Percebe-se a decadência de uma sociedade quando se faz necessário bradar como um imperial pelo básico do social.
RESPEITO
Res – Pei – To
Respeito: as palavras, faladas, escritas, cantadas, choradas, respeito ao falar, ao tocar com suas palavras outra alma humana, lembrando que palavras espalhadas ao vento têm por vezes grande alcance e brutal impacto, às vezes causam dano irreversível, porém por vezes salvam vidas, e palavras devem, precisam, merecem ser ditas, bem-ditas, benditas as palavras.
Respeito: ao árbitro, ao time, ao time adversário (aliás, horrível essa palavra adversário, ao time parceiro que participa com a mesma honra de um jogo que o seu), à torcida, a minha, a sua, a do outro, ao estádio, às ruas, ao transporte, ao museu, à casa de cultura, à casa da vizinha, à senhora na rua, à faixa de pedestre, ao transporte coletivo, à vida, à condição de vida, ao saneamento básico, respeito ao básico bem feito, nada mais além de nosso direito.
Respeito: às mulheres, nascidas em corpo ou alma, respeito aos homens que sabem ser homem, e com todo respeito aos que não sabem, é uma pena; respeito aos homens que gostam de outros homens afetivamente, homoafetivamente, sexualmente, intelectualmente, todas as mentes, principalmente as que não mentem.
Respeito: respeito à criança, à infância, ao direito mais puro da felicidade espontânea, respeito à liberdade de rir, brincar, sujar-se, machucar-se e saber que sempre terá alguém por perto para amparar, pois é direito de toda a criança ter alguém, é direito da criança chorar por um tombo, mas não de fome, não por uma agressão, não por uma humilhação, respeito por elas que são o futuro da nação, que futuro criaremos então?
Com respeito ou preconceito?
Respeito: à terra, que dá a vida, que alimenta, esta terra sofrida, explorada, que é caminho e estrada, solo sagrado, ensanguentado, deflorado, desmatado, explorado, queimado, massacrado, mas ainda assim nos acalenta, por quanto tempo seremos dignos, bem-vindos, nesta terra que nos sustenta?
Respeito: aos que se foram, às suas lembranças, memórias e ensinamentos, à cultura, à arte, à religião, à religiosidade, a toda nossa vasta diversidade.
Respeito: aos que aqui estão no dia a dia, cada um matando o seu leão, na luta por um novo tempo, uma nova nação, que ainda nem vislumbramos, futuro nessa imensa confusão.
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Respeito: ao futuro incerto, pois certeza, apenas da morte e mesmo assim seu paradeiro e horário são desconhecidos, busquemos então, empunhar a bandeira do respeito na mão, abrir nosso coração, com mais generosidade e amor, pelo ser humano, pelo nosso irmão, na cruz um já morreu, no poder um subiu outro desceu e assim segue a saga, da direita para esquerda, todos pegam seu quinhão, mas quem sofre mesmo é o povo e com razão, que não tem nem ideia do futuro, da saúde, da educação, o caos está geral, não é só aqui não, o mundo se prepara para os avanços da tecnologia em violenta ascensão, mas de que adianta tanta evolução sem amor no coração?
Então me responda francamente, meu irmão: quem é você na fila do pão?
