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Sobre o glitter derramado

Uma mão segurando um pote de vidro com glitter em frente ao pôr do sol.
Bluma Hausswolff
Escrito por Bluma Hausswolff
É cedo pra chorar, menina. Recolhe essa tua antecipação, põe um batom, delineia os olhos e volta a viver. Calça os sapatos, escolhe um figurino, e isso é tão urgente quanto os dias que passam descabidos e acelerados atrás da sua janela sempre fechada. Por falar nisso, areja a tua casa.

Joga para o lado essas cortinas que tanto escurecem e permita que o clima entre – seja de chuva ou de sol, mas permita. Não se prive de ver a beleza das horas vivas, nítidas e reais, porque a existência, veja bem: a existência passa escandalosamente rápido.

Menina assoprando pós de glitter que estão em suas mãos.

A dor? Ela não irá passar.
 A dor existe e te faz uma visita a cada momento em que as suas fraquezas assaltam ou a cada vez em que as suas pernas cambaleiam, tropeçam e te jogam com força no chão.

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Não deixa latente o que te faz doer, não. Pega essa tristeza e inventa uma poesia, pois é do drama que nascem as histórias mais belas e interessantes. Pega a melancolia e faz dela o teu bilhete para a evolução, porque na busca pela felicidade a gente sempre lida com o nosso quinhão de dificuldade.

Ainda é cedo para chorar e se render, menina. Recolhe a lágrima, corre pra rua e silencia a boca dos equivocados com a sua graça imprevisível. Não permita a ousadia de quem dança sobre os seus destroços se o teu edifício ainda está aí, inteiro.

Há muito mais brilho além do seu frasco de glitter derramado.

Sobre o autor

Bluma Hausswolff

Bluma Hausswolff

Bluma Hausswolff nasceu na Itália, em Milão. É artista da dança, escritora e através da Psicanálise e do leque terapêutico,
deseja tocar o íntimo e expandir o potencial de (ser) humano.

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E-mail: [email protected]
Instagram: @blumahausswolff