Comportamento Convivendo

Sobre o não divulgar nossos bons atos: uma curta reflexão

Mulher sorri. Uma de suas mãos está apoiada no peito, a outra se cruza ao braço. Há um cenário azul.
racorn / 123RF

“Tende cuidado em não praticar as boas obras diante dos homens, para serem vistas, pois, do contrário, não recebereis recompensa de vosso Pai que está nos céus. – Assim, quando derdes esmola, não trombeteeis, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Digo-vos, em verdade, que eles já receberam sua recompensa. – Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita; – a fim de que a esmola fique em segredo, e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará”. (S. MATEUS, 6:1 a 4.)

Tenho pensado muito nesse excerto ultimamente. Quantas vezes, na tentativa de sermos generosos, não “contamos” para nossa mão esquerda o que fez a nossa mão direita? Digo, quantas vezes queremos as glórias e os louros de nossos bons atos, desmerecendo-os, então, pondo toda a generosidade abaixo, por vaidade?

Assim não pode ser. Como seres humanos, temos a dificuldade em ajudar o próximo e manter em silêncio nossas boas atitudes. Inflamos nosso ego, querendo exaltar nossos feitos. Até ajudamos, mas temos a necessidade de fazer com que os outros saibam de nossa benevolência. Daí perdemos (quase todo) o mérito da ação!

Mulher com o dedo indicador sobre os lábios, referenciando o sinal de silêncio.
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Ser justo, ser solidário, ser caridoso. É um exercício difícil! Mas praticável, a cada dia. Quando vemos um irmão em necessidade, nosso íntimo nos diz que devemos ajudá-lo, dentro de nossas possibilidades. Muitas pessoas vão além, tiram de si para dar ao próximo, e isso é louvável! Mas ainda temos a grande dificuldade de manter ocultas nossas boas atitudes.

A notícia boa é que ser reservado também é exercitável: a cada bom ato, a cada ajuda, nós podemos exercer o não comentar, o guardar para nós mesmos a vontade de sair espalhando aos quatro ventos que somos generosos. O Universo sabe que fazemos o bem.

Façamos isso! Que fique oculta a caridade nossa de cada dia, e que cada vez mais possamos ser generosos com a dor e com a dificuldade do próximo. Isso alimenta nossa alma de boas vibrações.

Sobre o autor

Caroline Gonçalves Chaves

Sou pedagoga formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em psicopedagogia e TICs, também pela UFRGS. Como educadora, atuei na educação infantil e na educação de jovens e adultos (EJA). Sempre gostei de escrever, e nos últimos anos tenho me aventurado à escrita de contos infantis (meu primeiro livro, "Dorminhoca", foi lançado em 2019). Tenho afinidade, ainda, por temas como direitos dos animais, abolicionismo animal e veganismo, por acreditar que os animais não humanos são merecedores de respeito e possuem direitos como os animais humanos – eles são nossos irmãos nesta caminhada de evolução. Sou também estudante do espiritismo kardecista, trabalhando em uma sociedade espírita da minha região.

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