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A verdade sobre os partos humanizados

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

A Casa Angela é uma casa de partos localizada no bairro do Monte Azul, zona sul de São Paulo.

Angela foi uma parteira alemã que veio para o Brasil na década de 80 para trabalhar na Associação Comunitária Monte Azul, uma organização não governamental que oferece diversos serviços nas áreas da cultura, educação, saúde e lazer para moradores da favela de mesmo nome.

A alemã desenvolveu um trabalho dedicado ao acompanhamento de gravidez, parto e pós-parto das mulheres da comunidade, realizava atendimento no ambulatório da Associação, trabalhando dentro dos preceitos do parto humanizado, técnica que trouxe consigo da formação com o médico francês Frederik Leboyer, um dos pioneiros desse tipo de parto.

Logo a fama do parto humanizado realizado por Angela se estendeu aos limites da favela, e mulheres de todos os bairros da capital se deslocavam até o Monte Azul para receber o atendimento da parteira, até que em 1997 foi criada a primeira casa de partos da Associação Comunitária Monte Azul. Porém, no ano seguinte Angela adoeceu e veio a falecer em 2000, vítima de câncer. A casa de partos fechou as portas em 1999.

 Parto humanizado não pode ser entendido como um “tipo de parto”, definido pelo uso da água ou a posição. A Humanização do parto é um processo e não um produto que nos é entregue pronto.

Durante o período que trabalhou na Associação, Angela realizou mais de mil partos, com baixos índices de intervenção, grande satisfação das mulheres e nenhum caso de óbito.

Esse legado foi muito importante para a comunidade e até hoje inspira pessoas de diferentes regiões da cidade por esse tipo de acolhimento, que valoriza o cuidado e zelo para o desenvolvimento humano.

Por isso, em 2003, a Associação, com cooperação técnica do Hospital Municipal do Campo Limpo e com a Secretaria Municipal da Saúde, desenvolveu o projeto de uma nova casa de partos, Casa Angela, em homenagem à parteira.

Em um primeiro momento foi feito um levantamento para conhecer a demanda de partos realizados na zona sul, e foi entendido que caberia sim a criação de uma casa de partos na região. Em 2004, a Associação apresentou o projeto para a prefeitura e foi concordado na época de que para custear a manutenção e despesas da casa de partos a prefeitura incluiria a casa no Programa de Saúde da Família por meio de convênio entre SUS e a Associação, que em contrapartida, iria custear os gastos com as obras e construção.

Em 2008 a Casa Angela ficou pronta e começou a funcionar em 2009, realizando acompanhamento de pré-natal e pós-parto e, grupos de apoio, oficinas e palestras para gestantes e pais, porém, neste mesmo ano, a prefeitura voltou atrás no parecer favorável de 2004 e não incluiu a casa no programa como acordado anteriormente, alegando que não existia demanda que exigisse a inclusão de uma casa de partos na região.

Sendo assim, para custear as despesas e infraestrutura da casa sem o repasse da verba pública, a Casa Angela funciona em um modelo autossustentável, oferecendo serviço gratuito para as mulheres da comunidade e atendimento particular para mulheres de outras regiões, com opções de pacotes e negociações acessíveis.

As consultas de pré-natal acompanham a evolução do feto e a saúde da mãe. Para garantir o parto natural, com mínimo de intervenções, a gestante não pode ter nenhum fator de risco, como diabetes e pressão alta, por exemplo. Por isso a casa recebe mulheres com até 35 semanas e um mínimo de cinco consultas.

Além das consultas, durante o pré-natal também são oferecidos grupos para gestantes e acompanhantes que preparam para o parto, ensinam cuidados com o bebê, amamentação e as mudanças após a chegada do bebê.

Neste processo a gestante elabora o seu plano de parto, um documento no qual descreve tudo como planeja seu parto, quem serão seus acompanhantes (a casa autoriza a presença de até duas pessoas), como quer ambientar o quarto, o que autoriza e não autoriza fazer durante o trabalho de parto. É importante também deixar por escrito qual será seu plano B caso o parto não possa ser realizado na casa.* (caso aconteça alguma intercorrência a paciente é transferida para seu hospital de referência, se for emergencial a transferência é feita para o Hospital Campo Limpo por ser o mais próximo).

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Depois do parto a mãe e o bebê voltam para duas consultas de puerpério, para acompanhamento do desenvolvimento do bebê e recuperação do corpo da mãe.

Durante o primeiro ano de vida, a criança e a mãe participam de seis grupos, junto com bebês que nasceram na mesma época, para trocarem experiências, realizar atividades artísticas e físicas e aprendizados nos cuidados dos bebês até completar um ano.

Além das consultas e grupos a casa oferece cursos de artesanato, aulas de pilates, fisioterapia e acupuntura, gratuitos e/ou baixo custo. Sempre priorizando moradores da comunidade.

Hoje a Casa Angela funciona todos os dias, incluindo final de semana e feriados, possibilitando atendimento 24 horas para suas pacientes e cada ano recebe mais famílias que optam por esse tipo de parto.

Casa Angela

Site: http://www.casaangela.org.br/
Rua Mahamed Aguil, 34, Jd. Mirante, CEP 05801-060
São Paulo/SP
Telefone: (11) 5852-5332
E-mail: [email protected][email protected]org.br


  • Texto escrito por Carolina Peixoto da Equipe Eu Sem Fronteiras 

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