Autoconhecimento Sagrado Feminino

Vida sem anticoncepcional e o despertar feminino

anticoncepcional
Jéssica Sojo
Escrito por Jéssica Sojo
Olá, [email protected] [email protected] do ESF, é um prazer imenso estar aqui compartilhando uma experiência minha junto a vocês. Inicialmente o título deve ter soado um pouco estranho, né?! Já que é tabu (ainda) discutirmos determinados assuntos voltados à ginecologia e urologia. Porém, hoje eu vim aqui partilhar um pouquinho da minha experiência nesses últimos anos e orientar umas dicas para as mulheres – mencionando aqui a primordialidade de vocês consultarem um profissional capacitado e com uma mente aberta para poder dialogar sobre métodos alternativos e menos invasivos ao corpo.

Tenho notado uma busca constante a respeito de Ginecologia Natural aqui no ESF – e não só aqui, ultimamente tem-se debatido mais sobre o assunto em alguns blogs, rodas de conversas, encontros do Sagrado Feminino e Masculino, em grupos no Facebook, etc. Já perceberam?

Dias atrás conversando com uma amiga, observei o quanto perdemos a conexão com o nosso próprio corpo, com o nosso sagrado ciclo e o quão somos ensinadas a fazer uso de métodos contraceptivos orais sem o menor entendimento do uso. Tal como muitas jovens moças, eu fiz o uso do método contraceptivo oral muito cedo. Comecei a ingerir anticoncepcional aos quatorze anos, e semelhante a maioria, para melhorar a minha pele acneica e oleosa, controlar a cólica, prevenir gravidez, etc – sem o menor conhecimento sobre os riscos que isso me causaria a longo prazo de uso ou sobre outros métodos mais naturais e alternativos. É convincente e fácil ingerir um comprimidinho cheio de hormônio todos os dias, todos os meses e ficar “castrada” por uma vida inteira, afastando-nos da nossa natureza feminina do que dialogarmos sobre a importância do nosso ciclo – e quais outros métodos alternativos e menos invasivos podemos usufruir.

Confesso que tomar anticoncepcional era muito conveniente para mim, já que eu podia escolher quando iria menstruar. Já não sofria com as cólicas. Minha pele estava perfeita sem uma espinhazinha incômoda, não engravidava, estava controlando a minha endometriose e era uma maravilha. Mas gente, somente aos vinte anos de idade, como acadêmica da Faculdade de Medicina e iniciante no veganismo, que eu comecei a me questionar sobre o tanto de hormônio que eu estava ingerindo. Não era nem um pouco coerente eu continuar com o anticoncepcional, sendo que existem diversos outros métodos alternativos e pasmem – camisinha é um deles e eu digo mais, camisinha não serve só para evitar uma gravidez, serve também para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e nós precisamos enfatizar MUITO sobre o assunto – deveríamos usar em qualquer situação, independente de ter ou não outro método associado.

Não era uma alternativa correta eu continuar tomando uma enxurrada de hormônio todos os dias, sendo que eu defendia uma vida completamente natural. Logo, eu comecei a pesquisar mais sobre o assunto, outros métodos alternativos, os riscos do anticoncepcional e a interferência na alimentação. E pasmem, é espantoso o quanto somos leigas no assunto. É impressionante o quanto nós somos instruídas a odiarmos o nosso útero, já perceberam? Nós, aprendemos desde tenra idade repelirmos o nosso ciclo menstrual. Nós desenvolvemos nojo do nosso sagrado e puro sangue. Entupimos-nos todos os meses com método totalmente invasivo e enxurrado de hormônio – sem estarmos ciente dos riscos do uso (Você já leu a bula do seu anticoncepcional?). Pois é, aquela velha história. Eu também pensava: “Ah, mas isso nunca vai acontecer comigo”. Eu sou tão jovem, não corro o risco não. Bobeira. Deixa-me ficar aqui em paz com o meu anticoncepcional e a minha vida sexual.

Até que num belo sábado de manhã, após uma aula, eu comecei a sentir uma sensação horrível nas pernas. Na verdade, eu não sentia as minhas pernas, apenas uma queimação insuportável ao ponto de eu não conseguir apoiar os meus pés no chão. Tive que entrar em contato com os meus pais para me buscarem e correrem comigo para o hospital. Fiz uns exames e adivinhem? Suspeita de trombose. Logo eu, tão jovem. Quiçá imaginaria passar por isso, logo eu.

