Convivendo

Quando a maturidade chega…

Márcia Leite
Escrito por Márcia Leite

Qual é o limite entre ser jovem e atingir a maturidade?

No tempo de minha mãe, as rugas e dores no corpo apareciam mais cedo, e muitas mulheres de mais de quarenta anos tinham marcas de expressão mais acentuadas no rosto, manchas nas mãos, um aspecto um pouco mais cansado, seguiam regras de corte de cabelo que, hoje, questionamos. As roupas eram mais discretas e recatadas: mais longas, mais escuras, menos justas, a moda usada mostrava uma combinação diferente, os mesmos padrões. As ousadas eram tachadas de escandalosas, nada de pernas de fora ou decotes mais profundos… Cabelos despenteados eram inaceitáveis, tatuagens pertenciam aos marinheiros e outros “povos”. As carreiras profissionais ainda não eram tão diversificadas e a divisão entre profissão de homem e de mulher tinha uma linha divisória muito maior. Uma mulher de cinquenta anos já era considerada no final da vida, com os filhos já criados. Muitas vezes, a maturidade vinha em forma de casamento (precoce) ou de cuidados com a família.

Atualmente, vemos mulheres muito ativas no alto de seus quarenta, cinquenta, sessenta ou mais anos, todas maravilhosas, com corpos bem cuidados, com suas carreiras profissionais em andamento a todo vapor, cabelos com os mais diversos cortes: curtos, longos, com ou sem franja, de todas as cores desejadas, inclusive assumindo seus cabelos brancos, sem maiores culpas, divertindo-se em vários locais, sem se preocupar com os questionamentos que algumas pessoas ao redor possam estar se fazendo.

A maturidade do momento transformou as cansadas de anos atrás em verdadeiras DIVAS, seguras e independentes, claro que com problemas (afinal, quem não os possui?), mas com melhores formas de solucioná-los, até com menos neuras ou preocupações.

Estas mudanças certamente deixaram a sociedade mais leve e a participação das mulheres contribuiu ainda mais para o desenvolvimento da população, mais experiência e autoestima elevada ajudaram a tirar o peso do “não faz, não pode, fica feio na sua idade”.

É provável que as próximas gerações ainda instituirão mais modificações na postura da mulher mais madura, acho até que a esta palavra classificará pessoas acima de setenta anos, pois seremos bem mais dispostas e ativas do que hoje, a tecnologia aplicada em todos os níveis tem a função de nos auxiliar nesta nova postura, como nos favoreceu até o momento. Chego a pensar que os homens da nova geração passarão a colaborar de nova maneira no crescimento das mulheres que os cercam, e assim, perceberão que ganharão muito com a nova relação entre os dois mundos.

A nova mulher madura hoje não se contenta em lavar, passar e cuidar da família. Ela quer ter uma casa cuidada, sim, quer dominar a economia, conhecer e adotar os avanços tecnológicos, ser bonita, sem ter de seguir os padrões que a sociedade tenta impor, quer poder dialogar com o companheiro com quem convive, sem precisar medir forças, apenas sendo respeitada pelo que realmente é (ou deseja ser), ter independência para buscar seus objetivos nas mais diversas áreas da vida e da profissão que escolheu, quer se divertir. Ela não mede esforços para atingir seus objetivos, mesmo que precise abdicar de muitos de seus desejos. E a meta mais almejada por todas nós é a mais simples que se imagina: SER APENAS FELIZ, SEM SE MODIFICAR E NEM SE JUSTIFICAR!

Sobre o autor

Márcia Leite

Márcia Leite

Graduada em Farmácia e atualmente estudante da área de Humanas, mostro interesse em diversos temas. Incomodada com questões sociais e que mexem com a convivência e a saúde das pessoas.