia.

Como seres humanos, nós não queremos abandonar a crença de que existe algo mais, pois precisamos dela para que o mundo faça sentido, porém ela nos torna vulneráveis a acreditar que há um “futuro”. Para romper paradigmas, é preciso se libertar de alguns conceitos.

Algumas pessoas, não temem a morte, pois percebem a vida cheia não só de mistérios, mas também repleta de emoções, de relações afetivas, de coisas que engrandecem o espírito e que causam felicidade. É por isso que essas pessoas aproveitam os momentos e conseguem atribuir o devido valor ao tempo presente.

A oportunidade de viver é por si tão esplêndida que qualquer um de nós deveria aceitá-la, aproveitando-a ao máximo, mesmo sem saber o que virá depois. É uma visão objetiva do que se tem nesta realidade. O entendimento espiritualizado da vida ajuda muito a viver o momento com intensidade, porque atribui um sentido de dádiva. Da mesma forma, parece aliviar muito os sentimentos de perda quando se tem a certeza de uma experiência intensa com familiares e amigos e quando dizer “eu te amo” não se torna motivo de angústia por não ter acontecido em tempo hábil.

Por fim, a série “Vida Após a Morte”, de quase seis horas de duração total, traz uma questão que continua sem resposta irrefutável: O que vem depois? Por outro lado, contribui para uma reflexão sobre a importância de viver com intensidade, com amor e com demonstrações de afeto e aborda assuntos que expressam muito a seguinte frase: “Para o que se acredita nenhuma prova é necessária. Para o cético, nenhuma é suficiente.” No fundo, ela confronta o ser humano com o inconformismo, com a dificuldade de lidar com a certeza do fim da vida e com o próprio despreparo diante dela. Por isso reflita sobre o assunto e viva tudo o que for possível!

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