Após esse pequeno episódio e toda a filosofia natural que eu defendo ser correta e mais natural possível – comecei a refletir e optei por tentar o uso de outros métodos alternativos. Tenho o privilégio de não ter acontecido o pior e de ter uma ginecologista maravilhosa e amiga. Por isso, friso aqui a importância de vocês buscarem por profissionais capacitados e com a mente totalmente aberta. Que oriente e ensine vocês sobre o uso de métodos alternativos. Funcionamento do ciclo menstrual. Dentre outras infinitas coisas mais. Que inspirem vocês a se conectarem com o sagrado mais profundo que existe dentro de vocês.

É libertador a gente passar a ter o entendimento sobre o nosso corpo e o quão maravilhoso e abençoado é o nosso ciclo. Admirarmos o nosso útero e prezarmos a nossa bela natureza é um processo natural e requer muita paciência no início. É um privilégio nascer mulher e compreender a sintonia do nosso ciclo com as fases da lua. *Inclusive, hoje existem opções de livros e agendas referentes ao assunto. Pesquisem depois, vocês vão se surpreender.

Enfim, agora vou relatar a minha experiência sem o uso do anticoncepcional. Lembrando que cada pessoa tem um processo diferente e o que deu certo para mim, pode dar errado pra outra pessoa. Então, vale salientar novamente a importância de um profissional instruindo e acompanhando cada uma de vocês.

Nos meus primeiros meses sem o uso da pílula, eu percebi que o meu humor oscilava muito. Tinha dias que eu estava radiante, feliz. Em outro, estava totalmente irritadiça e querendo azucrinar todo mundo que eu via na frente hahaha TPM, é você?! HAHA Ainda bem que eu tive muito apoio.

PS: Eu notei também que a minha vontade de comer doce incontrolavelmente – nesses dias – cessou.

Menstruação atrasada é preocupante, né? Chego a sentir certa arritmia cardíaca, só de pensar. HAHAHA! Eu nem preciso comentar sobre o meu desespero, né? HA-HA-HA! Minha ginecologista me informou que é normal o ciclo desregular no início. Eu fiquei três meses sem menstruar, imaginem o meu desespero!!!!!!!!

anticoncepcional

Mas eu não vou negar que a ansiedade toma uma conta incontrolável da gente e a nossa mente já começa a criar enredos um pouco desesperadores. No começo batia aquela neura: “Aí, estou grávida!” HAHAHAHA hoje é mais tranquilo e com o tempo, a gente vai aprendendo a ter um conhecimento mais aprofundado sobre o nosso corpo e principalmente, sobre o nosso ciclo. Relaxem!

Pele oleosa e acneica: impressionante como a minha pele empipocou horrores de espinhas e oleosidade. Mas eu consegui manter uma melhora na oleosidade através da alimentação e com o uso de produtos naturais e sem o uso/teste em animais. Hoje eu não tenho uma acneizinha, mas, às vezes, surge uma ou outra, principalmente próximo ao ciclo menstrual.

Enxaqueca: Nossa! Antes eu tinha umas dores absurdas que me impossibilitavam de viver a vida normalmente. Era horrível, hoje eu não sinto nadinha. Minhas dores de cabeça cessaram após a interrupção do anticoncepcional.

Cólicas e fluxo menstrual: Minhas cólicas aumentaram muito após a pausa do anticoncepcional. Porém, sinto uma melhora quando eu faço o uso constante de chás. Principalmente o de camomila, melissa e hortelã. Eu sou a louca dos chás [email protected] Quanto ao fluxo, parece uma hemorragia. [triste]

Libido: Nem preciso comentar o quanto melhorou, né? HAHHA É incrível. E eu percebo que estou próximo ao meu período fértil, quando eu sinto um estímulo aguçadíssimo sexual. É fantástico!

Nesse período de experiência sem o uso do contraceptivo oral, eu comecei a entender como funciona melhor o meu ciclo através de alguns aplicativos, como o CLUE, que é um ótimo aplicativo e melhor nos orienta sobre o período fértil, menstruação e TPM. O bacanão do aplicativo é que ele nos disponibiliza vários questionários e conforme vamos respondendo, conseguimos ter um entendimento melhor sobre o nosso ciclo e as suas fases. É ótimo, eu super recomendo.

