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Soul Pixar: qual é o nosso propósito de vida?

Pôster de divulgação do filme Soul.
Divulgação / Diney Pixar
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

“Soul: uma aventura com alma” é o nome de um filme de 2020 que foi dirigido por Pete Docter. Feito em formato de animação, o longa-metragem é classificado como infantil, ainda que traga lições que podem emocionar muitos adultos. Outro filme, também da Pixar, que cumpre esse papel é “Divertidamente”.

Nessa produção, o público é agraciado com uma série de surpresas. A primeira delas é a referência à negritude, que aparece tanto por meio de personagens pretos quanto pelo interesse do protagonista pelo gênero musical jazz. Assim, “Soul” é um exemplo de representatividade.

Por outro lado, um ponto que pode causar estranhamento na trama é a presença da morte no enredo. O tema, que também está presente em “Viva: a vida é uma festa”, no entanto, é abordado de uma maneira original e reflexiva. Nesse sentido, a história não é triste, embora seja um pouco angustiante para os adultos, até certo ponto.

Finalmente, outra surpresa que o filme nos apresenta é o alívio cômico na forma de um gato e de uma alma que são bastante simpáticos. Para as crianças, é justamente essa parte da produção que provoca risadas e identificação. Além disso, porém, quais são as lições que “Soul” nos apresenta? A seguir, conheça algumas delas!

O enredo

Joe Gardner é um professor de música do Ensino Médio que tem o sonho de se tornar uma estrela de jazz. Ainda que seja muito talentoso, ele não pode dedicar a carreira à música, porque esse meio é imprevisível e ele tem contas para pagar, como qualquer adulto.

Quando o personagem estava desmotivado, acreditando que nunca poderia realizar o sonho que sempre teve, porém, algo inesperado ocorre. Uma importante banda de jazz precisa de um novo integrante, que poderá participar do ensaio da apresentação para ser contratado.

Feliz com a possibilidade de se juntar a um grupo musical de peso, Joe é tomado por uma euforia que o torna até um pouco distraído. Depois de um acidente motivado por essa desatenção, vemos o personagem se transformar em uma alma, que deve seguir para o Além.

Joe Gardner tocando piano
Divulgação / Diney Pixar

No local onde Joe está, no entanto, ele afirma que tem o desejo de voltar para a Terra, já que terá a chance de realizar o maior sonho que já teve. Infelizmente, os seres do Além o confundem com outra pessoa e atribuem a Joe a missão de convencer uma jovem alma a nascer, mostrando o quanto a vida dele foi boa.

Nesse ponto do filme, descobrimos que todas as pessoas escolhem, antes de nascer, qual é o propósito de vida que elas seguirão. Com o auxílio de um mentor, que é a alma mais velha de alguém que já faleceu, elas descobrem quais são as próprias aptidões e como elas serão utilizadas conforme se desenvolvem.

Também é antes de nascermos, segundo “Soul”, que descobrimos como serão as nossas personalidades, a partir da convivência com outras almas nesse universo paralelo. Ainda que percamos a consciência de tudo isso ao nascer, é como se a nossa essência já tivesse sido definida.

Sendo assim, o ciclo que uma alma percorre é o seguinte: desenvolver-se em um plano espiritual, encontrar um propósito de vida com o auxílio da alma de quem já faleceu, nascer, viver seguindo o propósito que foi escolhido e, por fim, retornar para o Além, para ensinar a outra alma como é bom viver.

Joe Gardner no mundo das almas ao lado de 22
Divulgação / Diney Pixar

Apesar disso, a alma que acabou tendo o Joe como mentor não consegue entender qual é o sentido de viver. Ela já conversou com muitas outras pessoas que faleceram, mas, mesmo assim, não consegue descobrir por que deveria ir para a Terra. Nenhuma profissão a atrai e nenhum propósito parece ser bom o suficiente.

A partir desse momento, o filme se torna menos objetivo, dando espaço para a subjetividade do público. Temos a oportunidade de analisar a vida de Joe e de questionar se ela foi realmente feliz, se ele merece uma segunda chance na Terra e como alguém que, em tese, fracassou poderia convencer outra pessoa a começar a vida.

Nós precisamos de um propósito?

Durante cada acontecimento de “Soul”, observamos os personagens principais afirmarem que todas as pessoas precisam de um propósito para viver bem. Encontrar esse propósito seria essencial para as almas que vão nascer, porque seria isso que traria uma razão para a vida de cada uma.

No entanto, em uma jornada intensa de autoconhecimento, Joe descobre que essa ideia de ter uma missão de vida está muito associada a uma demanda da sociedade, menos ligada ao verdadeiro desejo de cada pessoa.

Para entender mais sobre como essa ideia se manifesta, pense um pouco sobre a sua infância. Há uma pergunta muito comum que todos ouvimos naquela época e que até já fizemos: o que você quer ser quando crescer? A maioria das respostas é o nome de uma profissão, não um estado de espírito, por exemplo.

Mulher de olhos fechados em um gramado
Anastasiya Lobanovsk / Pexels

Isso acontece porque nós, enquanto sociedade, acreditamos que a vida só pode ser plena se for direcionada a algo muito objetivo e bem definido, como um emprego. Joe, nesse caso, acreditava que tinha o propósito de ser um importante músico de jazz. Mas ele não poderia realizar esse sonho porque talvez enfrentasse problemas financeiros caso se dedicasse a ele.

Todas as pessoas precisam de um emprego para poder sobreviver, mas será que isso é o que resume as nossas existências? Nós nascemos apenas para produzir algo para o mundo e para outras pessoas? Ou existir vai muito além de se dedicar a uma missão? Reflita sobre essas perguntas e reflita sobre se nós realmente precisamos de um propósito para dizer que vivemos plenamente.

Qual é a graça de viver?

Aproveitando a missão que Joe recebe no filme, faça um exercício. Se você tivesse que mostrar a uma alma por que ela deve nascer, o que você diria? Com essa reflexão, você terá a chance de analisar o que você mais gosta na sua vida, o que você já aprendeu com ela e o que você ainda pode fazer.

Em “Soul”, vemos que a jovem alma se sente extasiada ao estar em contato com a natureza, ao saborear comidas gostosas e ao poder simplesmente estar na Terra. Isso bastaria para você ser feliz? Ou você ainda acredita que não é possível viver plenamente sem uma missão?

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Conforme o enredo se desenvolve, notamos que Joe tem uma grande revelação. Aquilo que parecia ser o maior sonho da vida dele, o principal propósito que ele tinha, mostra-se decepcionante. Alguma vez você já passou por isso? Quando colocamos muitas expectativas sobre algo, podemos nos cegar para as outras oportunidades, o que prejudica a nossa maneira de curtir a vida.

Então qual é a graça de viver? Por que alguém deveria fazer isso? Essas respostas não são simples e também não são únicas, mas nos ajudam a ter uma nova perspectiva sobre aquilo que buscamos diariamente. A partir do enredo de “Soul”, podemos nos surpreender com quanto a vida pode ser melhor se soubermos aproveitá-la com simplicidade e gratidão.

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