Autoconhecimento Psicanálise

Réveillon – Dia da esperança?

Ana Racy
Escrito por Ana Racy
Mais um ano se inicia e com ele renovamos as esperanças de um ano melhor. Mas será que a mudança do ano no calendário tem tanto poder para que tudo se transforme?

Percebo que muitas vezes desejamos uma solução mágica para as coisas: o ano vira e a vida muda. Feliz ou infelizmente, não é bem assim.

“Mas será que a mudança do ano no calendário tem tanto poder para que tudo se transforme”

Mudança requer trabalho, esforço, dedicação e muita persistência. Os anos passam e não perguntam se desejamos isso.

Um ano tem a duração de 365 dias e isso é medido pelo tempo que a Terra leva para completar uma volta em torno do Sol. E é cumprindo com seu trabalho de forma lenta e contínua, que ele nos dá a oportunidade constante de mudança. O calendário gregoriano, seguido pelo mundo todo, repete-se sem mudança – exceto nos anos bissextos – e isso mostra que somos nós os escritores de nossas vidas.

A cada amanhecer, uma nova escolha. Passamos a vida tomando decisões. O que estudar, qual profissão queremos ter, onde morar, ter ou não um companheiro ou um bichinho de estimação. Nos preocupamos com aquilo que rodeia nossa vida, com tudo que está do lado de fora. Nos esquecemos, no entanto, de que o que faz a grande diferença em nossas vidas é o mundo interno em harmonia. Quando conseguimos atingir um certo nível de equilíbrio, começamos a perceber o mundo externo de outra forma.

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O mundo, porém, não mudou. A Terra continuou girando lentamente ao redor do Sol para cumprir sua meta, oferecendo a cada um de nós mais uma oportunidade de autoconhecimento.

Aproveitamos a virada do ano para estabelecermos metas para o ano seguinte. Mas será que, a partir da primeira semana, nos lembramos das metas estabelecidas? Ou voltamos para o modo automático e fazemos tudo como antes?

A disposição em fazermos diferente, em buscarmos paz interior, está dentro de cada um de nós. Isso não se compra, não se vende, não se ganha, apenas se conquista. A vontade é a mola propulsora e não o ano. Às vezes, somos vistos como frios ou chatos por falarmos dessa maneira. No entanto, a decepção daquilo que não se realiza, porque foi apenas idealizado, não nos ameaça. Quando pensamos e agimos com os pés na realidade, a vida fica mais transparente e aprendemos a lidar melhor com ela.

“Mas será que, a partir da primeira semana, nos lembramos das metas estabelecidas? Ou voltamos para o modo automático e fazemos tudo como antes?”

Comer lentilha vale? Guardar semente de uva vale? Pular 7 ondas vale? Tudo pode ser feito, desde que não se coloque as expectativas da realização das nossas metas nessas coisas que estão fora de nós. Isso é idealizar e procurar a resposta mágica para a solução dos nossos problemas.

Esperar menos, cobrar menos, ser mais compreensivo, amar mais, ser mais paciente, mais afetivo, mais acolhedor vale? Certamente! Pois aí sim estaremos olhando para dentro de nós mesmos, buscando nos tornarmos pessoas melhores e usando cada um dos 365 dias para que o novo ano seja diferente. Enquanto a Terra faz o seu papel, nós fazemos o nosso.

Assim, desejo a todos a disposição e a vontade de tornarem a si mesmos seres melhores para que o mundo possa ser melhor.

Deixo uma frase do historiador Leandro Karnal para reflexão e que possamos continuar juntos no ano de 2017!

“O que eu penso não muda nada além do meu pensamento, o que eu faço a partir disso muda tudo!”

Sobre o autor

Ana Racy

Ana Racy

Psicanalista Clínica com especialização em Programação Neurolinguística, Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente, Microexpressões faciais, Leitura Corporal e Detecção de Mentira. Tem mais de 30 anos de experiência acadêmica e coordenação em escolas de línguas e alunos particulares. Professora do curso “Psicologia do Relacionamento Humano” e participou do Seminário “O Amor é Contagioso” com Dr. Patch Adams.

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