Energia em Equilíbrio Yoga

Sobre atitudes e mudanças

Pedro Kupfer
Escrito por Pedro Kupfer
Qual seria um bom exemplo para definir mudanças de atitudes? Swāmi Dayānanda, um sábio mestre, surpreende com esta história: um jovem que vai se casar com uma garota.

Na véspera do casório a noiva pede para falar com o noivo. Ela então lhe conta que é adotada, assim, os pais que lhe apresentou não são biológicos e que, além disso, foi encontrada por essa família quando ainda era muito jovem, perdida em um grande festival religioso. A família procurou pelos pais da pequena garota, porém, como não os encontraram, acabaram por adotá-la e criá-la com todo o amor. Ela então recebeu o nome de Ganga, o nome do rio em cuja beira foi encontrada.

À medida que escuta esta história, o garoto se lembra da irmã mais nova dele, que havia se perdido da família, há exatos 24 anos, no mesmo festival religioso que sua noiva citara. Neste momento ele se dá conta do que realmente estava acontecendo e corre para sua mãe para pergunta-lhe se, por acaso, sua noiva não poderia ser a irmã há tanto tempo perdida. Para responder a esta indagação, a mãe do noivo olha para as marcas de nascença da garota, reconhecendo-a como sua própria filha, Mina.

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“Mudar de atitude faz parte de uma consequência natural do conhecimento que se recebe.”

Quando fica sabendo deste fato, o noivo transforma totalmente sua atitude. Ele não a vê mais como uma mulher, nem como noiva, muito menos como esposa. Ele apenas a vê como uma irmã. Este processo de mudança foi instantâneo. Em um momento estava disposto a lhe dar o seu coração, como amante e esposo. No outro, ele apenas a tem com um amor de irmão. Este fato lhe faz ter uma mudança relevante de atitude, sendo que ela não foi gradual, não aconteceu aos poucos, ela foi radical e instantânea! Nascendo do reconhecimento da situação que ele estava vivendo.

Mudar de atitude faz parte de uma consequência natural do conhecimento que se recebe. Assim como na história citada pelo mestre, há mudanças de atitudes em relação a outras coisas. Mas todas essas atitudes derivam de uma mesma fonte: o conhecimento profundo daquilo que lhe rodeia.

Qualquer mudança de atitude constitui-se a partir de temas fundamentais, porém, muitas pessoas não compreendem isso. Sem a compreensão desses temas qualquer tentativa de mudança será limitada, tola e incompleta. Se voltarmos ao exemplo, perceberemos que o garoto não precisa que ninguém o diga que precisa tratar a sua noiva como se fosse a própria irmã. Ele já sabe que ela o é, e, portanto, sabe como tratá-la.

Nossa capacidade de transformar atitudes está relacionada a várias coisas, como transformar apego em desapego, sofrimento em contentamento, oscilação emocional em equilíbrio, tristeza em alegria, entre outros exemplos, e tudo isto se relaciona ao fruto do autoconhecimento e, por consequência, a uma mudança de atitude espontânea.

Como em relação ao reconhecimento da limitação dos desejos, ou seja, compreendendo que os desejos não te tornarão feliz, e que nem têm a capacidade disso, você poderá simplesmente abrir mão do apego que nutri por eles, fazendo com que percam a força sobre você, de forma instantânea.

Quando sei quem sou, quando consigo me ver como a pessoa simples e tranquila que sou, posso reconhecer que nada pode ser acrescentado ou tirado de mim e assim, o apego e o sofrimento se vão.

Isso é a libertação: o objetivo final de todo Yoga!

Namaste!

Sobre o autor

Pedro Kupfer

Pedro Kupfer

Pedro vive de vegetais, praia e surf. É casado com Ângela Sundari, com quem viaja com frequência para surfar, estudar, ensinar e compartilhar momentos bons com os seres humanos, plantas e animais deste belo planeta. Ensina Yoga há 30 anos. Move-se entre Portugal, Brasil, Índia, Indonésia e Chile, lugares que ama por diferentes motivos, sendo o mais importante de todos, as pessoas que conhece neles.

Oṁ Gaṁ Gaṇapataye namaḥ!

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