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Quando fica difícil perdoar, mude a palavra

“Qual é a mais profunda característica da nossa época e da evolução da alma da consciência?… É que o homem precisa se tornar familiarizado com todas aquelas forças que opõem à harmonização da humanidade como um todo.” – Sergei O. Prokofieff, em “O Significado Oculto do Perdão”

Numa época em que nem sempre temos paciência para ler um artigo completo, pensei em começar pelo final: se você ler a frase acima e entender que esta é a principal razão para perdoar – harmonia da humanidade –, pronto, estamos com meio caminho andado. Porém, naqueles momentos em que fica difícil praticar o perdão, que tal mudar a palavra?

Perdoar não é esquecer, mas lembrar

Há um consenso de que perdoar é esquecer o que foi feito, o que torna a prática quase impossível para muitas pessoas.
Para o livro “Um Curso em Milagres (UCEM)”, “perdoar é meramente se lembrar apenas dos pensamentos de amor que você teve no passado, e aqueles que foram ofertados a você.”

É, portanto, relembrar do que era antes de que algo ruim acontecesse.
O perdão nunca é passivo. Segundo Prokofieff, quando perdoamos assumimos uma obrigação de ‘restaurar para o mundo tanta bondade e amor como foram removidos por uma má ação’.

Que tal mudar a palavra?

Imagem de um rapaz forçando o sorriso
Dean Drobot/ Canva

No livro “O Significado Oculto do Perdão”, Sergei fala sobre os diferentes usos da palavra ‘perdão’ na língua alemã.

‘Vergeben’ é usado como ‘perdão’ no sentido de ‘doar’, de ‘rendição’. ‘Verzeihen’ tem o sentido de ‘desculpar’, e vem da palavra ‘verzichten’, que tem o sentido de ‘renunciar’. Portanto, nas duas palavras usadas como ‘perdão’, há características importantes: em ‘verzeihen’ tem-se a dominação do ego pelo Eu, enquanto em ‘vergeben’ acontece a doação do Eu para o mundo.

Um outro termo usado no decorrer do livro quase como sinônimo de ‘perdão’ é a palavra ‘tolerância’.

Em sua forma potencializada, a tolerância se equivale ao perdão quando é dirigida a “todas as manifestações do ego, maneiras de pensar e todos os outros aspectos da natureza humana”, e feita sob uma escolha consciente de refrear inclusive as reações internas de protesto e antipatia.

Mas por que perdoar é tão difícil?

Prokofieff chama a atenção para o fato de que o verdadeiro ato de perdoar vem acompanhado de impotência (“sem poder”) diante do mal que nos foi causado.
Quando pensamos em Jesus sendo preso na estaca, foi no seu momento mais vulnerável que disse: “Perdoai, Pai – eles não sabem o que fazem”.

Mas é a partir deste ato de impotência que nasce o perdão, e o impulso seguinte – no caso de Cristo, o da ressurreição – que só é possível a partir dele.
O esforço, porém, vale a pena: “Qualquer um capaz de falar sobre as duas experiências – de perdão e de ressurreição – está falando de uma verdadeira experiência Crística”, e é abençoado com uma “verdadeira relação” com ele.

Exercícios do perdão

Imagem de duas crianças fazendo as pazes, com o dedo mindinho das mãos
StockPlanets de Getty Images Signature / Canva

“E cada pessoa que vem ter conosco traz-nos uma parte de nós que já fazia falta e, quando essa parte regressa, é integrada em nós através da energia do perdão: do perdão ao outro, do autoperdão e da paz.” – João Carlos Paliteiro
Esta frase é do livro “Cura Pela Coração”, de Helene Abiassi, o livro que uso na Terapia Multidimensional.

Esta terapia é também conhecida como a ‘terapia do perdão’, pois a cura não é possível sem que se tenha perdoado a injustiça.

Um dos exercícios que utilizamos e ensinamos, ao aplicar esta terapia, é o Abraço do Perdão: imaginar-se abraçando a outra pessoa até que aquilo não seja mais desconfortável e que só se sinta amor. Se for muito difícil, tente imaginar duas crianças se abraçando.

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Outro exercício que também pode ser utilizado para o autoperdão é a frase: “Eu te (me) amo, te perdôo, te respeito e te aceito como sou.”

Ainda, no livro sobre o perdão, Sergei relembra sobre a frase do Pai-Nosso: “… e perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos têm ofendido.”
Podemos usar esta oração como força e incentivo para perdoar.
“Ao não manter ninguém como prisioneiro, nos tornamos livres.” – UCEM

Sobre o autor

Dulcineia Santos

Dulcinéia Santos é consultora de desenvolvimento para a maturidade, praticante certificada da ferramenta MBTI® de tipos psicológicos e coach. É também autora do livro “A Namorada do Dom”, em que conta as lições que aprendeu nos relacionamentos e na sua jornada até a Suíça.

Acredita que a vida é cheia de lições e que se não as aprendemos não passamos pro próximo nível do jogo. Saiu de casa cedo e foi morar no mundo – agora está na Suíça, onde estudou antroposofia por três anos. Gosta de tomar cerveja no boteco enquanto papeia, de aconselhar, da língua portuguesa, de cozinhar, de ficar só e de flexibilidade de horários. É esotérica, mas acha que estamos encarnados para viver as experiências terrenas com o pé no chão – de preferência dançando.

Formações:

Bacharel em línguas aplicadas

Brain Based Coaching Certification
NeuroLeadership Group – Londres

MBTI® – Myers-Briggs Type Indicator – Step I and Step II
Myers-Briggs Foundation – Florida, USA

Antroposofia
Goetheanum – Dornach, Suíça

Terapia Multidimensional
Genebra – Suíça

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