Saúde Integral

Anticoncepcional para homens. Será que vai para frente?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras



Em 1960, o anticoncepcional feminino foi inventado; logo depois de seu surgimento, houve uma grande “revolução” sexual no mundo, porque, afinal de contas, as mulheres passaram a ter o poder de decisão sobre quando (ou não) engravidar. Isso lhes deu mais (e maiores) oportunidades na vida, inclusive em relação ao próprio corpo.

Mas é preciso enxergar o outro lado da moeda, como em praticamente tudo na vida: os anticoncepcionais femininos trazem diversos efeitos colaterais para a mulher. Por isso foi necessário pensar em evoluções para que cada mulher pudesse encontrar o tipo de remédio que mais se adequa ao seu organismo, como a pílula, o adesivo, o DIU e o chip, que são os métodos contraceptivos existentes hoje.

E agora, depois de quase seis décadas, finalmente foi inventado o contraceptivo masculino, anticoncepcional injetável desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a faculdades de Medicina dos Estados Unidos e da Alemanha.

A pesquisa, publicada no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, foi elaborada de acordo com o estudo realizado durante um ano, com 320 homens com idades entre 18 e 45 homens. Os homens foram recrutados de diferentes locais: Alemanha, Estados Unidos, Austrália, Indonésia, Chile e Índia.

Todos os homens participantes da pesquisa estavam em relacionamentos heterossexuais e monogâmicos estáveis há no mínimo um ano, sendo as mulheres com idades entre 18 e 38 anos.

Durante o período de estudo, os participantes receberam duas injeções de hormônios (progestina e testosterona) e cada oito semanas. A combinação foi escolhida porque a testosterona em doses altas, combinada com a progestina, diminui a produção de esperma por algumas semanas, de acordo com os pesquisadores.

Dentre os estudados, 274 (86%) tiveram a contagem de espermas inferior a um milhão por ml de sêmen após seis meses de uso das injeções. Ou seja, contagem suficiente para ser considerado contraceptivo – de acordo com a Associação Nacional de Infertilidade dos Estados Unidos, a contagem normal de esperma varia entre 40 e 300 milhões por ml de sêmen.

Apenas quatro gestações aconteceram durante o ano em que aconteceu o estudo, levando a uma taxa de falhas de 7,5%. Esse percentual é considerado satisfatório, uma vez que a taxa de falha das camisinhas masculinas é de 12% e dos anticoncepcionais femininos, de 9% – dados dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC).

Até então, tudo perfeito. O problema consiste, no entanto, nos efeitos colaterais que as injeções causaram. Apesar de os resultados contraceptivos da técnica terem sido satisfatórios, muitos participantes foram diagnosticados com depressão, distúrbios de humor, entre outros efeitos colaterais. Por isso o estudo foi paralisado.

No total, 1.500 casos de efeitos colaterais foram relatados durante as 56 semanas de estudo. Os homens estudados relataram acne (46% dos homens), dor no local da injeção (23%), aumento na libido, distúrbios de humor, problemas emocionais, hostilidade, além de quadros de depressão e agressividade.

Além disso, outras preocupações cerceiam o estudo. Como a pesquisa foi realizada em homens com contagem de esperma regular, não se sabe o que as injeções poderiam causar em homens que já possuem baixa contagem de esperma. Além disso, há também o medo de haver diminuição do uso das camisinhas convencionais, único método preventivo de doenças sexualmente transmissíveis.

Todavia vale lembrar que a comercialização de um anticoncepcional masculino daria à mulher a liberdade de escolher tomar ou não as pílulas anticoncepcionais femininas (que, na realidade, possuem centenas de outros efeitos colaterais muito piores do que os que foram indicados pelos homens na pesquisa, como a trombose, e mesmo assim são comercializadas).  

Também tornaria mais justa a divisão de responsabilidade entre o casal. Até hoje, quando acontece uma gravidez, a responsabilidade do ato é dada muitas vezes somente à mulher, mas foi uma escolha dos dois (do homem e da mulher) não usar a camisinha durante o ato. Portanto, a responsabilidade deve ser dividida. O anticoncepcional masculino tornaria isso mais palpável.

A grande polêmica que se formou com a paralisação dos estudos se deu por conta dos motivos apontados, porque os efeitos colaterais não são tão perigosos quanto os da pílula anticoncepcional feminina, que é comercializada normalmente.


Texto escrito por Giovanna Frugis da Equipe Eu Sem Fronteiras

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