Autoconhecimento Comportamento

Todas as pessoas são boas, se soubermos a forma certa de tratá-las de acordo com o conhecimento da sua história

Grupo de pessoas sentadas ao redor de uma mesa com copos de suco vazios. Todos estão rindo.
123rf/Vasin Leenanuruksa
Fabiano de Abreu
Escrito por Fabiano de Abreu

Imaginemos um bloco de barro, molhado, pronto a ser moldado. Nós somos esse bloco no momento do nosso nascimento. E, se a composição mineral do barro for o paralelo à nossa genética, as mãos de quem o vai moldar são o paralelo ao ambiente e às nossas vivências.

O bloco está lá, cabe às mãos trabalhá-lo e aperfeiçoá-lo, dar-lhe forma e estrutura. O barro, antes de ser peça, era apenas barro. A pessoa, ao nascer, é apenas um recipiente pronto a absorver informações e conhecimentos.

Somos limpos, somos folhas em branco. Existem instintos básicos que estão em nós desde o início, mas a maldade não é algo que nasça conosco. Acredito que todo ser humano é bom de base (no sentido de ser puro); e, quando demonstra o contrário, existe uma explicação para esse fato.

Grupo de quatro pessoas sentadas lado a lado em um gramado, todos sorriem.
Pexels/Sharefaith

Cometer maldades advém de motivos, de histórias de vida duras, de maus exemplos, de crueldade, algumas vezes de falta de escolha e algum percentual de herança genética. Cabe a nós não recriminar e julgar ao primeiro minuto. Devemos antes tentar adaptar e moldar a nossa visão para que consigamos procurar entender os porquês de alguém ser assim.

“Somos o resultado de um percentual genético e ambiente. Somos uma herança, a nossa genética em conjugação com as nossas experiências.”

A empatia torna-se fundamental. Devemos sentir o outro, ver o mundo através dos olhos dele para depois apresentá-lo ao mundo que ele não vê.

Ponto de vista é só a vista de um ponto.

Quando a pessoa é acolhida, pode também acolher e enxergar aquilo que ela olha, mas agora sob outra perspectiva: a perspectiva do seu interlocutor.

Assim ela será flexível, e nós aprendemos com a história de vida desse outro ser. Por vezes a maldade vem apenas por falta de oportunidade, por falta de ajuda. Por vezes não perdemos tempo suficiente para ouvir e, quem sabe, direcionar o outro em uma perspectiva diferente, mostrar-lhe opções e caminhos alternativos que, de algum modo, a sua ira não lhe permite enxergar.

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Nós, enquanto seres humanos, somos um universo de possibilidades; e, quando defrontados com a decepção, a perda, a dor, o abandono, a falta de compreensão, podemos deixar o nosso lado mais obscuro se sobressair.

Quando se dá demasiado espaço à magoa e à descrença, sentimentos como a tristeza, a ira ou a maldade têm mais terreno para florir. Cabe ao outro ser jardineiro, separar o trigo do joio e dar oportunidade às boas sementes para crescerem.

Se a nossa experiência de vida, o ambiente onde nos movemos e as pessoas com quem interagimos são um peso enorme na balança da nossa personalidade, não devemos esquecer o que trazemos dentro de nós, a nossa herança genética, a nossa memória celular, que carrega traços e histórias dos nossos antepassados.

Movemo-nos entre um determinismo e uma escolha, entre o que carregamos em nós e o que escolhemos para nós. Somos seres sobredeterminados. Este assunto tem sido debatido pela comunidade científica com alguma frequência: tentar entender que percentual genético está presente no que somos, no que determina a nossa personalidade e atitudes. Nesta batalha entre genética e ambiente, ainda não se chegou a conclusões definitivas, a não ser que ambos nos representam poderosamente em todas as questões da nossa vivência.

Entrar no outro

Quando entramos na mente do outro, podemos pelo menos imaginar suas referências. Fazer um trabalho intelectual para percebê-lo e remanejá-lo é um talento que destaca poucos nesta atual sociedade.

Ou seja, a chave está em ser humilde. Essa humildade será o nosso mecanismo de entrada nesse universo que não nos pertence, mas que queremos desvendar. Temos de ser humildes o suficiente para saber ouvir, para dar espaço a quem precisa de falar.

Devemos especialmente ouvir com vontade e interesse para que se crie uma empatia sincera e o outro se sinta seguro para que possamos entrar no seu espaço. Devemos ouvir com a consciência de que o outro é detentor de qualidades e capacidades e valorizá-las.

Mulher abraçando pessoa de costas para a câmera, e sorrindo.
Pexels/Artem Beliaikin

No nosso tempo de vida, não temos tempo de aprofundar conhecimento em todas as áreas, saber sobre tudo o que nos interessa, mas esse outro pode ser uma porta de conhecimento, quando estamos dispostos a ouvir, a absorver. A humildade advém de uma consciência muito racional, e devemos deixar que se implemente em nós como um mecanismo de conhecimento e oportunidade.

“Ser humilde é a chave de entrada no universo do outro. É a forma que temos de o desvendar e ajudar.”

Sobre o autor

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, psicanalista, neuropsicanalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e especialista em neurociência cognitiva e comportamental, neuroplasticidade, psicopedagogia e psicologia positiva.

Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional.

Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo, criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil.

Lançou os livros “Viver Pode Não Ser Tão Ruim”, “Como Se Tornar Uma Celebridade”, “7 Pecados Capitais Que a Filosofia Explica” no Brasil, Angola, Paraguai e Portugal. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo, Fabiano foi constatado com o QI percentil 99, sendo considerado um dos maiores do mundo.

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