Budismo Espiritualidade

Samsara, o filme

O filme retrata uma história de amor e busca espiritual pelo eu, ambientado nas incríveis paisagens de Ladakh, no Himalaia. A palavra “Samsara” deriva da doutrina hindu da reencarnação e vida após a morte, defendendo que o espírito precisa passar por uma série de vidas terrenas enquanto evolui para atingir suas metas e objetivos. A analogia com o enredo do filme é totalmente direta com a mensagem proposta: Tashi (Shawn Ku), é um jovem monge budista que retorna ao seu monastério depois de passar exatamente três anos, três meses, três dias e três horas numa isolada maratona de meditação nas montanhas.

Recuperando-se da dura provação, Tashi começa a se sentir perturbado por desejos carnais e eróticos e pela vida da sociedade, repleto de desejos, posses, bens, relacionamentos etc.

Pôster do filme Samsara (2011)
Pôster do filme Samsara (2011)

Apesar do filme retratar aspectos da religião budista como costumes, meditações e cerimônias, como a maioria dos filmes desse tipo apresentam, Samsara mostra um outro lado em que o espectador reflete sobre o papel do sexo em si e dos relacionamentos carnais, se podem ou não estar vinculados a doutrinas religiosas. A sociedade como um todo ainda vê o sexo como um tabu, um pecado, graças a religiões que “acusam” tais desejos de ruins, apesar de fazer parte da vida humana, defendendo a ideia do isolamento para orações a fim de atingir a iluminação ou a graça.

Um dos momentos mais interessantes do filme é justamente o conflito interno que o discípulo sofre: viver uma vida comum, feliz com sua família e tendo seus desejos carnais e materiais saciados ou tornar-se um ser humano com sua plenitude espiritual alcançada? Apesar da maioria de nós vivermos em sociedade, esse sentimento é comum em muitas pessoas: a angústia de viver no pensamento acerca da “dualidade” proposta no filme e a necessidade de tomar uma decisão.

Atenção ao spoiler: outro ponto apresentado no filme que merece a reflexão do espectador é o papel da mulher na religião e na sociedade no decorrer das eras. Sabemos que, desde os tempos primórdios, muitas religiões colocavam (e ainda colocam) a mulher numa posição inferior, até mesmo impedindo-a de fazer parte de determinadas seitas e filosofias. Nosso personagem principal se relaciona com uma mulher e tem um filho. O espectador passa a perceber a importância não somente da família como exemplo para as crianças, mas que a mulher é tão importante quanto o homem.

Vale muito assistir ao filme, que o fará pensar acerca da sua própria vida, seus desejos, sonhos e objetivos. Bem como a busca por esse “eu” que cada um de nós temos e para o qual muitas vezes não damos a devida atenção, optando por apenas vivermos nossa rotina, alheios ao que acontece ao nosso redor.

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Através de cenas emocionantes e mensagens que tocam o coração, o filme prende o espectador, deixando-o atento ao que acontece durante a história e quais serão as decisões tomadas por Tashi.

Direção: Pan Nalin

Elenco: Shawn Ku, Christy Chung, Lhakpa Tsering

Gêneros: drama e romance

Países: França, Suíça, Itália, Índia, Alemanha

Duração: 2h18m

Ano de lançamento: 2001


Texto escrito por Bruno da Silva Melo da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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