Autoconhecimento Comportamento

Uma reflexão à gratidão seletiva

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Que a gratidão é uma das qualidades mais nobres dos seres humanos não resta dúvida. Afinal, reconhecer um gesto de bondade de uma pessoa é algo tão bom quanto. Apesar de existirem diversos exemplos em nosso cotidiano de indivíduos que foram ingratos, muitas vezes com nós mesmos, geralmente a gratidão está presente na maior parte das relações fraternais.

Ser grato por algo que nos fez bem costuma ser relativamente fácil, mas é possível expressar gratidão pelas adversidades que chegam em nossas vidas?

Por mais que o passar do tempo nos propicie a oportunidade de enxergar a vida a longo prazo, a perspectiva imediatista está presente em todos nós. É muito difícil tirar lições dos obstáculos que encontramos por aí, quanto mais sermos gratos por ele.

É de suma importância a compreensão plena de que você é quem realmente é devido a soma de todas as experiências em sua vida, tanto as boas quanto as ruins.

shutterstock_288970127

Aliás, talvez seja possível afirmar que as vivências negativas são muito mais frutíferas, pois elas trazem ensinamentos que nem sempre as experiências boas conseguem oferecer. Ter um resultado bom não quer dizer que o nosso agir foi correto.

Considerando a lógica pragmática de que os fins justificam os meios, é muito difícil analisar e repensar nossas ações se tudo deu certo no final. “Time que está ganhando não se mexe”, diria um técnico de futebol. O problema é que nem sempre “estar ganhando” é resultado necessariamente de um mérito nosso, mas pode ser (também) uma obra do acaso e/ou ação de uma outra pessoa.

As dificuldades e decepções, por mais dolorosas que venham a ser, são de grande valor para moldar a nossa personalidade.

Portanto, assim como o que nos acontece de bom, também devemos ser igualmente gratos por aquilo que nos ocorre de ruim. Pode até soar um pouco hipócrita afirmar, por exemplo, que devemos ser gratos por não termos sido admitidos por aquela vaga de trabalho que oferecia o dobro de remuneração salarial.

Observando por uma lógica puramente matemática, de fato não faz sentido. Mas é impossível saber como seria a nossa realidade se tivéssemos feito uma escolha de vida ou tido uma oportunidade diferente. O salário seria o dobro, mas e as condições que teríamos de nos submeter por isso? Por mais que a grama do vizinho sempre pareça mais verde, como diz um velho ditado, todo gramado tem suas ervas daninhas, mesmo que a gente não consiga enxergar à distância. Ter um gramado verde é digno de gratidão, mas não ter gramado nenhum também é.


  • Escrito por Diego Rennan da Equipe Eu Sem Fronteiras.

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para [email protected]