Autoconhecimento

Seu autoconhecimento é antirracista?

Pessoa com a mão fechada com as siglas "BLM" no pulso
Mattia Faloretti/Unsplash
Dulcineia Santos
Escrito por Dulcineia Santos

Primeiro, vamos lembrar, como disse a filósofa Angela Davis, que não ser racista, neste momento da humanidade, não basta. Ter pensamentos de luz, também não. Falar que “somos todos um”, neste momento, é apenas uma desculpa para não encaramos a realidade e o privilégio.

Ser antirracista é ter uma atitude proativa no sentido de combater o racismo: é não se calar diante de uma atitude ra-cista, por exemplo. É estudar sobre o assunto; é consumir conhecimento, serviços e produtos de pessoas negras. É observar se você mesmo não está perpetuando atitudes racistas, ainda que se declare não racista. Aliás, quando você se declara não racista, no início de uma conversa sobre racismo, se fecha para aprender com o seu interlocutor.

E, para isto, como ser preocupado com a sua própria evolução, e talvez a de outras pessoas, eu quero convidá-lo para algumas reflexões.

1) Você está incomodado com o movimento negro?

Se você está há anos postando sobre evolução e autoconhecimento, não faz o menor sentido estar incomodado com o movimento negro.

Pessoas protestando pelas vidas negras
Clay Banks/Unsplash

Segundo a Antroposofia, num nível maior, de eras, passamos da era da alma da sensação para alma da razão, e agora estamos na alma da consciência. Por isso houve o boom de autoconhecimento há alguns anos, terapias alternativas, reconhecer que somos mais do que um corpo físico e de que tudo está interligado.


Portanto, é mais do que natural que, na era da consciência, a raça negra acorde. É mais do que natural que, na era da consciência, nos demos conta da nossa força. É mais do que natural que, na era da consciência, a gente diga chega.

2) Pergunte-se: o que está o incomodando?

Se você tem falado sobre autoestima, sobre autoconfiança, e agora está achando ruim que os negros estão — final-mente — se amando mais do que querendo agradar ao seu grupo de pertença, pergunte-se: “O que nisto está me in-comodando?”

Mulher olhando para cima com olhar de tristeza
Beth Tate/Unsplash

Se você acredita sermos todos um, mas dá like quando uma pessoa branca fala sobre o que a incomoda, e pula o post quando uma pessoa negra fala sobre a dor dela; se você acredita em mantermos a energia elevada, e agora está estra-nhando porque nós negros resolvemos que não vamos mais deixar baixarem a nossa; se você falou sobre poder pesso-al, chakra do poder pessoal, e agora está reclamando que o negro não quer mais ser vítima; se você que achou lindo quando a Bené Brown falou sobre ser vulnerável, e agora está reclamando que tem posts demais de pessoas falando sobre racismo; que as redes estão meio baixo astral; se você falou sobre constelação sistêmica, e agora não entende quando a gente fala que a dor dos nossos ancestrais é a nossa também, não importa qual seja a nossa condição atual; se você falou para terapeutas se apoiarem, para mulheres se apoiarem, e esqueceu de incluir as mulheres negras na sua rodinha de apoio. Ou se você agora está achando ruim porque os negros resolveram se apoiar (“ué, mas isso não é racismo reverso?”), repito: “O que, realmente, está o incomodando?”

Pergunte-se de verdade. Não caia na cilada de dizer coisas como “com violência não se consegue nada” ou algo gené-rico do tipo. Isto é algo externo. Faça, aqui também, seu trabalho de autoconhecimento.

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Gostaria de relembrar que em cada época da humanidade houve um momento que estimulou a evolução. Num nível menor, muitas vezes, este salto para a evolução se fez com revolução: a Francesa, por exemplo, que as pessoas admi-ram tanto e que é tão engrandecida na escola. Ou o maio de 68 (aliás, falando nisto, por que será que o maio de 2020 o incomodou tanto?).

Negros quererem igualdade também faz parte do nosso processo de autoconhecimento e crescimento. Se você não está feliz com isto, é melhor checar se esteve mesmo do lado do amor e da evolução de todos os seres este tempo todo.

Sobre o autor

Dulcineia Santos

Dulcineia Santos

Dulcinéia Santos é terapeuta multidimensional, life coach e praticante certificada das ferramentas MBTI® de tipos psicológicos e Barras de Access®. É também autora do livro: “A Namorada do Dom”, em que conta sobre as lições que aprendeu nos relacionamentos e sua jornada até a Suíça.

Acredita que a vida é cheia de lições, e que se não as aprendemos não passamos pro próximo nível do jogo. Saiu de casa cedo e foi morar no mundo – agora está na Suíça, onde estudou antroposofia por três anos. Gosta de tomar cerveja no boteco enquanto papeia, de aconselhar, da língua portuguesa, de cozinhar, de ficar só e de flexibilidade de horários. É esotérica, mas acha que estamos encarnados para viver as experiências terrenas com o pé no chão – de preferência dançando.

Formações:
Brain Based Coaching Certification
NeuroLeadership Group - Londres

MBTI® - Myers-Briggs Type Indicator - Step I and Step II
Myers-Briggs Foundation - Florida, USA

Antroposofia
Goetheanum - Dornach, Suíça

Terapia Multidimensional
Genebra - Suíça

Access Bars®
Nyon - Suíça

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