O uso do coletor menstrual também tem trago muito ensinamento quanto ao meu corpo.

Além de claro, vocês já pararam para se questionar sobre o uso absurdo de absorventes poluentes no meio ambiente? E digo mais, sobre o risco que isso causa a nossa saúde? Já pesquisaram sobre o procedimento do absorvente? Pasmem! HA-HA Eu faço o uso do coletor menstrual há mais de dois anos e gente, é maravilhoso o autoconhecimento que vamos desenvolvendo ao longo do tempo, além da liberdade e zero incômodo naqueles dias. ha-ha. Vale cada centavinho, é puro amor. <3

Observação e não menos importante: Eu entendo que não são todas as pessoas que podem interromper o uso da pílula, por problemas como ovário policístico, miomas e entre outros complicados. Mas se esse não for o seu caso, repense sobre o uso. Procure um profissional que saneie todas as suas duvidas e paute sobre a possibilidade de métodos menos invasivos e os mais naturais possíveis. Participe de encontros, rodas de conversas, tudo o mais dentro do assunto. Questione, pesquise, estude. Partilhe e abra a cabeça. Dialogue com @ [email protected] Previna-se sempre com o uso de camisinha, independentemente do uso ou não do anticoncepcional.

O despertar feminino vai muito além de termos entendimento sobre o nosso corpo e o nosso ciclo. É todo um conjunto de fatores não só externos, mas principalmente internos. Meditação e yoga são ótimas escolhas se aliadas junto à alimentação, para nos trazer em sintonia com a nossa saudosa Mãe Natureza. Pesquisem sobre rituais naturais, entrem em sintonia com o lado mais interno de vocês. Despertem para o sagrado Feminino que existe dentro de cada uma de vocês – principalmente nesses dias. Compreendam melhor como funciona o ciclo e o corpo de vocês. Entendam melhor sobre o período fértil. E outras coisas mais. Honrem a divindade de menstruarem todo mês. Sintam a liberdade e limpeza do organismo.

Eu poderia partilhar aqui os artigos científicos sobre o uso do anticoncepcional e os riscos à nossa saúde, porém, prefiro deixar a merce de quem se interessar pelo assunto, pesquisar no Google. No entanto, a dica que eu dou é a de que: pesquisem, estudem e dialoguem sobre tudo. Busquem alternativas naturais, estar mais em sintonia interna. Pesquisem sobre o calendário e mandala lunar. Entrem em grupos no Facebook e participem cada vez mais. É hora de repensar sobre a ginecologia natural.

É isso pessoal, gratidão estar mais uma vez aqui compartilhando o meu relato pessoal junto a vocês, lembrando sempre que cada pessoa é uma pessoa e cada caso é um caso. Por isso, friso pela ultima vez: a primordialidade de um acompanhamento com um profissional capacitado e claro, o uso constante de camisinha em todas as relações sexuais.

Com todo o meu coração, um forte abraço e vamos todos [email protected]!

​Com amor,

Sobre o autor

Jéssica Sojo

Jéssica Sojo

É custoso descrever quem sou eu – já que constantemente lapido, modifico e me transformo em um pouco de tudo e muito de cada pouco. Inicialmente posso compartilhar dizendo que sou extremamente curiosa, apaixonada pela comunidade surda, pela língua de sinais e por tudo que envolve a linguística.

Foi na faculdade de medicina e como acadêmica há alguns anos (com a esperança de trabalhar com o ser humano e suas limitações) que eu adentrei para um universo de que eu não fazia ideia que fosse possível existir e que pudesse trazer a bagagem que tenho hoje. Minha busca incessante pelo autoconhecimento e entendimento para muitos dos questionamentos que já tive (e continuo tendo) me fez despertar para o meu atual desígnio.

Minhas tantas outras peregrinações e experiências também contribuíram e muito com o meu desígnio – a começar pelo de compartilhar junto a vocês, leitores do EuSemFronteiras, sobre a primordialidade de enxergarmos para além do que nos visibiliza os olhos e lembrarmo-nos sempre de sermos semelhantes ao sol, mesmo em meio às sombras escarpadas montanhosas da vida.

Com todo o meu carinho e gratidão imensa,

Mãos em prece e um saudoso e caloroso abraço em cada um.

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