Convivendo

Relato sobre o parto humanizado

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Na manhã do dia 30 de abril acordei cedo e quando fui ao banheiro percebi que tinha perdido um pouco de sangue. Por precaução liguei na casa de partos e disseram que provavelmente havia sido apenas o tampão* que tinha caído, mas se eu quisesse poderia ir até lá para uma avaliação.

Fui para lá e após a avaliação disseram que realmente era apenas o tampão que havia saído, que eu estava com 1cm de dilatação e que poderia entrar em trabalho de parto nos próximos dias. Me recomendaram muito repouso para me preparar.

Voltei para casa e comecei a sentir algumas contrações ao longo do dia, apesar de doloridas, sabia que ainda não eram muito intensas e nem estavam ritmadas, apenas sinal de que meu corpo estava se preparando.

Na noite deste mesmo dia as dores foram ficando mais fortes e um pouco mais próximas, então pedi ao meu marido que me levasse novamente a Casa de Partos, fomos eu, ele, minha mãe e irmã, que acompanharia meu parto.

Na segunda avaliação estava com 2cm de dilatação, porém, como as contrações ainda não estavam ritmadas, me recomendaram voltar para casa e esperar. A casa recomenda a internação apenas quando a gestante está em trabalho de parto ativo (com as contrações ritmadas e mais frequentes) para que a ansiedade não leve a tomadas de decisões antecipadas.

A humanização do parto não significa mais uma nova técnica ou mais conhecimento, mas, sim, o respeito à fisiologia do parto e à mulher.

Fomos para casa, meu marido, minha irmã e eu. Nessa madrugada eu já não consegui dormir nada. As contrações, apesar de variar entre os intervalos, estavam cada vez mais fortes e frequentes, passei a noite entre massagens do meu marido e banho de chuveiro e, quando estava para amanhecer o dia, meu marido passou a bola para minha irmã, que ficou comigo até às 8h da manhã, quando notei que minha bolsa havia estourado.

Tomei um banho e fomos para Casa Angela. Na avaliação minha dilatação ainda não havia aumentado, porém, pela ruptura da bolsa já fui internada (por recomendação do Conselho Nacional da Saúde após 18h de bolsa rota a parturiente deve entrar com medicação na veia para evitar contaminação). Fui levada para um quarto onde fizeram exames para acompanhar os sinais vitais meu e da neném, como foi feito durante todo o trabalho de parto.

Meu marido e minha irmã ficaram comigo o tempo todo, massageando meu corpo, conversando comigo, seguindo todas as orientações que recebemos nos grupos de apoio que fizemos na casa de partos durante a gestação. Além deles uma amiga foi para fotografar e também nos ajudou no conforto das dores e apoio psicológico.

O tempo todo a equipe que estava nos acompanhando (enfermeira, obstetrícia e técnica de enfermagem), nos orientavam como auxiliar o andamento do trabalho de parto e dicas de melhor alívio das dores. Sempre nos informando como estava o quadro e quais procedimentos iriam tomar.

Nas horas que estive em trabalho de parto, eu comi, bebi água, caminhei, tentei relaxar entre uma dor e outra, sempre conversando com meus acompanhantes e a equipe da casa, todos sempre muito carinhosos e atenciosos comigo.

No meu plano de parto informei que gostaria que fossem tomadas todas providências possíveis para eu ter meu parto normal, na casa, sem precisar de ser transferida à um hospital. Após 12h sem evolução do quadro, durante avaliação foi constatado que minha bolsa havia rompido pelo lado de cima e por isso a cabeça do neném não descia. Então, com a nossa permissão, a obstetrícia fez a ruptura da bolsa pelo lado de baixo, nos informando que iriam avaliar meu quadro na próxima uma hora, que se não houvesse evolução não teria pra que esperarmos as dezoito horas, seria melhor já ir para o hospital e entrar com medicação para acelerar o processo.

Porém, não foi preciso. Logo em seguida as contrações passaram a ser mais fortes, com dor intensa e cada vez mais ritmada. Já estava quase que impossível caminhar, sentar, conversar…. Foi então que pedi para ir ao chuveiro e lá fiquei até que as contrações ficassem com intervalos mais curtos e maior duração.

Do chuveiro fui para a banheira, já para aguardar a chegada da neném. Apesar da dor estar mais intensa, a água permitiu relaxar mais nos intervalos entre uma contração e outra.

 

Depois de 15h de trabalho de parto, com a dor mais forte que senti e o grito mais alto que pude dar, Cecília coroou e em menos de um minuto já estava com a cabeça toda para fora. Todos comemoravam e eu ainda não conseguia vê-la. Até que veio a última contração e ela saiu por completa, direto para o meu colo.

Quase não chorou e deitada sob o meu peito já estava de olhos abertos querendo levantar a cabeça para ver tudo em volta.

Como estava muito frio no dia, saímos logo da banheira para nos aquecer corpo a corpo embaixo das cobertas. Ela mamou na primeira hora, tomou vitamina K grudada no peito e nem reclamou da picadinha. O papai que cortou o cordão umbilical, só depois que parou de pulsar.

Cecília Flor nasceu às 21h29 do dia 01 de maio de 2015, com 3.245kg e 49cm, todos os exames foram feitos pertinho da mamãe e do papai, de onde não saiu nem por um minuto. Recebemos alta em dois dias, depois de ter tido muita orientação e apoio nos cuidados com ela.


  • Depoimento escrito por Carolina Peixoto da Equipe Eu Sem Fronteiras

* Crédito das Imagens: Fotografa Bruna Quesada do projeto “Humanascer“, que registra partos humanizados

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para [email protected]